em meio a tudo… toy story 3.

Estou repleto de coisas a serem feitas – o que tem sido o motivo do retardamento das atualizações aqui no blog – e não cabe dizer o que e quantas são devido a falta de interesse que esse assunto poderia proporcionar. Mas são muitas, de vasta importância acadêmica e profissional. E só falo isso para justificar ainda mais minha necessidade de escrever, mesmo que brevemente e sem compromisso com formalidade, sobre um filme que caiu como um bálsamo, proporcionando uma das experiências mais agradáveis que alguém pode ter numa sala de cinema – ainda que o óculos 3D continue dando dor de cabeça. Provavelmente pelo fato ser criança, quando Toy Story 2 chegou ao fim, numa sessão do primeiro dia de janeiro de 2000 – e me lembro com exatidão do shopping vazio por conta do feriado -, nem sequer passou pela minha cabeça uma certa pergunta, fundamental por se tratar do rumo de personagens muito queridos, apresentados inicialmente noutra sessão de cinema em 1995 e revistos inúmeras vezes no VHS do filme. A questão: para onde iriam os brinquedos quando o Andy crescesse?

Andy é ainda um pouco mais novo que eu, está com 17 anos e precisa ir para a faculdade. E bem, nessa época da vida, ninguém pensa mais em brinquedos. O engraçado é que, quando assisti Toy Story pela primeira vez, também era uma criança como o personagem, e se poderia entender seu carinho e cuidado com Woody e Buzz, o quarto decorado com tema dos bonecos e a necessidade de levá-los a todos os lugares onde fosse, também posso, agora, compreender que o tempo de se desfazer dos brinquedos chegou e, sobretudo, o quão difícil poderá ser esse processo. Pois pequenas coisas, brinquedos ou não, constituem o nosso passado e podem sintetizar nossa infância. Colocá-las numa caixa, para acomodar no sótão ou entregar numa creche, é como encaixotar também esses momentos, delimitar uma fase especial de um amadurecimento necessário. Desta forma, Toy Story 3 se torna imensamente significativo, não só para quem acompanhou a infância de Andy, mas para o próprio personagem.

O filme inicia salientando a importância desse momento para Andy, relembrando a infância que tivera com os brinquedos – valorizada por uma imaginação que também é sufocada pela maturidade iminente – de maneira não apenas muito bonita e tocante, mas inteligente do ponto de vista narrativo, aspecto em que a Pixar ainda é capaz de surpreender. E fundamentado nessas questões, Toy Story 3 desenvolve uma aventura que se supera em sequências bem elaboradas, as quais, quando o espectador acredita não haver mais solução, ela se dá de maneira plausível e divertida. Aliás, este é provavelmente o filme mais divertido da série e talvez não haja um momento que falha nesse aspecto – inclusive nos créditos finais, há umas das cenas mais engraçadas de todo o longa. Deve-se muito a isso a presença de um ambíguo Ken e novos personagens que, além de fundamentais para o desenvolvimento narrativo, são, igualmente com os já conhecidos, sempre bem explorados.

E mesmo que muito divertido, tudo pode terminar em lágrimas, num desfecho lindo, que faz jus à qualidade dos filmes anteriores e a tudo que Woody, Buzz e todos os outros brinquedos, e seu dono, representam para nós.

nota | 9

Nota 1: Fiz questão de assistir ao filme dublado pelo simples motivo de ter gostado dos longas anteriores assistindo-os dessa maneira – e aqueles personagens não falam, para mim, outra língua que não seja o português. Mais uma vez, a dublagem brasileira foi excelente. Mas com duas  graves ressalvas: 1) numa determinada cena, um brinquedo diz que poderia estar numa cafeteria em Osasco! [determinação geográfica desnecessária], e 2) “We Belong Together”, a excelente nova música do filme que toca nos créditos finais, ganhou uma versão bastante ruim, quanto à letra e ao intérprete. Quem assistiu dublado, não deixe de ouvir a versão original na voz do próprio Randy Newman.

Nota 2: Sempre achei o Rex um personagem a-fe-ta-dís-si-mo, e por isso mesmo é um dos meus preferidos. E ainda que haja uma certa brincadeira nessa minha opinião – claro que não acredito ser a intenção dos criadores  pôr em cheque sexualidade de um brinquedo! -, nesta sequência tirei minha conclusão. Além de comemorar com bastante afetação o Andy ter encostado nele, Rex faz, animado, o seguinte comentário ao avistar a porta de entrada da creche: “Olha, tem um arco-íris! Será divertido!”. Gargalhei no cinema – e curiosamente, não fui só eu.

Anúncios

  1. Cafeteria em Osasco é Chaves-feelings. Vamos passar as férias em Guarujá, etc. E a dublagem brasileira é ótima, Guilherme Briggs é genial, etc. Mas revi os dois primeiros esses mês no original, e é lindo também. Vários atores de sitcom, TOM HANKS, e tals.

    Quando o Andy SPOILER resolve brincar com a menininha no final, eu quase tive um troço. Chorei de soluçar. Só posso assistir o filme com a namorada, qualquer outra pessoa e vou passar vergonha.

    • Cavalca, hahahahaha, também lembrei de Guarujá na hora. E foi nessa hora que eu comecei a chorar sem parar, tive que tirar o óculos para limpar o rosto. E acho que era o único da sala. hehe [Vou ‘negritar’ esse avise de spoiler no seu comentário, ok?] []s e valeu pela visita!

