reencontrando a felicidade [rabbit hole, 2010]

Distante da pulsão [homo]erótica e sexual de seus trabalhos anteriores, John Cameron Mitchell revela-se em Rabbit Hole – mais um filme que seremos obrigados a utilizar o título original, já que isso não é um livro do Augusto Cury nem nada – um diretor capaz de depositar beleza e sensibilidade numa história simples e, de modo geral, bastante convencional. Nos momentos mais desconcertantes, como a briga entre o casal e a chegada de determinado personagem em sua residência, Mitchell, aliado ao ótimo trabalho de Nicole Kidman e Aaron Eckhart – o ator atinge um sofrimento palpável e merecia também reconhecimento nas premiações da temporada -, aproxima o espectador com facilidade do drama e vazio que permeia um casal inerte na dor de perder um filho. E a questão é justamente sair dessa inércia. Nesse ponto, o roteiro de David Lindsay-Abaire [o mesmo de Robôs e, vá entender, Coração de Tinta] não alcança grande originalidade, pois o filme gira em torno de situações comuns que mostram essa busca do casal; mas, por outro lado, é extremamente feliz na forma gradativa como revela os acontecimentos antecedentes ao tempo narrativo e a relação entre os personagens. Há o que ser mostrado até o último momento do filme, o qual tem na beleza de sua fotografia quase um contraponto com o que está por trás do que é fotografado. Mitchell, obviamente, está ciente disso: sofre quase de uma síndrome de Tom Ford, emprega planos lentos e câmera lenta contemplativos enquanto a trilha sonora – bonita, mas é claro seu papel aqui de emocionar – é utilizada. Nenhum problema, uma vez que o cineasta tem total controle de sua direção e compõe cada cena de modo preciso. Merece créditos.

nota | 7

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  1. Não entendi bem se tu gostou ou não do filme, haha. Quer dizer, 7 não é uma nota nem muito boa nem muito ruim, né, mas tá mais pra ruim. Enfim, eu nem sabia que esse filme era do John Cameron Mitchell, acredita? E, na verdade, demorei lembrar de onde conhecia o diretor. Agora que lembrei, UOW, jura que que esse filme é dele?! haha. O que mais me dava vontade de vê-lo era a elogiada atuação da Nicole, não me lembro qual foi a última performance dela que achei realmente boa, mas agora fiquei muito interessado em saber como é um filme mais “comum” do JCM, nunca imaginei que um dia ele faria um filme com a Nicole Kidman e o Aaron Eckhart, Hollywood é um lugar curioso mesmo, né.

  2. Boa. Acho também que o filme tem um lado melancólico demais (assim como acho que Direito de Amar também tem) o que me deixa um pouco distante da obra no geral. Nas pequenas coisas (atuações de Nicole, West e Aaron – nessa ordem de preferência; direção com bons planos e roteiro meio fragilizado mesmo), o filme passa com boas intenções. Apenas isso.


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