ano 2

Hoje nascia Ingmar Bergman, um dos diretores favoritos deste blog. E, que incrível, ele é canceriano como eu. Pensando bem, não é de se estranhar. Ao ler Imagens, livro em que relata o processo de criação de muitos de seus filmes, sem deixar de falar, obviamente, sobre si mesmo, sem receio,  com profunda intensidade e sinceridade – e seus relatos aparentava, vez ou outra, não fazer total sentido para quem lê, mas apenas a si mesmo -, parecia que em diversas passagens o cineasta falava sobre mim. Era como uma conversa entre dois desconhecidos sobre um assunto em comum. Em relação a seus filmes, mesmo sem ter visto metade de sua filmografia, o quanto assisti pode exemplificar o potencial do cinema em atingir alguém.

E vem desse contato entre mim e um filme a necessidade de manter este blog, que, também hoje, completa mais um ano de existência. Tem momentos que me pergunto por que decidi escrever sobre cinema, ou melhor, comentar sobre filmes – essa última expressão combina melhor com a realidade -, indagação acompanhada da possibilidade de excluir esse endereço. Ocorre um questionamento iminente ao ato de publicar sua opinião, que é a relevância para quem, não importa o caminho, chega até ela. Porque, veja bem, você está ocupando um endereço na web para simplesmente dizer o que acha do mundo! Ou de um filme. E se a questão é blog de cinema, você é como uma estrelinha com pouca intensidade na imensidão do universo. Dê uma passeada no blogroll ali do lado. Ele te levará a muitos blogs de cinema, que te levarão a outros blogs de cinema, os quais, por sua vez, te levarão a muitos outros blogs de cinema, e assim vai.

Então por que diabos tento fazer o receio de remorso sobreviver? Aliás, como disse no post de ano 1, fazer um blog sobreviver não é fácil. O que sente quando visita alguma página pessoal e tem um post em fevereiro, outro em março, outro em outubro, outro em dezembro? Eu sinto vontade de não voltar mais lá, porque seu autor não parece ter muito o que dizer, e se ele não faz questão de dizer, eu também posso fazer questão de não ouvir. Blog para mim é como tamagoshi, precisa se alimentar senão passa fome, tomar banho para ficar limpo e mudar o visual de vez em quando, ficar animado e divertir as pessoas… Quando eu ficava muito tempo sem mexer no meu tamagoshi – eu gostava muito dele, aliás -, ele ficava fedido, triste, magro, não crescia. Mesmo criança, eu sabia que ele era apenas um monte de pontinhos numa tela pequena, e se ele morresse, sua morte não seria de fato uma morte porque ele nunca teve vida, mas não importava, a graça era justamente ignorar a frivolidade do brinquedo e cuidar como se fosse algo importante.

Mas neste caso, há um outro fator que mantém esse carinho e necessidade de preservar o blog. É o prazer de compartilhar o bom cinema. Afinal, se falo de algum filme realmente ruim, é mais para me divertir do que necessariamente comentar seus defeitos. Da mesma forma que uma obra de qualidade me impulsa a comentá-la sempre com forte cunho pessoal, sem querer inibir minhas sensações e impressões, porque para uma página pessoal, comentários impessoais não fazem sentido. E não importa – ou importa – que alguém venha reclamar que a resenha precisava estar melhor desenvolvida e não entende que em dois parágrafos é impossível analisar um filme como se deve – e, sobretudo, pensa que minha intenção é essa -, o melhor já foi feito: da minha parte, escrever, e de quem se propõe a comentar, compartilhar suas próprias opiniões.

Já o receio acontece em momentos como o de agora, quando chego no quinto parágrafo de um post e me pergunto se alguém conseguiu chegar até aqui. Nota-se que me falta autoconfiança e tudo o mais para pensar isso, mas enfim, esse não é o assunto da vez. Mas me sinto feliz que, sim!, há pessoas que chegam até aqui e leriam mais se mais tivesse a ser dito – e poderia, mas eu preciso parar porque trabalhos me esperam e eu já me alonguei demais e fica chato. Então eu quero agradecer muito a quem não deixa de comentar – há quem nunca deixou de comentar um post se quer, né verdade? -, a quem não deixa de ler, ou há quem, sei lá, não tem a menor paciência para ler uma frase desse blog e acha que eu só falo merda e escrevo mal, mas entra aqui para se certificar disso e acaba contabilizando mais uma visita para o blog. Muito, muito obrigado.