  2. Pingback: Tweets that mention em meio a tudo, toy story 3. « receio de remorso -- Topsy.com

  3. SIMPLESMENTE ÚNICO!

    Saí emocionado e contagiado pelo ritmo, roteiro e produção do filme – como pôde ser tão perfeitinho? sim, Toy Story 3 consegue ser mais criativo e mais humano que os dois primeiros, sem dúvida coloca no chinelo as chatices repetitivas de Shrek e é mais digno, prazeroso e mais legal que outras animações por aí.

    Achei muito bom mesmo a maneira como coloca a questão dos brinquedos – buscam, mais que tudo, o afeto dos humanos; querem atenção e não querem ser esquecidos jamais pelos seus donos – estes, inevitavelmente, crescem e tem que lidar com escolhas também.

    O roteiro é muito bem dosado – é mais ousado na parte de delinear detalhes da vida e motivação do urso roxo…da forma como recria os diálogos e entrosamento de Woody e cia; da maneira como toca em nós nas cenas finais de Andy despedindo-se dos brinquedos…na maneira como a ação se desenrola com o humor…nunca ri tanto e, confesso aqui, que chorei no final…me arrepiei sim…e saí apaixonado!

    Fiquei feliz mesmo! Toy Story fez parte de minha infancia, e pelo visto será definitivo pra toda vida!

    Abraços

  4. De início nem estava tão ansioso assim, mas após tantos comentários positivos realmente a expectativa está cada vez maior. Quero chorar também, rsrsrs.

  5. Jeff, eu também preferi assistir dublado, nas duas vezes que vi. As vozes brasileiras deste filme fazem parte do meu imaginário de criança, então foi bem melhor desta forma.
    E talvez tenha sido sim, a intenção de construir a personalidade do Rex desta maneira, porque mensagem subliminar e pelas entrelinhas é o que mais tem nos filmes Disney e isso pode ter influenciado um pouquinho os filmes Pixar…
    Abs!

  6. Nossa, talvez esse filme foi o que mais agradou em 2010 até agora. Todos parecem ter se surpreendido com a qualidade do fechamento e com a esperança de novos rumos (mesmo que isso não pareça algo para os próximos anos). Ainda não assistir, mas é – sem dúvidas – um filme que cresceu bastante com o tempo.

  7. Maravilhoso! Incrível como o Toy Story consegue se manter impecável…
    Minha sobrinha disse que esse é o melhor, mas eu não consigo escolher.
    E o Rex é meu personagem preferido! Parem de conjecturar sobre a vida pessoal dele!

  8. Pare já de ver o lado gay das coisas! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Morri de rir com isso do Rex agora, meldels. Olharei o personagem de outro ângulo agora.

    Enfim, adorei esse Toy Story, especialmente a cena que Andy apresenta os bonecos para a menina. Muito lindo. A Pixar está mais uma vez de parabéns e superou todas as minhas expectativas. Achava que o filme seria muito comercial e não foi. E adorei a nova canção, tanto original quanto a versão brasileira.

  9. Gente, tu deve ter algum problema de vista, ou os óculos daí do Rio devem ser diferentes dos daqui, não pode ser tudo viadagem… não sinto nenhum desconforto vendo filmes 3D, muito menos dor de cabeça, nem Avatar, com suas 3 horas, me incomodou. Só é chato mesmo ficar com os óculos. Enfim. Primeiramente: notas iguais! Jurava que tu tinha dado uma nota maior, achei que ia até implicar com o meu 9. Vi o filme depois de Shrek Para Sempre, então assim, foi como ir da água pro vinho, de um filme que não acrescenta nada a uma franquia, e não tem razão nenhuma de ser[parece um especial de tv], para outro que fecha uma franquia de forma magnífica, e mais importante, com um timing perfeito! Acho que não tinha época melhor pra lançar esse filme que por agora. E ainda mantendo a comparação chata com Shrek, alguns momentos dele me divertiu, mas não me fez sentir mais nada, Toy Story me divertiu quase que o tempo todo e me fez sentir uma porção de coisas, ainda é incrível ver como a pixar consegue fazer filmes infantis com essa maturidade. Me emocionei, mas não chorei, curioso isso, porque é fácil me fazer chorar, mas assim, ao contrário de você, eu vi dublado por falta de escolha mesmo, e defendo até o fim da vida que o que me impediu de me emocionar mais foi o sotaque de paulista do Andy! haha. E a “cafeteria em Osasco” foi de fazer rolar os olhos pela falta de sentido, mas isso é o de menos. Eu até não me importo muito com animações dubladas, o problema maior pra mim é mesmo as traduções das músicas, parece sempre que as versões brasileiras são muito mequetrefes, e eu fico com aquela sensação de tá recebendo algo pior por não tá ouvindo as versões originais. E sobre o Rex, não é que você esteja vendo o lado gay das coisas, como sugere o alex, o personagem é mesmo, visivelmente, afetado, e foi o que mais fez as pessoas rirem na sala com seus “ataques”, junto com a metrosexualidade excessiva do Ken, claro. E eu acho sim que, mesmo que comicamente, os criadores tiveram a intenção de colocar em xeque a sexualidade do brinquedo, isso fica claríssimo na cena do arco-íris, e quase todos na sala em que eu estava riram alto nesse momento, inclusive eu e o Wally xD.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s