a ferida está cicatrizando

meu braço dói de tanto lixar madeira, cadeira de madeira, que era branca mas tinha que ficar o máximo de cor de madeira possível. sério que dói a ponto de eu querer parar de escrever isso aqui e descansar o braço. deveria parar porque tenho tanto pra dizer que nem sei por onde começar. acabou de acontecer outra explosão, ouvi daqui. já é a quarta, ou terceira. é um pouco assustador. nesse clima de semiguerra que o rio de janeiro anda passando, sei lá, o prefixo pode ir embora rápido. nesta última semana, minha maior alegria se concentra no período da manhã, logo que levanto da cama. não existe melhor rotina do que a de preparar um café, pão, tomar banho e sair pro campo de batalha. que meus dias sejam feitos de uma manhã de 24 horas, porque eu to cansado de lutar.

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ai esse gosto de alface na boca…

desde quando assisti é proibido fumar e gostei, fiquei com vontade de ver durval discos. se gostava da anna muylaert por um, agora gosto por dois. a renata, flor silvestre, que não gosta de cinema brasileiro, disse que durval é o único filme brasileiro que presta. não é o único, mas é bom demais. já valeria pelos créditos iniciais, plano-sequência do caralho. tem uma cena brilhante: um pequeno quarto com uma defunta na cama, uma velha louca com um enorme chapéu arruma seu armário, uma criança, vestida de bailarina e em cima de um cavalo, suja, utilizando uma vassoura, as paredes rosas do cômodo com o sangue da morta e um vendedor de vinil com um cabelo assustador – que lembrou muito um cabelo que erroneamente cultivei durante uns anos na minha adolescência! – perdido em meio a tudo isso. e a câmera fica paradinha, só enquadrando o nível de descontrole em que o filme chegou. tudo é bastante legal. gosto das cenas de durval com os clientes e com a personagem da marisa orth – sensacional com muito pouco! -, que alcançam uma naturalidade essencial ao filme. só lamentei o final, meio wtf-terminou?! durval respira fundo e the end? a potência da última cena acaba não sendo alcançada.

e hoje é aniversário do bergman, o mais honroso dos cancerianos. bem mais que eu, sem dúvidas. assisti por esses dias chove sobre nosso amor. quase uma merda. é lindo ver que o mesmo cara que fez através de um espelho foi o mesmo que fez esse. foi seu segundo filme, o que é absurdamente compreensível e reconfortante – significa que eu posso um dia fazer algo como um sétimo selo ou um persona mesmo com tanta merda feita no caminho. a história tá mais pra um kapra que pra um bergman – e a última frase do roteiro, além de óbvia e desnecessária, é surpreendente para um filme do sueco, o mesmo que no seu lanterna mágica (que ainda não terminei de ler!) disse que não cabe um deus no meio de nossos “caprichosos átomos – e eu fiquei por muito tempo me perguntando se era realmente aquilo que estava acontecendo – dois jovens se encontram numa estação de trem e ficam juntos forever and ever. ai que saudade de antes do amanhecer! mas nem é tão ruim. a sequência no tribunal é bacana e acaba justificando o filme, a tentativa de dois jovens em viver, só isso, começar uma vida. o mundo é uma selva. todo mundo luta pra sobreviver. e é hora desses jovens, mais maduros ao fim do filme, entrarem na luta.

eu to na luta também. hoje deu uma saudade daquelas que dá vontade de arrancar. queria meter a mão aqui dentro e tirar o que tá doendo. não sei se meu amor, se é amor, é falta de amor próprio ou aquele amor que nem precisa ser amado de volta. o amor por amor. gil, no drão, diz que o verdadeiro amor é vão. e outro bom conselho: não pense na separação, não despedace o coração. valeu, caro gil, pela força.