Parabéns, receio. Parabéns, Bergman, onde quer que você esteja. E enquanto houver cinema de qualidade – não como o de Bergman, já que não há quem chegue perto -, assunto não vai faltar. Até ano que vem.

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    • Alexsandro, mas é dia 14, zé! Obrigado pelos parabéns e pela atenção, querido. =) []s!

      Dari, hahahaha você é tão suspeita, mas obrigado, amor. []s!

  1. Renovado por mais um ano meu contrato de fã.
    xD

    Parabéns, zé!
    Vida longa ao receio que é um blog e tanto, a você que é uma gracinha e ao Bergman, dentro de nós.

    beijos

  2. “O que sente quando visita alguma página pessoal e tem um post em fevereiro, outro em março, outro em outubro, outro em dezembro? Eu sinto vontade de não voltar mais lá, porque seu autor não parece ter muito o que dizer, e se ele não faz questão de dizer, eu também posso fazer questão de não ouvir.” OUCH PRA MIM! Vou ver se aprendo.

    Mas enfim, parabéns ao vosso blog.

    (Não desejarei parabéns ao Bergman. Primeiro porque ele já morreu e seria creepy. E segundo porque todo dia devia ser dia do Bergman)

  3. 2 anos já??? Parece que foi ontem que conheci seu blog, hehe. Enfim, parabéns, não só por esse momento especial para o Receio de Remorso, como pelo belo texto!

    • Felipe, hahaha concordo. Valeu, cara! E pelo visto tá aprendendo né? xD []s!

      Cleber, obrigado! =) []s!

      Vinícius, hehe também achei, cara. Parece que foi ontem que fiz o post de um ano. E obrigado por contribuir com isso. []s!

      Cassiano, também acho. hehe Obrigado pela visita e pelo parabéns. []s!

  4. Gente, mais um ano! Que feliz, o Receio sobreviveu!! Lembro de você hesitando sobre o futuro do blog há um ano, e parece que foi ontem, que bom que continuou, baby, continuo te admirando e te invejando por conseguir manter um blog assim, haha. Parabéns!!! E não sabia que era do mesmo dia do Bergman =O Ou sabia e tinha esquecido, né? #alzheimer, mas que coisa fantástica! Não pode deixar o Receio morrer nunca, seria uma segunda morte para o Bergman #drama #exagero, mas assim, ele ficaria desapontado. E ah, uma coisa que quase não comento, adorei o post de aniversário ser temático do Bergman, mas assim, novamente, invejinha de tu ter lido Imagens, sabe, pequena só, e de você ser do mesmo signo desse gênio[isso nem importo muito, porque tenho o ascendente em cancer, rs]. Agora, o Bergman tinha que ser o diretor preferido do blog, né? palhaçada isso, ele que deveria tá no layout, não mrs. Robinson, humpf. Assim como o Felipe, senti que alguns trechos de seu texto foram pra mim, haha. E não é que eu não tenha o que dizer, é falta de disciplina mesmo, admiro muito quem tem, como você. Enfim, o meu completa um ano no fim do ano, com posts muito mais escassos do que os da sua citação, e tá decidido, ou eu começo a postar regularmente, ou fecho aquela bagaça! xD Mas enfim, again, Parabéns ao Receio! Parabéns a você! Parabéns ao Bergman!!! [todo dia tinha que ser bergman day mesmo, mas nunca se deve perder a oportunidade de dar os parabéns a ele]

  5. Matheus, hahaha ri muito com seus exageros. E seu ascendente é cancer?! não sabia! o meu também! Ah, o Ben é tudo! Foi meu primeiro tema do blog, quando ele ainda era blogspot. Por o Bergman ia parecer muito cult também. E gente cult ou pseudo-cult me dá nervoso. Obrigado! =D E tome vergonha na cara e vá escrever no seu. xD []s!

  6. Pingback: stanley kubrick * 26/07/1928 « receio de remorso


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