correntes | os injustiçados do oscar / olha que blog maneiro!

Correntes de e-mails são chatas, ao contrário das de blog que sempre são divertidas e legal de dar continuidade. O grande Alex, do grande Cine Resenhas, me propôs duas de uma vez. Sem mais delongas, vamos a elas.

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| Os injustiçados no Oscar

A cerimônia da Academic Awards de 2009 ainda nem ocorreu, mas a insatisfação por conta da audiência [ao menos dos blogueiros] está sendo propagada há tempos. Sou um dos que acham que o Oscar deste ano está uma grande piada, com muitos injustiçados e outros desmerecidamente valorizados. Porém, isso é uma constante se tratando de Oscar. O desafio é por mais lenha da fogueira, cutucando o passado negro da Academia e trazendo à tona grandes injustiças cometidas durante esses anos. Não sou uma enciclopédia de cinema e preferi me atentar às premiações mais recentes – só não pude deixar de fora o maior injustiçado de todos os tempos, o que me fez concluir que, definitivamente, a Academia curte um ópio.

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kubrick11 | Oscar 1965, 1969, 1972, 1976, 1988

Injustiçado: Stanley Kubrick

E não é que o melhor cineasta que já esteve na Terra não levou para o céu nenhuma estatueta como diretor, roteirista ou produtor? O único careca  dourada que Kubrick conseguiu foi o de Melhores Efeitos Visuais por 2001: Uma Odisséia no Espaço. Justo, mas só isso? A única herança que deixou para o cinema foi revolucionar os efeitos especiais? Humf! Suas maiores obra-primas, Laranja Mecânica e 2001, e os não muito inferiores Dr. Fantástico, Barry Lyndon, Nascido Para Matar não foram o suficiente para premiar o grande mestre como ele merecia. Nada explica.

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pulp_fiction_012 | Oscar 1995

Injustiçado: Quentin Tarantino e Pulp Fiction

A testosterona de Pulp Fiction perdeu para o açúcar de Forrest Gump. O inovador Tarantino foi derrotado pelo convencional Robert Zemicks. Só pra deixar claro, gosto muito do Zemeckis [e seu melhor filme pra mim é Contato] e não morro de amores por Forrest Gump – é só um filme acima da média. Mas peraê?! Tarantino criou sua obra-prima – até então – e só pôde se contentar com o prêmio para Roteiro Original. Nem a incrível montagem foi premiada. Vega e Winnfield, matem a Academia.

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shakespeare3 | Oscar 1999

Injustiça: as premiações de Shakespeare Apaixonado

Shakespeare Apaixonado, esse filminho meia-boca, insosso, sem nenhuma grande atuação, sem roteiro e direção que não vão além do aceitável, e que positivamente só conta com uma boa reprodução de época e belos figurinos, conquistou os equivocados prêmios de Melhor Filme [!!!], Melhor Roteiro Original [desbancando os inspirados trabalhos de A vida é bela e O Show de Truman] e Melhor Atriz [não é porque é nossa, mas, se houvesse justiça no mundo, Gwyneth Paltrow nunca tiraria um prêmio de Fernanda Montenegro]. De premiação inexplicável para filme, acho que essa é a mais notável ao meu ver.


pt-anderson24 | Oscar 2000

Injustiçado: Paul Thomas Anderson e Magnólia

Para mim, a grande obra-prima de Anderson – e da década, do século e da eternidade – é Magnólia Sangue Negro é fichinha se comparado a esse. Ironicamente, o diretor e seu longa foi ainda mais esquecido na cerimônia de 2000 que na do ano passado. Vamos por parte: o filme nem se quer foi indicado na categoria principal, seguindo PTA pelo mesmo caminho do desprezo na categoria de diretor; seu roteiro inteligente, complexo e composto de sentimentos que contava com um painel de personagens riquíssimos perdeu para o texto de Beleza America [que assisti há muito tempo e não gostei na época… anyway!]; uma das melhores – se não a melhor – interpretação de Tom Cruise não foi o suficiente para derrotar Michael Caine em Regras da Vida [ok, Caine é o bicho]; a linda canção Save Me [e ainda escolheram “errado”, já que Wise Up que deveria estar concorrendo] perdeu para a apenas bonitinha You’ll be in my heart, de Tarzan, revelando que, além de não entender de cinema, a Academia não entende de música.

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cold-mountain045 | Oscar 2004

Injustiça: a premiação de Renée Zellweger por Cold Mountain.

