filmes do #festivaldorio

Mais uma edição do Festival do Rio chega ao fim – chegou há uns dias, é verdade – e mais uma vez fui incapaz de dar a atenção desejada aos filmes assistidos  – e assim será até uma coisa chamada faculdade fazer parte da minha vida. Por conta disso, é conveniente um comentário breve, muito breve, acerca dos poucos 16 filmes assistidos ao longo dessas duas semanas – o número seria maior se uma forte gripe não me deixasse de cama durante dois dias.

Até ano que vem!

1. O Universo de Keith Haring [The Universe of Keith Haring, de Chistina Clausen / 2008] 
“[…] Keith tem sua trajetória artística e vida – incluindo, claro, sua forte amizade com Warhol e Madonna – retratadas neste eficiente documentário, que talvez só peque pelo anúncio cafona de cada entrevistado.” + comentário completo | nota 8

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2. Picasso & Braque Vão ao Cinema [Picasso & Braque Go To The Movies, de Arne Glimcher/2008]
“[…] uma análise sobre como esses artistas, diante de uma nova e revolucionária ferramenta, capaz de registrar a passagem do tempo e a explosão de movimentos, também incitaram, pela pintura, uma nova forma de ver o mundo.” + comentário completo | nota 8

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3. A Woman, A Gun and a Noodle Shop [San qiang pai an jing qi, de Zhang Yimou / 2009]
Nem era preciso os créditos iniciais informarem que o novo filme de Zhang Yimou se baseia numa obra dos Irmãos Coen, algo claro à medida que uma série de acontecimentos é ocasionada por conta de uma simples atitude de determinada personagem. E essa espécie de homenagem funciona e resulta num filme diferente do diretor, que nunca negligencia o apuro visual de suas obras. | nota 7

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4. Amores Imaginários [Les amours imaginaires, de Xavier Dolan / 2010]
Do diretor bonitinho de Eu Matei Minha Mãe, conferido na edição anterior do Festival, o filme deste ano, infelizmente, fica um pouco abaixo do trabalho de estreia de Xavier. Revelando um deslumbre em excesso com os recursos que o diretor tem em mãos – a repetição de seus maneirismos, que sempre funcionam num primeiro momento, torna-se exaustiva – e com escolhas de direção e roteiro bastante questionáveis – como por exemplo a inserção de uma série de entrevistas que não só peca pela falta de coerência com o resto do filme mas também pela condução falha -, Amores Imaginários sobrevive com esforço até o fim da sessão. Ao menos tem a participação ligeira do queridinho do blog Louis Garrel. | nota 6

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5. Minhas Mães e Meu Pai [The Kids Are All Right, de Lisa Cholodenko / 2010]
Impressão imediata ao fim da sessão: Annette Bening é a melhor coisa do filme e merece algum prêmio por esse papel – fato que não diminui o excelente trabalho de Moore e Ruffalo. A sensação é de plena satisfação com essa comédia dramática, capaz de inserir com facilidade o espectador nos conflitos de uma família durante os agradáveis e engraçados minutos do longa. Direção precisa e roteiro que aborda uma questão delicada [e se os filhos de um casal gay feminino quiserem conhecer o doador do sêmen?] com descontração e naturalidade. | nota 8,5

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6. Kaboom [de Gregg Araki, 2010]
“[…] não vale a pena discorrer sobre o tratamento dado ao desenvolvimento da história, já que pelo visto o único objetivo do roteiro, também assinado por Araki, é alcançar o cúmulo do nonsense. Isso ele consegue, só resta o público também embarcar nessa viagem. Eu não embarquei, fiquei puto e quero meu dinheiro de volta.” + comentário completo | nota 1,5

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7. A Empregada [Hanyo, de  Im Sang-Soo / 2010]
Ótimo exemplo de como uma direção é capaz de transformar um simples – ou ruim? – roteiro num filme, no mínimo, sofisticado. Porque se você já assistiu ou apenas viu o anúncio de alguma novela da Globo, o plot de A Empregada lhe soará familiar – empregada doméstica engravida de patrão rico e casado. Porém, o diretor cria um filme estilizado e de forte apuro estético, repleto de planos elaborados e direção de arte luxuosa. Só aquele final que até agora não me desceu. | nota 7

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8. Elvis & Madona [de Marcelo Laffitte, 2010]
“Extremamente divertido, repleto de jargões hilários […] e com um leque de personagens que ajudam a compor o universo do longa, Elvis & Madona é uma pérola entre a produção atual do cinema brasileiro.” + comentário completo | nota 8,5

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9. O Louco Amor de Yves Saint Laurent [L’amour fou, de Pierre Thoretton / 2010]
Apesar do ritmo lento e de se prolongar por demais em algumas situações, esse documentário é  obrigatório para quem quer conhecer, através do próprio companheiro do estilista – e essa opção é o que torna a produção especial e diferente -, detalhes sobre a vida e carreira de Yves Saint Laurent. | nota 7

