tops 2010 | 5 piores filmes

"shiiii, estamos num filme cult, não podemos falar muito."

# 5 Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola

Claro que assisti a filmes piores que Um Lugar Qualquer em 2010, mas colocar um filme da Sofia Coppola numa lista como essa é importante para criar polêmica. Mas, é verdade, seu novo longa não é a coisa mais admirável de ser assistida. Eu não acredito que a única maneira de retratar o vazio de um personagem, a solidão que o consome, sua falta de identidade, a efemeridade de seu contato humano e essas coisas pedantes – que a única maneira seja fazer uma cena em que o personagem fica com o rosto coberto de gesso durante 5 minutos ou deixar uma música inteira tocar – diversas músicas e em diversos momentos, vale dizer – enquanto nada acontece. Ok, aí você vem me dizer que o “nada” nesse filme é justamente o acontecimento. Aí eu vou te dizer que essa coisa de filme cult às vezes enche meu saco. É uma direção repleta de vícios, que Sofia não cansa em repetir – incluse o desfecho, quase infantil. O próprio filme, aliás, soa mais como um Encontros e Desencontros 2.0 que algo original. Nem a delicinha do Stephen Dorff salva. Fica pra próxima, fofa.

 

...zzzzzzzzZZZZZZZZzzz...

#4 Brilho de Uma Paixão, de Jane Campion

Vez ou outra me pergunto se chato é argumento. Adoraria que fosse – bastaria eu dizer aqui que Brilho de Uma Paixão é chato pra caralho e ponto. A sensação de aborrecimento, cansaço e desconforto é a principal lembrança que tenho da sessão do filme, no Festival do Rio de 2009. Faz tempo, não me lembro de muita coisa – só que era chato mesmo. Escrevi um comentário sobre o filme quando o assisti, que pode ser lido aqui.

 

"Alô, Michael Bay?! Tira a gente desse filme ruim!"

#3 Kaboom, de Gregg Araki

Ainda não estreou no Brasil – e acho que não dará as caras por aqui, para a sua alegria -, assisti no Festival do Rio, mas como é tão ruim, merecia um lugar na lista. Como disse no comentário do filme, isso é fruto de ácido e outras drogas, absolutamente. A história começa com um garoto que é gay e gosta do seu colega de quarto – que é um babaca gostoso -,  mas transa com uma menina feia e começa a ser perseguido por um bando de pessoas com máscaras de animais. Até o final do filme – e que final ridículo é aquele?! -, a história vai por caminhos dos mais patéticos, sempre fazendo perguntar que merda é essa que você tá vendo. Há quem goste. Eu odeio.

 

♪ Abra suas asas, solte suas feras! ♪

#2 High School Musical – O Desafio, de César Rodrigues

Por que eu vou ao cinema assistir a essas coisas?! Não que eu esperasse que fosse bom, mas é pior do que qualquer um possa imaginar. Tem Wanessa ex-Camargo no elenco fazendo – que merda – ela mesma e eles cantam NX-Zero. Não pode, é insulto. O ator principal é fiatinho e fica pagando de hétero e jogador de futebol o filme inteiro. Mas tudo fica ruim mesmo quando o elenco começa a cantar, não só pelas músicas, pela “coreografia” e por terem voz de ganso, mas porque eles dublam muito mal e fica ainda mais constrangedor. Pegam High School Musical, pioram o roteiro, colocam um sambinha aqui, um axé ali, chama o time  de futebol de Lobo-Guará [oi?] para a coisa ter um pouco de brasilidade e tá lá, filme feito. Uma merda, claro. [Escrevi um comentário sobre o filme que pode ser lido aqui.]

 

"Abra a porta, Mariquinha!"

#1 Nosso Lar, de Wagner de Assis

Gente, não quero morrer não! O Nosso Lar é muito chato. Não o filme. Digo, o filme também. Mas o lugar para onde as pessoas boas vão. É pior que a Terra, tão burocrática quanto, as pessoas soltam cheiro verde pelas mãos, a arquitetura parece de plástico – mas isso é por causa dos efeitos “especiais” mesmo – e ainda tem que trabalhar! Tá, ok, ao menos tem tecnologia de ponta. Mas pensava que a morte fosse algo parecido com um descanso, mas não é não – me enganaram a vida toda. Além do filme ser isso aí, um “veja o que acontece quando você morre” da maneira mais didática possível, é extremamente ruim em todos os seus aspectos – trilha sonora ameniza e os figurinos não são de todo mal -, tem alguns diálogos que matam de rir – pelo o que é dito e como é dito – e o Wagner de Assis fez um filme tão ruim quanto A Cartomante. E você achando que isso não era possível, né? É, eu também achava que não. [O Felipe Rocha escreveu o melhor comentário que li sobre o filme. Leia aqui.]