Meu desgosto pela Renée Zellweger é fruto, principalmente, de sua interpretação em Cold Moutain. Seu trabalho no filme de Minghella situa-se entre as piores atuações vistas pelos meus olhos num curta/média/longa-metragem; sua voz irritante, sua cara de macho e seus trejeitos de homem do cangaço lhe renderam uma das premiações mais lamentáveis da Academia em seus 81 anos de existência. De quebra, ainda desbancou as ótimas Patricia Clarkson e Marcia Gay Harden.|

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E a última injustiça foi para… [uma espécie de menção honrosa]

dreamgirls_533Oscar 2007

Injustiça: a humilhação sofrida pelas músicas de Dreamgirls

Eu não queria a vitória de Eddie Murphy [era o pior dos 5 indicados], nem fazia questão dos prêmios de Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino, até porque tenho muitas ressalvas com Dreamgirls, cheios de problemas em seu roteiro e direção. Entretanto, nada justifica sua perde na categoria de Melhor Canção para um documentário; nunca vi coisa tão irônica numa premiação. Patience corre por fora, mas Listen e Love You I Do são músicas maravilhosas interpretadas por vozes com potência e com muita sinceridade no filme, bem superior da comum I Need to Wake Up.

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Passo o desafio para:

– Lucas B., Listen to the…
– Lucas, Leio Ouço Vejo

– Miojo e/ou Nespoli, O Cara da Locadora
– Vulgo Dudu, Cinéfilo, eu?
– Weiner, A Grande Arte

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| Olha que blog maneiro!

selo_olha_que_blog_maneiro1

Passos:

1. Exiba a imagem do selo “Olha que blog maneiro!” que você acabou de ganhar.
2. Poste o link do blog que te indicou [muito importante].
3. Indique 10 blogs de sua preferência.
4. Avise seus indicados [não esquecer].
5. Publique as regras.
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7. Envie a sua foto ou de um[a] amigo[a] para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com o link dos 10 blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá uma caricatura em P&B.

Enviado por:

Alex, Cine Resenhas

Repasso para os blogs:

– Camila, No meio de tudo…
– Dari, Cá com meus botões
– Kau, Bit Of Everything
– Lucas B., Listen to the…
– Lucas, Leio Ouço Vejo
– Miojo e/ou Nespoli, O Cara da Locadora
– O Lerdo, Conspirando
– Vinícius, Blog do Vinícius
– Vulgo Dudu, Cinéfilo, eu?
– Weiner, A Grande Arte

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5 finais que eu faria diferente

No post anterior sobre Dúvida, lamentei acerca do final do filme  que acabou me desagradando em sua última, exatamente última linha do roteiro. Quando uma determinada personagem falou uma determinada frase, me dei conta que aquilo era exatamente o que não podia ser dito [ou o que eu não queria ouvir]. Outro fato que percebi é que, até agora, só eu fiquei insatisfeito com o desfecho.

Notei também que não é a primeira vez que isso acontece – e nem será a última. Por isso selecionei 5 finais que por algum motivo me desagradaram  e qual versão, ao meu ver, seria mais conveniente e convincente para o encerramento do filme. E claro que Dúvida está presente.

ATENÇÃO: Caso não queira ler o desfecho de um dos filmes, é melhor partir para o próximo.

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Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg [2005]

https://i2.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/guerra-dos-mundos/guerra-dos-mundos04.jpgSou um dos poucos que acham essa versão do  Spielberg para o filme de 1953 um dos melhores blockbusters recentes. Mas com certeza sou um dentre os muitos que detestam o final do longa. O filho do Tom Cruise é um personagem extremamente chato e pedante e determinado em ajudar o exército no combate aos Tripods, fato o qual induz que também seja dotado de uma grave tendência suicida. Spielberg com seu típico happy end não poderia deixar o menino morrer na batalha, mesmo este não tendo nenhum preparo [sabe-se lá se sabia usar uma arma] e desafiando centenas de alienígenas homicidas.
O final perfeito: um final realista, isto é, Tom Cruise voltar para casa e receber a notícia mais provável, isto é, “seu filho não sobreviveu”.

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Jogos Mortais 2, de Darren Lynn Bousman [2005]

https://i1.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/jogos-mortais-2/jogos-mortais-2-01.jpgJogos Mortais, o primeiro, foi um ótimo suspense, muito bem construído, elaborado e com um excelente desfecho que deixa o espectador com cara de “WTF? Bem que eu poderia ter pensado dessa forma”. O maior problema do filme, porém, foi querer ser uma franquia – uma longa franquia – dividida em 5 [cinco!] partes. E ao contrário do filme original, o encerramento do segundo longa me pareceu muito forçado, uma tentativa frustrada de chocar novamente o espectador e garantir uma continuação – afinal, eu não poderia imaginar que viriam mais 3.
O final perfeito: A Amanda não ser a tal Amanda do longa anterior, o Jigsaw ter um fim, colocando, na hora certa, um fim na série.