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10. O Homem do Lado [El Hombre de al Lado, de Mariano Cohn e Gastón Duprat / 2009]
A sinopse prometia um filme interessante, mas o resultado é de puro tédio. Com fotografia premiada em Sundance, a qual nada tem de interessante, O Homem do Lado poderia revelar uma curiosa simplicidade ao lidar com problemáticas contemporâneas, mas apesar do bom desfecho, tudo é prosaico demais. | nota 5

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11. Machete [de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis / 2010]
Como o falso trailer em Grindhouse anunciava, Machete é um trabalho ideal para um diretor como Robert Rodriguez, que dessa vez se diverte e diverte o público sem pesar a mão como em Planeta Terror. Filme de macho, divertido pra caralho – só a cena do hospital já valeria a sessão -, tem o modo mais gratuito e mirabolante de captar a nudez de uma atriz e Danny Trejo criou um ícone. | nota 8,5

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12. O Cupido [Pa’am ha’yi’ti, de Avi Nesher / 2010]
Comédia dramática israelense muito agradável, mas caso um pouco mais curta proporcionaria uma experiência ainda melhor. Encabeçada por um pequeno protagonista adorável [Tuval Shafir], apresenta uma série de personagens bem definidos e carismáticos, a qual devido ao elenco homogeneamente competente, torna-se a maior qualidade do filme. | nota 7

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13. Ano Bissexto [Año bisiesto, de Michael Rowe / 2010]
Uma narrativa construída com precisão e coerência com a personagem principal,  vivida com entrega e coragem pela atriz Monica del Carmen, resulta num filme que se sustenta apesar do ritmo lento e silêncio predominante – e os planos estáticos, também bastante propícios, lembraram Gaspar Noé. Tem um erro lamentável de continuidade, mas nada que ameniza o resultado desconcertante. | nota 7

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14. Somewhere [de Sofia Coppola / 2010]
O filme, a cada cena apresentada, se identifica como uma nova “versão” de Encontros e Desencontros – e como esse último não me agrada, percebia que  minhas impressões quanto ao novo longa de Sofia seguiam pelo mesmo caminho de desgosto. Mesmo compondo uma narração a favor do estado de seu protagonista, o que resulta em algumas cenas um tanto notáveis, sobretudo quando se relacionam entre si, Somewhere me parece fácil e óbvio na maior parte do tempo, seja quanto às opções de direção, seja quanto a história – inclusive o desfecho, quase infantil. | nota 6,5

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15. O Garoto de Liverpool [Nowhere Boy, de Sam Taylor-Wood / 2009]
Não sei em que mundo Aaron Johnson parece com John Lennon, mas, diferenças à parte, o ator absurdamente gostoso correspondente às necessidades de seu personagem e, como mostraria posteriormente em Kick-Ass, é capaz de encabeçar um projeto – apesar que não seria problema nenhum Kristin Scott Thomas aparecer em todas as cenas também. Ainda que tecnicamente competente, o filme é um drama familiar do mais convencional, e o próprio garoto de Liverpool acaba se resumindo a pouca coisa. | nota 6,5

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16. Lope [de Andrucha Waddington / 2010]
Lope une direção de arte, figurinos, locações e trilha sonora admiráveis a uma narração envolvente e, excetuando pequenas ressalvas, bem orquestrada pelo brasileiro Andrucha Waddington. A belezinha do Alberto Ammann como o personagem-título deixa tudo mais agradável nesse filme que já valeria a sessão pela novidade de sua história. | nota 7,5

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  1. Pingback: Tweets that mention filmes do #festivaldorio « receio de remorso -- Topsy.com

  2. Ooo coisa boa! Assistiu a muitos filmes bacanas, minha ‘maior espera’ está sendo por “Minhas mães e meu pai”, que deve ser mesmo um ótimo filme. E agora lendo teu big post, deu vontade de ver ‘A Empregada’ !!

    Abs. =)

  3. Pô, conseguiu ver bastante coisa até. Se eu fosse carioca com tempo sobrando, certamente teria a mesma lista de filmes conferidos. Quero muito assistir ao filme da Coppola, assim como o novo experimento de Gregg Araki.

  4. Tudo bem que o festival do rio tem filme pra cacete, mas 16 filmes foi muita coisa, rapaz. “Poucos” foi sacanagem da sua parte, haha. Vou favoritar esse post pra lembrar das coisas que fiquei querendo muito ver, tipo esse doc do Picasso e o filme que tu odiou, quero muito ver! xD E gente, achei que tu tinha gostado mais do Garoto de Liverpool =/ dei uma leve desanimada, e pra mim a escolha do ator foi equivocada, mas preciso ver o filme, néam. Tem dois que quero muito ver da lista também, pela controvésia, the kids are all right e somewhere, mas somewhere só depois que ver os que faltam da Sofia. Ah, tem esse Homem do Lado também, já que o Felipe achou maravilhoso e você, nhé, rs. Lope e Machete devo ver de qualquer jeito, eventualmente, e Amores Imaginários vai ser aquele que vou ficar eternamente curioso pra ver e não verei tão cedo, como sempre.


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