Em tempo: Vamos brincar: não vale citar Nine nos comentários, ok? Filme lindo, aquele.

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  1. Como já era de se esperar, discordo com a posição do filme de Coppolinha. Mas respeito em absoluto. Apesar de interessante a abordagem que ela fez, existem outras maneiras de se trabalhar o silêncio e o vazio, como ela fez anteriormente com Encontros e Desencontros, por exemplo. Mas ainda assim achei interessante e introspectivo, apesar de achar que ela quis bater de frente com o Michael Haneke, pra ver quem fazia os planos mais longos.

    Brilho de Uma Paixão não achei ruim, mas achei bem chatinho. Esperava muito mais.

    E pensei exatamente a mesma coisa: O Nosso Lar é muito chato. Tanto o filme quanto o local. Todo mundo é bom demais. E temos créditos para conseguir as coisas. Esse último me lembra muito o mundo real. rs. Ótimo comentário.

  2. Olha, chato não é argumento não e queria que mais pessoas pensassem nisso hahaha. Mas entendo não gostar de Bright Star, apesar de adorá-lo e não ter achado cansativo em nenhum momento.
    A menção de Somewhere é válida. Eu AMO a Coppola e devo dizer que esse seu filme é realmente uma merda, talvez não o pior do ano, mas sem dúvida uma decepção. Os outros eu não me arrisquei a assistir.
    Aguardo seus favoritos ;D
    Abs,

  3. Eu, como o Fabio, adoro Bright Star. Vi no Festival do Rio também. Estou quase desistindo de Somewhere, só falam mal dele.

    Filme chato que eu vi esse ano no cinema foi Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Ô coisa ruim.

  4. HAHAHA! Muito divertidas suas descrições. Realmente NOSSO LAR é a escória do Cinema, e concordo com tudo o que você apontou (aliás, Philip Glass deveria estar muito envergonhado de emprestar seu nome a um projeto como esse). Já sobre BRILHO DE UMA PAIXÃO, preciso discordar. Não acho ele uma obra-prima como muitos proclamam (nem melhor que O PIANO, um filme mais poderoso), mas tampouco merece essa repulsa. Um belo e ótimo filme. Os outros que você listou, não vi. O que, se por um lado é bom, por outro é ruim por não poder comentá-los. Abraço!

  5. Oxe, Nine é do caralho! Não esperava vê Um Lugar Qualquer aí…bem, como eu pago pau para Sofia, sei que estará numa lista de melhores do ano para mim (assim como Bilho De Uma Paixão está). E sério que você pagou para assistir High School? Desacredito – ou quero fazer isso. Nosso Lar não é de todo mal (você pontuou bem suas relevâncias), mas mereceu o pódio de mais uma lista extremamente legal :D

  6. Por partes, senhores:

    – Somewhere é tão cu, mas tão cu, que eu peguei nojo do Foo Fighters e isso me irrita profundamente. Aliás, fui só eu ou você também percebeu que NADA em Somewhere faz sentido? Tipo, se a gente trocasse as cenas de ordem ninguém ia perceber.

    – Bright Star eu não vi até hoje porque eu tenho uma preguiça mortal da Jane Campion.

    – Esse Kaboom eu não vi porque sou pobre e tive que selecionar bem os filmes que ia ver no Festival do Rio, tipo Somewhere. Risos.

    – High School Musical Tupiniquim – VOLTO A LEMBRAR – eu deveria ter visto no Cinemark com um ingresso pago por você! Quem não paga suas apostas não é homem!

    – E aí a gente chega a Nosso Lar. Gente, tá, o filme é ruim. Mas, olha, muito divertido. Eu adorei o pendrive do além e queria um pra mim. E eles têm luzinha na mão igual a Sookie, então é digno.

    – “Não vale citar Nine” O CARALHO! FILME RUIM DA PORRA! Vontade louca de matar uma vaca quando lembro dos minutos perdidos vendo saporra.

    OBS: “Abre a porta, Mariquinha?” PUTAQUEPARIU, queria ter pensado nisso pro meu post!

  7. Puxa vida, as críticas acerca do novo da Sofia Coppola só me fazem perder o tesão de assisi-lo. É quase unânime. Se bem que, você não gosta do “Encontros e Desencontros”, né?
    Ademais, Nosso Lar, de fato, é um porre.
    Adicionaria aí nessa lista, talvez, o Alice do Tim Burton. Existem piores, mas, o colocaria pelo hype criado.

