cinema 2008 | 10 melhores filmes

Cinematograficamente falando, não tenho o que reclamar do quase finado 2008. Se no ano passado o cinema não entregou nenhuma obra-prima, fomos compensados este ano com dois grandes longas dignos de receber tal mérito. Aproveito e adianto que não falo de Sangue Negro nem muito menos WALL-E. Exato, eles não entraram no top final.

Apesar de Sangue Negro possuir a melhor trilha sonora de 2008 e ser tecnicamente irretocável, como qualquer filme do gênio Paul Thomas Anderson [para os que não sabem, Magnólia é meu top 1 absoluto], além das interpretações soberbas de Daniel Day-Lewis e Paul Dano, por algum motivo, o filme não me atinge tanto como os 10 listados abaixo. Quanto a WALL-E, bem, é um bom filme – e só.

Caso não tenha fechado o browser mesmo depois de ter lido o parágrafo anterior – obrigado! -, não vou perder mais tempo e deixarei o top dizer o resto. Mas não sem antes desejar a todos que visitam este pequeno blog, um 2009 excelente, de muitas realizações e filmes ainda melhores.

Até o ano que vem e feliz ano novo! =)

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010#10 | ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA | de Fernando Meirelles
Queime Depois de Ler ou Ensaio sobre a Cegueira? Foi um grande dilema, mas optei pela obra de Fernando Meirelles por, baseado no livro de José Saramago, pintar um retrato cruel e primitivo do ser humano em seu estado mais desesperador. É um filme inquietante, de infinitas questão a cerca da natureza do homem, religião e ética, permeadas numa fotografia granulosa em que prevalece os tons claros – e escuros nos momentos necessários -, resultando num dos melhores trabalhos técnicos do ano. Julianne Moore [melhor atriz de 2008?] encabeça um elenco perfeito que torna palpável o estado apocalíptico que Meirelles e Saramago conceberam.
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07#9 | VICKY CRISTINA BARCELONA | de Woody Allen
Minhas ressalvas com o velho Allen correspondem ao seu trabalho na frente da câmera, pois é inegável que com papel e caneta na mão compõe histórias [quase sempre] de premissa simples, mas envolventes por conta dos diálogos próprios do autor e personagens irresistíveis. E é justamente isso que faz de Vicky Cristina Barcelona um filme apaixonante. Um elenco em sintonia vivendo e falando sobre relacionamentos numa paisagem encantadora, capturada pela câmera sutil de Woody Allen.
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091#8 | APENAS UMA VEZ | de John Carney
Once é a prova de que, para um filme funcionar, o principal ingrediente é sentimento. Com uma câmera simples, músicas inesquecíveis – que estarão em seu MP3 após o término do filme – e atuações sinceras fazem deste o filme mais sensível do ano. Basta abrir o coração e sentir.
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08#7 | O NEVOEIRO | de Frank Darabont
“Assustador” define O Nevoeiro e o retrato realista que Stephen King e Darabont criaram do ser humano em seu estado de sobrevivência. Depois de alguns minutos, percebe-se que a maior ameaça do filme é o  homem e seu egoísmo, seu poder de manipulação, sua loucura, seu desespero. E aí se nota que o nevoeiro e suas criaturas são apenas um pano de fundo para questões filosóficas e um estudo sobre a natureza humana. Mas não dá para negar que aquelas criaturas são aterrorizantes e me fizeram soltar uns gritos de vez em quando.
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05#6 | DESEJO E REPARAÇÃO | de Joe Wright
Também acho o segundo ato do filme um pouco arrastado, mas a primeira e terceira parte, câmeras subjetivas, plano-seqüência de quase cinco minutos, fotografia e direção de arte perfeitos e o melhor final do ano compensam qualquer defeito e fazem de Desejo e Reparação um filme memorável.
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06#5 | NA NATUREZA SELVAGEM | de Sean Penn
Não é o melhor filme da lista, mas foi por Na Natureza Selvagem que cultivei maior carinho, o qual só vem crescendo com o passar do tempo. Através deste lindo filme, se descobriu um talento de verdade na direção, um ator muito melhor do que se imaginava e ainda apresenta as melhores canções do ano. Um filme que me fez chorar, deixando-me com paralisia temporária quando os créditos finais apareceram. E eu adoro quando isso acontece.
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03#4 | JUÍZO | de Maria Augusta Ramos
Por este filme você não esperava, certo? Ao assisti-lo por um simples acaso [com a falta de um professor na faculdade, nada melhor do que passar a hora no cinema], também não imaginava que Juízo seria um documentário digno de entrar num top de melhores do ano. A questão é que o filme é alarmante e faz qualquer um pensar por horas sobre a situação de cada jovem apresentado e o sistema de recuperação oferecido para os mesmos. Não sei de mais ninguém que tenha visto Juízo. Se você faz valer minha afirmação, não perca a oportunidade de conferir a melhor surpresa do ano.
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04#3 | BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS | de Christopher Nolan
Nunca imaginei também que um filme de super-herói entraria no meu top. Mas O Cavaleiro das Trevas não é apenas mais um blockbuster com um homem fantasiado pronto para salvar vidas. Não irei rasgar elogios à direção de Nolan ou ao roteiro pela densidade dada a cada personagem ou aos efeitos visuais e sonoros apesar de todos serem dignos de qualquer encômio. Mas, definitivamente, a maior qualidade de Batman é Heath Ledger com seu assustador Coringa por criar uma atmosfera de medo em Gotham, capaz de ser percebida em cada cena que o desajustado sorriso vermelho aparece. E como Ledger faz falta…
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02#2 | LINHA DE PASSE | de Walter Salles e Daniela Thomas
A beleza estética de Linha de Passe, dada pela bela fotografia e a câmera de Walter Salles, contrapõe-se com a paisagem cinza e monótona de São Paulo. Talvez pela sua verdade, Linha de Passe foi o filme que mais me levou para o outro lado da tela. Como havia dito num antigo post, ao sair do cinema, a vida de cada personagem do filme ainda se misturava à minha. E isso é cinema de verdade.
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01#1 | ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | de Joel e Ethan Coen
2008 foi o ano dos Irmãos Coen. Ano em que mostraram que são capazes de realizar obras extremamentes diferentes entre si e serem felizes nas duas. Mas foi com este western moderno que eles entregaram não só o melhor filme do ano, mas a obra-prima de suas carreiras. Onde os fracos não têm vez é uma aula de cinema em que o silêncio é rompido pela violência personificado pelo personagem de Javier Bardem, numa atuação a qual nenhum adjetivo é capaz de qualificar. Uma obra-de-arte perfeita do início ao fim.

