the big gay musical [dir.: casper andreas e fred m. caruso, 2009]

“Senhoras e senhores, bem-vindos à pré-estreia de ‘Adam e Steve – Tal e Qual Deus os Fez’. Antes de o espetáculo começar, necessitamos informar que o show foi classificado como ‘flamejante’ pela Coligação de Cristãos. Mas isso não significa que seja sobre homossexuais. Significa apenas que se gostar deste show, vai acabar ardendo no inferno bem ao nosso lado.”

The Big Gay Musical, como o título sugere, não é apenas um filme sobre gays. É um filme para gays e completamente gay. Como já a primeira cena evidencia isso de forma bem clara [um rapaz, entediado com a peça sem graça que assiste, levanta-se da plateia do teatro e, afetadíssimo, extravasa sua necessidade de assistir um “grande musical gay”], juntamente com sua intenção de utilizar todos os arquétipos e [supostas] características de tal nicho, talvez não seja um demérito do filme seu foco restrito de público, porém, inevitavelmente, acaba comprometendo sua qualidade. O problema é que, até se você for gay, o filme  ainda tem grandes chances de soar de grande mau gosto e nada mais prestar além do elenco ultramotherfuckerhot.

Irônico um filme como esse ser preconceituoso, mas The Big Gay Musical está repleto de generalizações – que muito me incomodam – acerca dos homossexuais. O roteiro, de Fred M. Caruso, divide os gays em “putas” [essa é mesmo a palavra que o filme se utiliza] e amorosos, sem meio termos: ou o personagem pega todos, tem perfil em site de relacionamento gay e só quer saber de sexo casual, ou está em busca do príncipe encantado. O pior é que apenas um personagem faz parte do segundo grupo! Ok, mais tarde, o outro protagonista se junta ao até então unitário grupo, mas isso porque era virgem e, após beber todas e fazer strip num balcão de boate, transou com um rapaz que após o sexo não mais o telefonou. E se você está se perguntando de qual mundo o roteirista tirou um personagem como esse [ator, gay, mora em Nova Iorque longe dos pais, que dança de cueca na boate e é virgem!], saiba que estou com a mesma interrogação.

E as caricaturas continuam, a ponto de  tornar piada, por exemplo, um passivo ter transado com outro passivo, ou incluir cenas numa sauna gay apenas para utilizar o famoso cenário ou ainda um rapaz interromper sua musculação para dançar a música pop que tocava em seu fone de ouvido. Se não bastasse, o longa amontoa todos os possíveis clichês de produções com essa temática. Até a Aids é tratada de forma gratuita, do mesmo modo que a aceitação da família e qualquer outro discurso de igualdade soa sempre panfletário devido aos diálogos de discurso fácil e redundante.

O diferencial do filme, porém, é que todas essas subtramas de péssimo desenvolvimento e execução são vividas paralelamente pelos atores de um musical gay da off-Broadway chamado Adam e Steve – Tal e Qual Deus o Fez, o qual recria a história da criação da humanidade por Deus, que entristecido com o erro de Eva em comer a maçã, tenta novamente através de um casal homossexual. O musical, uma produção tosca e amadora, de coreografia nada inspirada e fracos cantores, é carregado de críticas à intolerância religiosa, no tom ácido e direto da citação no início desse post, valorizado pelo presença de fanáticos cristãos e seus tratamentos de “cura”. E excetuando certa exagero, mesmo que soe proposital, o filme alcança momentos menos vergonhosos, sobretudo na encenação do último ato do musical – quando também, finalmente, uma piada do filme funciona, uma referência hilária a Dreamgirls.

Conclusão: a falta de figurino do elenco não compensa.

nota | 1,5

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  1. Pingback: Tweets that mention the big gay musical [dir.: casper andreas e fred m. caruso, 2009] « receio de remorso -- Topsy.com

  2. Não conhecia esta “pérola” e prefiro continuar assim. Fala sério, é um filme que degrada os hmossexuais, em vez de ser um filme para os homossexuais é apenas um filme que faz piada com eles….Muito chato isso.
    Falo isso, pois vi um filme parecido esses dias, era um tal de “Another Gay Movie”, um filme no mesmo “naipe” e completamente desnecessário!

    Abs.

  3. Não verei esse aí porque sou homofóbico, hahaha. brinks, of course, mas esse tipo de gayzice além até da realidade me dá um pouco de medo mesmo, ou seria só desprezo mesmo? Enfim, essa sua sentença define tudo “Conclusão: a falta de figurino do elenco não compensa.”, ri muito. O trailer me pareceu extremamente constrangedor, não pela exploração dos corpos, mas pelo nível geral de tudo mesmo, a impressão que eu tenho quando vejo essas produções é que elas são criadas por alguma divisão de “ficção” de produtoras pornô, porque é algo muito tosco, em todos os aspectos tudo é muito baixo, e a única coisa que realmente ressalta são os corpos. A outra impressão que eu tenho é que os filmes são feitos por héteros com uma visão esteriotipada do mundo gay, provavelmente não são, mas no final das contas o que sai é exatamente isso. E por fim, parece que há uma idéia de que os gays, ou ao menos os gays fúteis, são muito mais burros do que qualquer hétero jamais será, porque mesmo filmes muito bestas, mas sem temáticas gay, chegam a ser tão pobres e rasos como esses besterois gays que deram pra pipocar por aí. Talvez pensem que a necessidade de “representação” do público supere qualquer coisa.


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