confissões daqueles adolescentes

fui um adolescente sadio – até certo ponto. ontem, durante a sessão de Confissões de Adolescente, que eu gostei e desgostei na mesma proporção – na quase inconstância típica de adolescentes -, numa cena habitual de sala de aula do ensino médio, virei pro Pedro e disse “eu tinha medo disso!”. sala de aula é uma selva. quando você tem 14, 15 anos, é uma selva perigosa, com predadores cruéis prontos para darem o bote. se você se vê como um animalzinho frágil e indefeso, sem a mãe por perto, a sensação é de mais perigo. alerta vermelha! minha sorte era os companheiros, amigos queridos, um grupo que você se identifica e se agarra, porto-seguro, terra firme. mas seu bando não faz ideia dos seus receios e medos entre aquela mata toda. no fim, sempre estamos a sós com nossos demônios. aliás, acho que é principalmente nessa fase da vida que somos apresentados a eles – e são fieis, o mestrado chegou e eles cá continuam. maldita gagueira! eu ia dizer maldita homossexualidade – hoje ela é um bem, antes era uma sinalizador-colorido-flamenjante-em-neon para os olhos arregalados e brilhantes dos famintos abutres do fundo da sala. no filme do Daniel Filho, que ainda é bastante televisivo mas se esforça, só tem uma lésbica. seu relacionamento fica na gaveta, não vem muito à tona, é coberto pela penumbra da globo filmes. (a mesma globo filmes que faz uma personagem dizer “aborto é crime!” e que jamais se deve abortar, discurso cristão panfletário da porra.) já os casais héteros têm cenas de sexo, pagam peitinho e bunda. eles dominam a tela, são héteros, brancos e ricos. lembrei de pro dia nascer feliz, que é mais democrático. e sonhos roubados, que é mais cruel e mostra o outro lado da moeda, uns adolescentes mais fudidos, escuros e pobres. não dava para esperar muita coisa, eu até entendo. mas choca. lembra quando a burguesia ia ao teatro para se ver no palco? mesma coisa, séculos e décadas depois. nos créditos finais, ao som de “sina”, do chato do djavan, cantada pelo elenco (confesso, ficou simpática), aparece o nome do matheus souza como roteirista. ah sim, entendi tudo agora! aliás, o ex-estudante da puc já escreveu diálogos melhores. constrangedor cássio gabus apresentando copacabana pras filhas, que como boas barratijucanas não devem vir muito pra zona sul – já pode entrar pra listinha das piores cenas do ano.

em tempo, sinto saudade de buenos aires.

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