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cinema 2008 | o [meu] cinema brasileiro

Há quem odeia o cinema nacional. Geralmente, qualquer um que adora [porque é incrível como as pessoas sentem prazer em dizer que o odeia!] vociferar esse tipo de sentimento pelo nosso cinema, não o conhece com folga. Eu também não o conheço como deveria. Aliás, recorrendo à minha memória e às minhas listas de filmes assistidos, prática que iniciei tardiamente em 2005, a quantidade de produções brasileiras é ínfima se comparada ao total de obras conferidas anualmente.

Não assistir a alguns foi uma questão de escolha...

Não assistir a alguns foi uma questão de escolha.

Em 2008, a intenção era reverter esse quadro. Não consegui, ainda que a vontade tenha sido grande. Foram apenas 12 [vergonha mode on] lançamentos brasileiros que me deslocaram pra o cinema num total de, segundo site Filme B, 81 produções! Mais triste que isso é constatar que este caso particular foi um reflexo do quadro geral de público em longas nacionais: fica entre 9 e 10% o índice de participação de espectadores em produções brazucas. Perdemos o hábito de ir ao cinema de uma forma geral ou nos acostumamos a deixar passar obras produzidas por nosso país?

Os dois. Nenhum dos dois. Um pouco de cada amontoado a tantos outros motivos. Filmes brasileiros, que são sempre minoria no nosso circuito de estréias, encaram em sua data de lançamento grandes produções norte-americanas de um apelo comercial infinitamente maior, além de terem sua exibição restrita a um pequeno número cinemas, podendo contar inclusive com poucas sessões – foram muitos os longas que deixei de assistir por contarem somente com uma sessão diária em horário inconveniente. No dia 18 de julho, por exemplo, o bom Nome Próprio, de Murilo Salles, disputou público nada menos que com a continuação do Homem-Morcego. São estatísticas que acabam desfavorecendo nossas produções, mas também há de se levar em conta o desejo do público em assistir tanto a um filme como a outro – e esse fator é tão decisivo quanto os números.

Você viu? Nem eu.

Mas não assistir a outros foi culpa do sistema.

