across the universe [dir.: julie taymor, 2007]

Após duas horas e dez minutos de filme, que não são pouca coisa mas avançam sem causar tédio, nota-se que a força de Across the Universe está principalmente nas canções. Dos Beatles. Não que o resto possa ser ignorado, mas se o longa está repleto de ressalvas, as músicas conseguem manter o interesse e a boa experiência quando as coisas desandam. O roteiro insere o romance de Jude e Lucy [que nomes inspirados, não?] no contexto sociopolítico dos anos 60 dos EUA, isto é, sexo, drogas, rock ‘n’ roll e guerra do Vietnã. E seria só uma história de amor bonitinha se Lucy não fosse uma menina engajada nas causas ideológicas da juventude de seu país. O roteiro sabe lidar com essas duas vertentes, equilibrando as duas facetas do filme sem tender demasiado para um único lado. Porém, o desfecho, por mais emoção que passe – e “All You Need is Love” sendo cantada em cima de um prédio contribui bastante -, soa corriqueiro. E é incompreensível o final forçado e apressado já que o roteiro insiste na longa sequência do Dr. Robert, do tal Mr. Kite e toda aquela viagem alucinógena que nada acrescenta à narrativa e é dispensável para contextualizar a época, acarretando apenas numa brusca queda de ritmo.

Sequência como essa ressalta outros dois aspectos do filme. O primeiro é positivo: Julie Taymor busca boas imagens, e consegue, unindo figurino, direção de arte, efeitos visuais, fotografia – que compõe quadros dos mais coloridos ao mais frio, sempre a favor da cena – em sequências musicais inspiradíssimas. O segundo ponto é o desejo de inserir  músicas dos Beatles o máximo possível, as quais nem sempre fluem naturalmente. Se por um lado, canções como “If I Fell”, “All My Loving”, “Hey Jude” – ainda que esperada -, “Girl”, “Revolution”, “Something” fazem suspeitar da banda britânica ter idealizado a história do filme ao compô-las, tamanha a conveniência com que são entoadas ao longo da narrativa, por outro, a presença da personagem Prudence, por exemplo, não se justifica e aparenta ser apenas um motivo para a música “Dear Prudence” ser incluída na trilha – o mesmo vale para Mr. Kite e a composição “Being For The Benefit Of Mr. Kite!”. Os problemas de Across The Universe, porém, se tornam pequenos diante a beleza e dor sentida em “Let it Be” ou o contexto criativo no qual  “Come Together” e “I Want You” são inseridas. A proposta de fazer um longa com músicas dos Beatles, então, foi cumprida, com êxito.

nota | 8

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  1. O que me impediu um pouco de apreciar tanto esse filme foi o simples fato de construir sua trama toda em cima das músicas dos Beatles, e não o contrário. O resultado é superficial, mas Taymor consegue manter o interesse e as versões são satisfatórias.

  2. Pingback: across the universe [dir.: julie taymor, 2007] | rssBrasil.com

  3. eu concordo contigo (mesmo sabendo que somos poucos). acho que a idéia de tirar das músicas dos Beatles o roteiro, e não o inverso, foi uma coisa difícil, mas que – para mim – deu muito certo. algumas cenas foram revistas para captar com detalhes toda a beleza que taymor conseguiu colocar em seu filme.

  4. E que responsabilidade Taymor tinha ao entrar com esse projeto. Imortalizar músicas de uma das melhores bandas ever, se não a melhor, foi um trabalho delicado. E bem feito. Across The Universe é muito subestimado. Sua beleza, que não se limita ao visual, encanta qualquer um que goste ou não das canções originais. A adaptação das canções também foi algo muito bem trabalhado, gerando músicas quase tão boas quanto às originais. Adorei All My Loving e Come Together.

    Abração!

  5. Dou a mesma nota. Gosto muito, mas reconheço as falhas. Também acho forçada toda a sequência do Mr. Kite. Ainda assim, adoro “Because” e seu uso. Entre minhas preferidas estão “Strawberry Fields Forever”, “Across the Universe”, “All You Need Is Love” e, apesar do que disse, amo “Dear Prudence” e como surge em tela.

  6. Engraçado, acho que inconscientemente me nego a estender minha paixão pelos Beatles além da música, só isso explica eu ainda não ter visto esse filme, nem nenhum outro filme deles ou sobre eles, nem mesmo um documentário que tenho no hd com legenda e tudo! Acho que se eu observá-los em outro campo corre o risco de me decepcionar ou do fanatismo aumentar, rs. Deixando essa bobagem de lado, quero muito ver esse filme, mas qualquer impressão que eu tiver dele será parcial, muito parcial, mesmo que todas as inserções de canções no filme fossem inorgânicas ainda correria o risco de eu amar, a não ser que não goste das versões feitas. Mas se você diz que algumas das minhas músicas favoritas foram inseridas de forma bem sucedida, fico mais interessado ainda em conferir o musical. 2 horas e 10 me parece muito tempo também, e era de se esperar que a narrativa fosse um pouco prejudicada pela necessidade de alocar as canções. Mas me parece um filme muito bonito, visualmente, pelo que já vi dele, só isso e ter várias canções dos Beatles já é motivo suficiente pra ver e rever.

  7. Não sei se por se muito fã dos Beatles, acho tudo relacionado a eles de uma beleza incrível. Across The Universe entrou facinho na minha lista de preferidos graças a essa “homenagem”. Achei simples, lindo e com vários elementos que me predem a um filme. Apesar do casal principal não apresentar tanta quimica quanto deveria, é fácil se deixar levar pela história deles, ainda mais, embalada pelas fab songs! =)


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