tops 2010 | 5 livros

Sem ordem de preferência, porque seria pedir demais da minha pessoa.

# Conversas com Woody Allen, de Eric Lax (e Woody Allen)

A coleção de entrevistas feita e organizada – por temas – por Eric Lax compreende desde o primeiro trabalho de Woody Allen até o lançamento e sucesso, que empolgou o cineasta, de Match Point. Allen discorre com detalhes os diversos níveis de criação de seus filmes e comenta sobre cada produção, afirmando suas predileções e ressalvas entre curiosidades e análises das obras. Aqui, sua vida pessoal – esse não parece ser o foco do livro – é sobreposta por uma agradável aula de cinema de um artista veterano ainda no auge de sua criação. Mesmo com quase 500 páginas, leria outras 500 sem hesitar.

# Angústia, de Graciliano Ramos

Arrisco-me a dizer, com medo de ser injusto, que neste ano nenhum outro livro me deu um prazer tão grande quanto Angústia – o que talvez soe irônico por conta do título. Mas foi daqueles que abrir o livro era uma das melhores coisas para se fazer no dia. Se Luís da Silva é um personagem memorável, é sobretudo pelas palavras com as quais Graciliano compõe sua narração, sempre incisiva e de um grau de intensidade que torna o leitor, sem opção, um cúmplice de sua passionalidade, amargura e obsessão.  Da primeira a última página – que encerra um único parágrafo disposto em 10 páginas -, uma obra-prima.

 

# A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

O imenso prazer que senti com Angústia, Clarice também me proporcionou, de maneira diferente. Difícil não sorrir com as palavras do narrador – que se tornavam ainda mais admiráveis por ser claramente a voz da autora -, sorrir de admiração por sua verdade, pelo receio de sua escrita e pelo modo como apresenta sua personagem. Macabéa, em sua simplicidade, é encantadora por si só, mas A Hora da Estrela vai muito além da história sobre uma nordestina: é justamente o ato de narrar – e o grau de envolvimento do autor com a narração – que torna o livro tão especial. Um dos meus preferidos de todo o sempre.

 

# O Espírito das Roupas, de Gilda de Mello e Souza

Com um atraso de 30 anos para sua publicação – na década de 50, quando foi escrito, a moda ainda era vista como frivolidade no meio acadêmico -, o extenso estudo da brasileira Gilda de Mello e Souza ultrapassa formas, cortes e tecidos, ainda que a roupa do século XIX, época focada pela autora, seja claramente analisada. A diferença de tal análise, porém, é a relação da moda com o comportamento da sociedade vigente, que Gilda discorre com clareza e profundidade, resultando num estudo antropológico e social primoroso enriquecido por imagens que facilitam a compreensão do leitor. Mudou minha vida, a acadêmica e a real.

 

# Imagens, de Ingmar Bergman

É um livro escrito pelo Bergman, isso já dispensaria justificativas. Imagens reúne depoimentos do sueco acerca de seus trabalhos, seja no teatro ou cinema – aliás, curioso como fala de sua relação com cada uma das artes -, análise de suas obras – algo muito relevante se tratando de Bergman – e detalhes de produções, mas nunca camuflando seus conflitos internos, dúvidas e inseguranças. É como se o Bergman estivesse na sua frente falando sobre seu trabalho e vida. Ou seja.

Menções honrosas | Equus, de Peter Shaffer | Pulp, de Charles Bukowski | Woyzeck, de Georg Büchner | Praticamente Inofensiva, de Douglas Adams | Caim, de José Saramago | A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector

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  1. Tu não classificou, mas todos[eu] sabemos que o livro do Bergaman é o top1! Preciso comprar esse livro, btw. Não sabia que esse do Allen era tão grande assim, e não sou tão interessado no Allen pra ler 500 páginas sobre ele por agora, confesso. Talvez quando tiver visto mais filmes dele. Não conhecia esse do Graciliano, mas como amo Vida Secas, fiquei com vontade de lê-lo, sinto falta de ler mais coisas brasileiras, to em falta com todos os grandes autores nacionais, inclusive com a Clarice. E assim, Bio da Judy e Casino Royale, posso desistir, né?

  2. Você pode parar de ouvir música e ficar só lendo livros… seria ótimo.
    Quero ler angústia, mesmo. E ‘imagens’ eu que te emprestei né? Mas não li não… =/

    Posso fazer meu top aqui tb? Gostei disso.
    [sem ordem de preferência, como vc]

    – Clarice, [Benjamin Moser]- Entrou pra lista dos melhores que já li na vida. Muito mais que uma biografia… e além disso, foi presente do meu blogueiro predileto.
    – O guia do mochileiro das galáxias [Douglas Adams]- meta pra 2011: ler a série inteira.
    – Platão e um ornitorrinco entram num bar [Thomas Cathcart & Daniel Klein] – algo que contenha piada e filosofia juntos merece citação.
    – Mulheres [Charles Bukowski] – mestre!
    – Cinefilô [Olivvier Pourriol] – algo que contenha Matrix, Highlander, Descartes e Spinosa juntos também merece citação

    • Robson, eu nunca li nada do Allen. #fail Vamos combinar então, você lê Clarice e eu, Woody Allen em 2011, fechou? xD []s!

      Matheus, HAHA não, baby, não é o top 1 não. Também não era MUITO apaixonado pelo Allen quando li o livro não, e também vi poucos filmes dele, mas mesmo assim foi ótimo, bom pra conhecer. Como disse, achei lindo você amar Vidas Secas, já tá na minha estante, já já lerei. HAHAHA, relaxa, vou ler sim – e tenho que ler Casino antes de você chegar!!! []s!

      Dariana, HAHAHAHA você é tão babaca. xD Praticamente Inofensiva quase entrou no top 5, gostei muito, como adoro toda a série – ou seja, tenha como prioridade ler o Guia em 2011, esquece esses textos e livros de monografia e tal, pura bobagem. Eu pretendo ler todos os outros 4, que não li. hehehe []s!

  3. Bela lista! Esse ano eu pude ler o “Lanterna Mágica” do Bergman e adorei. Procurarei o “Imagens”. Li e recomendo, também, “Fora de Órbita”, do Woody Allen. Uma reunião de mini-contos cômicos e muito bem escritos. A acidez no humor de Allen é algo bizarro de bom.

    E “Pulp” é um dos livros que mais tenho apreço ever. Se me permite, lhe recomendo o “Misto-Quente”, também do Bukowski.

    • Rodrigo, valeu! Sou DOIDO pra ler Lanterna Mágica, mas não achei – vi no seu blog que resenhou sobre ele, vou dar uma lida. Vou ler algo do Woody ano que vem, com certeza, não sei por que ainda não o fiz. Eu demorei para gostar de Pulp, mas quando ele foi ficando sem noção demais, eu simplesmente adorei. Já li Misto-quente, acho do caralho, meu preferido do Buk. []s!

  4. “É um livro escrito pelo Bergman, isso já dispensaria justificativas.” Quando fizer o top 5 frases mais pedantes, pense nessa com carinho, lekesson.

    Meu 2010 literário esteve abaixo do nível do vergonhoso.


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