Mas nem sempre a vontade é suficiente. Um dos longas nacionais mais elogiados do ano foi Meu nome é Dindi, o primeiro de Bruno Safadi. Fui deixar para conferir na semana seguinte da estréia e, para a minha surpresa, precocemente, ele já não estava mais em cartaz – vale dizer que era em um dos cinemas cariocas que mais exibem filmes brasileiros. Sete dias são suficientes para um filme formar público? Se não, imagine três. Foi o que ocorreu com o longa de Paulo Pons, Vingança, o qual após seu final de semana de estréia, sobreviveu em apenas três das doze salas em que estreou – e ainda com menos sessões do que inicialmente. [Para saber mais sobre essa anomalia e lamentável situação que nossos filmes enfrentam,  veja aqui o texto completo do diretor Paulo Pons.]

Entre o martelo e a bigorna, tenho tentado uma relação mais próxima com o nosso cinema. E cada ótimo filme que o Brasil produz, mais apaixonado e orgulhoso fico da arte que, sim, somos capazes de realizar com maestria. Prova disso foi o ano de 2008, que mesmo tendo assistido a poucos filmes, foi o suficiente para o saldo geral ser muito positivo. Em especial, deve-se isso a quatro produções [duas presentes na lista abaixo], as quais merecem destaque numa escala muito além da do cinema  nacional. E em como qualquer país que produza arte  cinematográfica, nem sempre o resultado foi  muito satisfatório. Já em alguns, deu vontade de chorar de desgosto.

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41#10| ENTRE LENÇÓIS | de Gustavo Nieto Roa
Até havia dado uma nota um pouco maior para Entre Lençóis em comparação ao próximo filme, mas basta eu lembrar desta bomba para constatar o quanto é um longa falho em todos os aspectos. O amontoado de clichês não permite a história ir além do lugar comum enquanto tenta discutir relações amorosas. Ao menos, o filme pode ser útil em aulas de cinema na pauta “Como NÃO empregar uma trilha sonora corretamente”.
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61#9 | ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO | de José Mojica Marins
Todos adoraram. Eu odiei. Odiei porque o universo repulsivo criado por José Mojica não me atrai em nada.
Talvez seja um mundo sagaz e visceral demais para o meu gosto. Se tem uma palavra que define bem Encarnação do Demônio é “repugnante”. E para o filme ser bom, ele precisa no mínimo ter boas atuações de seu elenco, fator que este está longe de possuir.
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81#8 | ORQUESTRA DOS MENINOS | de Paulo Thiago
Orquestra dos Meninos tem problemas intermináveis, que vai desde o elenco – com atuações extremamente caricaturais -, passando pela edição – que não contribui para uma narração fluida -, roteiro – fraco ao desenvolver muitas das situações inseridas no decorrer da trama, a qual, diga-se de passagem, é pessimamente finalizada -, desembocando na direção, ora piegas em demasia – vide a terrível cena da chuva. Em outras palavras: não presta.

91#7 | ROMANCE | de Guel Arraes
Romance é o típico filme legalzinho [com esforço] que não precisava ter existido. Brincando com situações pertinentes presentes no meio televisivo e teatral, o filme de Guel Arraes em diversos momentos soa enfadonho e desinteressante e, como muitas das produções da lista, poderia ser muito pior se não contasse com um elenco competente. Quando a sessão terminou, passou cinco minutos para eu esquecer que estive numa sala de cinema instantes antes.

51#6 | PRETÉRITO PERFEITO | de Gustavo Pizzi
Você sabe o que foi a Casa Rosa? Eu moro Rio de Janeiro e não sabia. Por isso fui assistir ao documentário que conta partes da história desta Casa, um antigo prostíbulo muito requisitado em outras épocas e que hoje funciona como boate. Os melhores momentos são os que acompanham uma antiga prostituta da Casa, e no mais, vale apenas como uma curiosidade frívola.

71#5 | NOME PRÓPRIO | de Murilo Salles
A única certeza que tive ao término da sessão de Nome Próprio foi do imenso talento de Leandra Leal – e de como ela é gostosa também. Sua entrega para o papel tornam todos os conflitos e instabilidade de sua personagens palpável  e, sem dúvida, é a força motriz de um filme estranho, que talvez não seja tão profundo quanto tenta parecer. Mas o saldo  é positivo.

untitled-1#4 | ÚLTIMA PARADA 174 | de Bruno Barreto
Melhor do que eu imaginava, mas ainda assim cheio de debilidades. Ainda que funcione parcialmente graças ao bom elenco, e no final das contas seja um bom filme, a direção limitada de Bruno Barreto realiza uma obra que acaba sendo pequena no meio de tantas outras de tema semelhante.