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A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Tim Burton [2005]

https://i0.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/fantastica-fabrica/fantastica-fabrica01.jpg

Não são exatamente os últimos minutos dessa decepcionante versão do Burton que me desagradam. Aquela questão da família é até bem simpática e o filme termina bem dessa forma. O que eu não gosto é a forma como o Charlie “sobrevive” ao fim do passeio na fábrica e leva o prêmio. No longa original, Charlie não ganhou a fábrica somente por ter sido o único após a viagem na fábrica, mas sim por  ter passado também num desafio [o do chiclete]; já no filme do Burton, Willy Wonka, numa constatação óbvia, só restou dizer um simples: “Só restou você? Parabéns! É o vencedor”. Charlie poderia ser tão irritante como qualquer uma daquelas crianças…
O final perfeito: Não precisava ser o mesmo caso do chiclete, mas Charlie deveria ser o vencedor por mérito próprio e não por concorrer com crianças notoriamente insuportáveis.

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Dúvida, de John Patrick Shanley [2008]

https://i1.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/duvida/duvida06.jpg

A personagem da Meryl Streep em todo o longa se mostrou muito decidida e firme em suas opiniões a respeito do padre de Hoffman. E o mais interessante era essa certeza vir de sua própria percepção, sem precisar de nenhuma prova concreta para levá-la adiante. Isso que fez o filme funcionar: ela ser a única convicta acerca do possível caso de pedofilia, restando o veredito apenas para o espectador, que só podia tender para um dos lados, ambos bem trabalhados, como já disse, em todo o filme. Quando ela pronuncia que possui dúvidas, acho que rompe [não por completo, mas rompe] essa dicotomia tão bem definida  na história. Vê-la suspeitar de ter cometido um erro me fez ter quase plena certeza de que realmente estava errada – e era isso que não podia acontecer.
O final perfeito: Riscava apenas as duas últimas frases do roteiro, as duas irmãs entravam na escola após aquela conversa e a câmera ia se afastando num lento plongé.

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Jackass – O Filme, de Jeff Tremaine [2002]

https://i2.wp.com/www.adorocinema.com/filmes/jackass/jackass02.jpg

Dispensa comentários.
O final perfeito: O filme terminaria nessa primeira cena do carrinho de compras. Eles iam em direção a um precipício e morriam e a tela seria preenchida por um grande The End.

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dúvida [doubt]

doubt

Muito desnecessário elogiar um filme em detrimento de outro, mas é inevitável não questionar a perda de Dúvida na categoria de Melhor Elenco no SAG deste ano para aquele outro lá [serei discreto pelo menos]. Sendo mais preciso, o melhor é não questionar mais nada das premiações de 2009, pois ou o meu gosto se encontra muito atípico e equivocado ou as comissões julgadoras andam bebendo mais que o permitido. Dúvida precisava de atuações intensas para alavancar a história intrigante que o roteiro por si só nos oferece. E além de  contar com um elenco deste nível, o filme é bem sucedido em tudo em que se propõe fazer.

Principalmente sua proposta de trabalhar o título do longa, o que, vale dizer, é o melhor diferencial que o filme oferece. Evitando ser partidário e somente desenvolvendo sua narrativa, o roteiro adaptado pelo também diretor John Patrick Shanley nos coloca numa posição às vezes inferior de alguns personagens da trama, uma vez que sabemos exatamente o que eles sabem – ou menos que isso. Se Irmã Aloysius [Streep] acredita veementemente que Padre Flynn [Hoffman] é um pedófilo, enquanto que este nega sempre com o mesmo grau de convicção a acusação, resta para o espectador o mero papel de voyer na narração. As imagens, por sua vez, podem se mostrar traiçoeiras, tendendo em cada instante para um lado, mas não irá revelar a verdade por trás de supostas mentiras ou ilusões. O jogo de gato e rato desencadeado entre os personagens – sugerido pelo próprio filme numa analogia óbvia -,  acaba alcançando também o espectador.

