a princesa e o sapo [2009]

Dezembro 24, 2009

The Princess and the Frog, de Ron Clements e John Musker
EUA/2009
nota | 8

Nos últimos tempos - coloca-se aí uns 7 ou 8 anos -,  o cinema europeu e asiático foram a principal fonte de animações tradicionais, no lápis e papel, para o circuito americano - no sentido continental, e não apenas dos Estados Unidos.  Mas por apresentarem um estilo voltado majoritariamente para o público adulto, com histórias maduras narradas através de linguagens estéticas singulares, para os menores de idade, Disney virou sinônimo de Pixar e animação se resumiu à computação gráfica. Se meus personagens animados favoritos da infância são de duas dimensões, os das crianças de hoje, saltam da tela.

O anúncio da Disney sobre o lançamento de uma animação feita a modos vanguardistas tinha então um ar de recordação para alguns e novidade para outros. O marketing ainda imperava com a informação de outro diferencial do desenho: A Princesa e o Sapo possui a primeira princesa negra do estúdio. Notam-se duas verdades ao fim da sessão: 1) a princesa passa mais tempo verde do que em sua cor natural, já que também é transformada em sapo e 2) e mais importante, é maravilhoso ver a Disney voltar à sua tradição no melhor estilo de suas obras clássicas.

Mas não só pelo saudosismo o resultado é positivo. A Princesa e o Sapo possui uma narração divertida e visualmente rica, seja o cuidado  ao recriar Nova Orleans ou ao colorido em cada canção – “Quase Lá” ["Almost There" no original] recebe um tratamento de cores e traços incrível. O aspecto musical, inclusive, é um dos fatores mais atraentes do filme: Randy Newman, responsável por trilhas sonoras de grandes sucessos da Disney, não deixa de remeter ao jazz em seus instrumentais e nem de investir em canções animadas para a expressão dos personagens. E de bons personagens o longa está cheio, com destaque especial ao vagalume Ray.

Fica a satisfação e o desejo que a Disney traga novos clássicos daqui pra frente.


meme: as 13 vozes da minha vida

Dezembro 22, 2009

Partindo do princípio que passei por diversas fases musicais na minha vida até hoje, escolher apenas 13 vozes é de uma dificuldade sem fim, mas o Vinícius, do falecido Blog do Vinícius e do novo Central de Prêmios, me passou essa tarefa e depois de muito pensar, creio que alcancei uma lista bastante representativa. Óbvio, ignorei minha fase de Sandy e Junior, Xuxa, pagode, axé e etc. Imagine Beto Jamaica na lista? hahaha Não rola. A partir do momento em que ganhei certo discernimento, escolhi a canção mais marcante de cada voz - bastante populares, diga-se de passagem, diferente dos memes do pessoal que desconheço a maioria dos nomes.

E não teve como ignorar vozes que ouvi em determinados filmes. Como o assunto é a voz e não o cantor, alguns atores não podiam ficar de fora.

Quero saber quais são as 13 vozes da vida do Matheus Rufino, da Dariana Nogueira, do Leonardo de Morais e do Marcel Gois.

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é proibido fumar [2009]

Dezembro 20, 2009

É Proibido Fumar, de Anna Muylaer
Brasil/2009
nota | 8

Antes tarde do que ano que vem, um dos maiores destaques do cinema nacional de 2009 chegou no último mês ao circuito, depois de uma rápida passagem no Festival de Brasília, de onde trouxe um total de nove prêmios, dentre eles Melhor Filme, Roteiro, Ator e Atriz. É Proibido Fumar, da diretora Anna Muylaer, em seu segundo longa-metragem após sua estreia em Durval Discos, tem os dois pés na realidade, e é por captá-la com tamanha sinceridade, coloca a história num grau resistível.

A verdade é que, mais que qualquer outro aspecto, o principal atrativo é a interpretação de Glória Pires. Vê-la de volta ao cinema num longa que não tenha a assinatura de Daniel Filho – pois ainda que faça um bom trabalho em suas comédias, não dá para ignorar onde está inserido – e num papel que oferece um vasto estudo de personagem, atesta o quanto a atriz poderia estar melhor relacionada com a cinema brasileiro. Tudo isso porque a naturalidade com que Glória compõe Baby é coisa de gênio, tornando-a alguém humana como o próprio filme. Paulo Miklos segue pelo mesmo caminho ao viver Max, e só se ofusca devido ao personagem, o qual tem sua história mais sugerida que contada – e isso não é um defeito.

E é uma pena que o roteiro não invista em cenas como a do jantar ou a da foto que ilustra o post, já que são esses momentos que fazem É Proibido Fumar um filme agradável e familiar ao espectador. Familiar no sentido de próximo, algo não apenas crédito dos protagonistas, mas também da direção de arte, que contextualiza boa parte de uma sub-trama com a casa de Baby e informa sobre os personagens [a foto do Chico Buarque na porta de Baby já sugeria que em algum instante ele seria citado, e foi, nuns diálogos mais divertidos do filme]. Tudo numa direção inspirada de Muylear [a cena do congestionamento de carros merece destaque pela trilha sonora e movimento de câmera], e ainda que o filme pareça perder um pouco de seu charme quando muda de tom, já estava alicerçado numa ótima narração sobre pessoas, relacionamentos e pessoas em relacionamentos, de qualquer natureza. Ah sim, e sobre vícios.


expectativas, pra que te quero?

Dezembro 3, 2009

Esqueça a presunção de um musical que, equivocadamente ovacionado no Oscar de 2003, só se sustenta em cenas isoladas e na magnitudade de alguns números musicais que quase não compensam a presença de dois atores intragáveis, Richard Gere e Renée Zellweger.

Esqueça a chatice e a lentidão de uma história que nenhuma riqueza estética e beleza visual são capazes de anular.

E prepare-se para o melhor musical desde Moulin Rouge! – e o melhor filme de 2010?