102#3 | FELIZ NATAL | de Selton Mello
Feliz Natal poderia ser muito mais se Selton Mello não fizesse questão de tentar ser autoral em cada frame. Seus zooms excessivos e enquadramentos que às vezes acabam não enquadrando muita coisa podem se tornar excessivos depois de um tempo de projeção. Mas no saldo geral,  seu trabalho de estréia na direção revelou seu talento também por trás da câmera e que, de excelentes atores, o cinema brasileiro está bem servido.

31#2 | ERA UMA VEZ… | de Breno Silveiro
Breno Silveiro atestou seu talento como diretor, provando que seu trabalho anterior, 2 Filhos de Francisco, não foi sorte de principiante. Sua capacidade em compor belas imagens com o auxílio de uma boa fotografia e criar uma narração envolvente e intensa é notável. Era uma vez… foi mais uma prova disso. Uma história de amor
em meio à criminalidade carioca que não fugiu de alguns clichês, mas todos bem usados,  e um elenco cativante; o filme só tem como problema os seus últimos minutos, falhos e incoerentes.

21#1 | ESTÔMAGO | de Marcos de Jorge
Estômago é o filme mais original da lista. Com um roteiro que passeia por vários gêneros e mostra seu lado mais sombrio nos últimos minutos e uma direção inspirada do promissor Marcos Jorge – nota para o desfecho da trama em que compõe um plano-seqüência brilhante à la Hitchcock e entrega uma das grandes cenas do ano -, o resultado beira a excelência. Quanto a João Miguel, definitivamente se consagra como um dos melhores atores brasileiros da atualidade, por mais uma vez ser responsável pela metade da força do filme.

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Próximo post: melhores filmes [e é lá que estarão os dois filmes brasileiros não comentados aqui].

cinema 2008 | 10 melhores cartazes

Chegou a hora de escolher o melhor que este mero blogueiro amante da sétima arte contemplou durante o ano de 2008 numa sala de cinema – ou na tela do PC. E confesso que é uma das melhores coisas que o final de ano remete. Com o fim da safra de filmes anuais [e mais uma vez Death Proof ficou de fora dos cinemas brasileiros, uma pena imensurável], o que resta agora é recorrer aos bons e velhos tops a fim de realizar a premiação de cinema mais justa, aquela onde os únicos jurados são as nossas próprias impressões e sentimentos.

Este primeiro post não leva em conta a qualidade do filme. Direção, fotografia, elenco, direção de arte, trilha sonora e qualquer outro aspecto não tem relevância neste top. Aliás, esqueça o filme. O que importa agora é aquele grande pedaço de papel que o representa. Foi tarefa suada escolher apenas 10 cartazes entre tantos pré-selecionados – e ainda devo ter esquecido muitos. Então agora é com vocês. =)

Próximo post: o [meu] cinema brasileiro

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Clique na imagem para vê-la em alta resolução

#10 | OS INDOMÁVEIS

10_indomaveis3:10 to Yuma, de James Mangold

Ok, este ano praticamente não foram lançados westerns, mas Os Indomáveis consegue ser o melhor do gênero por conta própria. Seu cartaz possui um aspecto que valeria para qualquer western e a composição do faroeste [que não deve ser nem o Bale nem o Crowe] com o trem em planos diferentes garantiram sua entrada no top. Tão bonito quanto o filme.

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#9 | INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL

9_indyIndiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, de Steven Spielberg

Ainda que a experiência de assistir Indiana Jones no cinema tenha sido memorável, o filme acabou não correspondendo todas  às minhas expectativas geradas desde o primeiro murmúrio sobre um novo longa do arqueólogo. Mas se o filme se distanciou do verdadeiro espírito da série [ainda não consigo engolir aquele E.T. gigante na tela], o cartaz percorreu o mesmo caminho das outras artes de divulgação do filme e, ao menos nesse ponto, me deixou menos saudosista. Anyway, é Indiana Jones – e isso já justifica.

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#8 | CONTROL

7_controlControl, de Anton Corbijin

Sou um partidário fervoroso do famoso adágio Menos é mais e sou tarado por preto e branco. A simplicidade do cartaz de Control torna o conjunto primoroso – e Sam Riley fecha bem o pacote.