Então já que a única fonte de informação para o espectador são os personagens e é por eles, somente por eles, que seremos persuadidos, interpretações corretas se tornam importante para o funcionamento do filme. Meryl Strep, com o cenho fechado em todo o tempo, mantém um ar de autoritarismo e, por essa postura rígida, realça a certeza das convicções de sua personagem; ao mesmo tempo em que parece ter idéias inabaláveis, representa sempre uma ameaça para o personagem de Hoffman [melhor a cada trabalho realizado], o qual consegue romper sua serenidade de padre nos momentos mais intensos e confrontantes, quando parece sempre firme e convicto de sua índole. Amy Adams possui uma aparência frágil assim como suas certezas sobre o tal caso, enquanto que Viola Davis  com poucos minutos em cena consegue uma atuação tão marcante quanto qualquer outra do filme. [Em especial, há uma cena  com duração de 14 minutos que ocorre apenas numa sala, onde os três atores que encabeçam o longa estão presentes, que é o exemplo da intensidade de suas atuações. Perfeito.]

Nem de longe é a melhor fotografia do Roger Deakins e nem de longe é a melhor trilha sonora do Howard Shore, mas ambos fazem trabalhos que favorecem o clima meio obscuro e encoberto da narrativa. A direção de Patrick Shanley saliente ainda mais o tom sutilmente misterioso do filme e cria um dinamismo nas cenas carregadas de extensos diálogos, com tomadas lentas e enquadramentos mais apropriados do que aparentam. Tudo a favor de um roteiro que só peca na sua última fala – lamentável,  mas pouco demais para acabar com tudo visto até então. Porém, o mais interessante é que Dúvida chegará ao seu fim e não faltarão incertezas na mente do espectador.

nota | 9
mais informações | imdb

sag 2009 | comentários

Um pouco tardiamente faço meus comentários sobre a cerimônia do SAG 2009, que tive a infelicidade [por falta de opção] de assistir pela TNT com os comentários do sempre insuportável Rubens Ewald Filho, o qual mais uma vez se mostrou uma enciclopédia de cinema [apesar de ter esquecido que Lolita era do Kubrick e dizer que Penélope Cruz ganhou o Globo de Ouro deste ano] com comentários inúteis e questionáveis no rodapé, em companhia daquela mulher que traduz apenas um dos cinco minutos do que é dito.

https://i0.wp.com/newsimg.bbc.co.uk/media/images/45412000/jpg/_45412590_slumdog2_466ap.jpg

– A maior surpresa foi a vitória de Slumdog Millionaire por melhor elenco. Maior e pior surpresa, devo acrescentar. Nem de longe seu elenco é ruim, todos muito competentes e até curto muito o trabalho do Dev Patel – ao contrário da maioria que não o tem achado grande coisa -, mas nada que merecesse o prêmio, principalmente se levarmos em conta os outros indicados. Ainda não assisti Dúvida e Frost/Nixon; porém, o primeiro conta com atores sempre excelentes e, mesmo precocemente,  acredito que merecesse mais o prêmio; o segundo me parece uma indicação equivocada, pois o filme parece só da dupla Michael Sheen e Frank Langella. Então sendo justo e descartando esses dois longas ainda não vistos, torcia por Milk, que apesar de nem tão bom, possui um elenco no qual todos se destacam e se sobressaem mesmo dividindo a tela com Sean Penn.

– Falando nele, ainda não consegui sair do dilema Penn/Rourke. Ambos tem atuações muito diferentes e igualmente excepcionais no que se propõem. Entre eles, qualquer um que ganhasse ficaria satisfeito. Veremos no Oscar quem leva a melhor – espero até lá saber em quem apostar.

Meryl Streep entregou o momento mais divertido da noite. Sua vitória inesperada [para ela, ao menos] rendeu um discurso espontâneo [“Eu nem comprei um vestido!”] e mostrou a simplicidade de uma atriz mais que veterana, quando demonstrou uma alegria imensa como se estivesse recebendo seu primeiro prêmio. Como não foi por Mamma Mia!, vitória merecida.

– Ou eu sofro de sensibilidade aguda ou realmente o momento foi emocionante. Quando a vitória – já esperada – de Heath Ledger foi anunciada todos aplaudiram de pé e eu comecei a enxergar a tevê embaçada [eufemismo mode on]. Queria vê-lo subindo ao palco para receber o SAG, Globo de Ouro e o Oscar [agora mais certo do que nunca], mas preciso entender a vida.

– Minha torcida para Penélope Cruz mais uma vez foi por nada. Mas não irei desistir, já que no Oscar Kate Winslet não poderá estragar a festa da minha favorita.

No mais…

– Ainda não entendi porque a insípida, sem graça e, felizmente, sumida da Katie Holmes apresentou a categoria de Melhor Ator;
– Dav Patel consegue ser mais magro que eu;
– Freida Pinto, Kate Winslet e Penélope Cruz sempre lindas;
– Evan Rachel Wood fica muito melhor morena;
– A voz do James Earl Jones é realmente inesquecível.