  8. Apontar Bright tar como um dos piores filmes do ano… Você bebeu tudo ou deixou um pouco da garrafa pra mim? NÃO CONCORDO!!!!!!! E sobre “Nosso lar”, esse eu entendo a fúria: só gosta deste filme quem conhece o mínimo sobre o livro que lhe deu origem. caso contrário, é absurdo atrás de absurdo mesmo.
    E claro que falta Nine, aquela decepção colossal. =)

  9. O que eu mais gosto em vc, Jeff, é que vc ama tanto cinema que paga para ver High School Musical com a Wanessa ex-Camargo mesmo sabendo que não vai gostar, só por amor à sétima arte. hehehe :)

  10. Amei todas essas cenas longas aí que você odiou em Somewhere, inclusive essa do gesso, pra mim foi uma das mais significativas. Acho que o mérito da Sofia é justamente esse, o cinema dela é um cinema que mostra, não que fala, e você, e a maioria das pessoas, não tiveram paciência pra ver e ficaram irritadiços ao primeiro sinal de um plano mais longo. Recomendo Michael Bay pra vocês. E as músicas não tocaram inteiras, mais uma vez, você que estava muito impaciente e teve essa impressão, a cena que toca I’ll Try Anything Once não só acontecem coisas como é linda. Não é porque o filme não te tocou que é pretensioso ou pedante, acho que a Sofia faz um tipo de cinema muito pessoal e por isso não agrada muita gente, mas é um cinema honesto. Somewhere não é uma sucessão de cenas sem sentido como argumentou o felipe, as cenas fazem sentido e o filme faz sentido no que se propõe que é revelar esse ator cheio de déficits de humanidade e sua relações, ou falta delas. O filme revela muito da autora também, só que me parece que é preciso ter um certo tipo de sensibilidade que vem de uma identificação com as idéias que ela propõem pra conseguir ver o filme sem ficar incomodado com a “falta de acontecimentos”, é claro que ajuda também se a pessoa tiver interesse pelo cinema produtor de imagens – que dizem, ou não, coisas subjetivamente – e não só como contador de histórias. Enfim, Somewhere não é uma punheta cinematográfica, como já disse, me parece que foi feito com muita honestidade, só não foi feito pra todo mundo. Minhas únicas ressalvas mesmo são as idéias repetidas [coisa que nem é tão grave assim, vemos isso na cinematografia do fellini, por exemplo] e aquele final realmente bobo, como uma espécie de resolução totalmente desnecessária e reducionista. De resto acho o filme muito bem dirigido e satisfatório. Os três primeiros eu não vi e nem tenho muita vontade, exceto por Kaboom, que parece tão estranho que pode ser bom, hahaha. E diante da sua reação a Somewhere, um filme sensível e contemplativo [no bom sentido], fiquei tentado a ver Brilho de Uma Paixão que, pra você ter achado tão chato, deve ir na mesma direção, exceto pelo fato que filme de época não me cativam tanto quanto contemporâneos.

  11. Já que tu pega pesado comigo, vou te sacanear também. Coloco o Direito de Amar aí no lugar de Brilho de Uma Paixão (meu favorito de 2010). Ademais, faço coro (só não a respeito de Somewhere, que não acredito se tratar de um filme tão ruim).

    Abs!!!

  12. Coppolinha é um tédio só.
    Não consegui acabar de assistir o “Brilho de Uma Paixão”, nussenhora, que filme chato.
    “Nosso Lar” é quase um Telecurso 2000.

    Sendo assim, claro que concordo com a lista! haha

  13. Pois bem, como espírita, devo dizer que concordo com vc qto ao Nosso Lar. Não chego a dizer que foi o pior filme do ano, mas foi ruim demais. Gosto mto do livro e acho que foi um erro levá-lo ao cimea. Tanto é que, qdo falaram que iam fazer um filme sobre o livro, fiquei até surpresa, porque o livro em si é bastante didático, como fariam pra fazer um filme de ficção? Pois é, fizeram. E as lições mais bonitas do livro ficaram de fora – e outras, bem, obviamente tiveram aquele olhar superficial, né? Eu sinceramente espero que não façam filmes das outras obras da coleção.

    Adendo meio Off-Topic, mas como vc colocou no seu post:
    Sim, a gente morre e não descansa nunca [[quer dizer, vc tem a opção de ficar sem fazer nada, mas daí não ganha os tais créditos pra certas coisas]]. Mas conforme se lê no livro, depois de tanto trabalho, se vc realmente evoluir, vc começa a adorar mto o trabalho – porque vc gosta de se sentir útil e de ajudar os outros. E qdo vc ama trabalhar, ir trabalhar chega a ser mais gostoso do que ficar descansando. Bom, é isso que eu entendo dos livros espíritas que eu li (na verdade vai um pouco além, mas, né, acho que nem cabe ficar discutindo isso aqui).
    Ah! Sim, vc tem todo o direito de não acreditar no que eu falei, ou de achar que tá errado… enfim… é isso que tá no livro Nosso Lar e em outros… se vc acredita ou não, é interesse particular seu.

    Abs,


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