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#7 | WALL-E

8_walleWALL-E, de Andrew Stanton

Tenho certos problemas com a animação mais amada do ano,  que virou quase unanimidade entre os cinéfilos e conquistou a adoração de todos. Bem, menos a minha. Entretanto, a fofura [e não há termo mais apropriado] desta série de cartazes é indiscutível e digna da criatividade – também indiscutível – da Pixar.

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#6 | NÃO ESTOU LÁ

6_imnotthereI’m Not There, de Todd Haynes

Outra série de cartazes que merece um lugar no top, mas desta vez para uma das grandes surpresas do ano. É o mesmo princípio do cartaz de Control: a  simplicidade e o preto e branco que compõem uma unidade irretocável, bela como os frames de Não Estou Lá e tão admirável como as músicas de Bob Dylan. [Outros cartazes da série aqui]

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#5 | SWEENEY TODD: O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

5Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, de Tim Burton

Entra para o grupo dos cartazes que contém em cada pixel o espírito do filme – só faltava cantar. A questão é:  se tratando de visual, a obra musicada do grande Burton sempre merecerá destaque. O terror, a hostilidade, o sangue, o gótico, a escuridão, o exagero, a fotografia, o cenário e Depp. Explicado.

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#4 | BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS

4_batmanThe Dark Knight, de Christopher Nolan

Este ou qualquer material de divulgação do longa. Escolhi o mais diferente dentre os cartazes do filme, mas qualquer outro seria um bom representante. O negócio é que tudo que tem esse enorme sorriso vermelho tornou-se meu objeto de devoção.

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# 3 | FIM DOS TEMPOS

3_fimdostemposThe Happening, de M. Night Shyamalan

Faço parte do Bloco do Eu Sozinho que acha Fim dos Tempos um ótimo filme. Porém, mesmo que você ache o novo suspense do Shy a maior bomba do ano, há de convir que o visual do cartaz [infelizmente o Brasil não contou com essa versão] é intrigante e atiça a curiosidade de qualquer um. Ainda sugere as cenas magistrais que o diretor mais odiado do momento [mais que Uwe Boll, eu acho] idealizou.

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# 2 | ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

2_blindnessBlindness, de Fernando Meirelles

A maneira com que o título foi disposto é admirável, criativo e de fácil associação. A nitidez da imagem que vai se perdendo na branquidão, a qual domina a maior parte do cartaz, como não poderia ser diferente, remete brilhantemente ao enredo do filme. Em suma: perfeito.

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# 1 | VICKY CRISTINA BARCELONA

1_vcbVicky Cristina Barcelona, de Woddy Allen

A primeira vez que vi um banner gigante de Vicky Cristina Barcelona no cinema eu pirei. E me apaixonei também. O minimalismo do cartaz agrega uma fotografia absurdamente linda, tão simples e tão profunda. De certa forma também inquietante: é muito movimento para uma imagem estática. Permeia uma vontade de saber o instante seguinte do momento enquadrado. É paradoxal como o sentimento presente em cada personagem desta pequena grande obra de Woddy Allen.

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Só não entrou porque eram 10… [clique no título para ver o cartaz]

Na Natureza Selvagem [de Sean Penn]
O Nevoeiro [de Frank Darabont]
Zona do Crime [de Rodrigo Plá]
Na Mira do Chefe [de Martin McDonagh]
Paranoid Park [de Gus Van Sant]

eu não quero ficar assim

– Dá licença.

– Oi, vó. Minha mãe não tá aqui não.

– Você tá sozinho?

– Estou.

– Então vou ficar aqui com você.

– Tudo bem.

– Sua mãe foi aonde?

– Sei lá, vó. Saiu aí.

– Mas sozinha?!

– Não, com a minha tia.

– Ah sim…

Três minutos depois.

– Sua mãe foi onde? Saiu com seu pai?

– Não, vó. Saiu com a minha tia.

– Ah tá, com a sua tia… E você está sozinho?

– Uhum.

Dois minutos depois.

– E sua mãe foi onde?

– Nem sei, vó.

– Mas saiu com o seu pai? Foi fazer compras?

– Não, saiu com a minha tia, mas não sei o que elas foram fazer.

– Ah sim… E você tá aqui sozinho, meu filho?

– Tô, vó.

– Agora não mais, porque estou aqui com você.

– Hehe. Verdade.

Cinco minutos depois.

– Sua mãe foi lá fora?

– Foi, vó.

– Sozinha?!

– Não, vó, com a minha tia.

– E o que elas foram fazer?

– Não sei, vó.

Cinco minutos depois minha mãe chegou. Com a minha tia.