high school musical: o desafio [dir.: césar rodrigues, 2010]

Olha! Somos descolados!

Desta vez eu não poderia ir ao cinema sozinho. Precisava de companhia, uma pequena companhia. Arrastei comigo uma criança, após muita insistência e compras de guloseimas e pipoca, para assistir High School Musical: O Desafio, a versão nacional com pinta de #fail de High School Musical, que não é tão #fail assim se você gosta de música teen e números musicais animadinhos – algo que, talvez, eu goste com certa cautela. A curiosidade quase matou o gato. Saí vivo da sala, mas com vontade de enfiar um saco plástico na cabeça de constrangimento, o que, caso possuísse algum, já teria feito durante a sessão nos muitos momentos de vergonha alheia. Eu só conseguia pensar “eu tenho 21 anos!, não posso estar aqui por vontade própria”. Mas estava – e ainda custou dinheiro.

É importante saber o que esperar de um filme como esse antes de assisti-lo. Romance infantil, situações inverossímeis para deixá-lo com mais de 10 minutos de duração, músicas de qualidade questionável, arquétipos de personagens e estória previsível fazem todo sentido se levarmos em conta o material original para essa versão. Não dá para falar que o filme é uma merda por isso, colocá-lo em seu lugar é fundamental. Nesta caso, ele é uma merda também por isso. Porque já assisti dezenas de filmes que aderem a esse pacote de ideias prontas e as reciclam e o resultado é, ao menos, agradável. Agora, eles cantarem NX-Zero é algo que você não espera! E Wanessa ex-Camargo no elenco achando que tá abafando – e quando começa a cantar, piora, obviamente – é outro fator que valida a lei de Murphy: nada está tão ruim que não possa piorar.

Além desses graves pequenos detalhes, a falha maior de High School Musical: O Desafio reside justamente onde não poderia estar: nas sequências musicais. Nunca soou tão ridículo duas pessoas conversando começarem a cantar como se fosse a coisa mais normal do mundo, característica que, para mim, é o maior charme e encanto do gênero, mas aqui é comprometida pelas músicas e péssima dublagem dos atores. [Aliás, preciso ressaltar que todo o aspecto sonoro é extremamente ruim. Não são poucas as vezes que figurantes falam em cena e não são ouvidos pelo público. A impressão é que o filme foi, em sua maior parte, dublado pelos próprios atores, e de modo muito mal executado]. Se nem todos cantam bem – o protagonista, então, não convence como nada -, os números musicais são ainda mais comprometidos pelas coreografias pouco elaboradas, pecando pela falta de movimentos e originalidade. E é de se surpreender como uma direção pode piorar as coisas, como passear a câmera, no fim do filme, no rosto de cada ator principal – alguns até piscam para ela, acredite.

Chega, não comento mais nada até “fim de férias, as aulas já vão começaaaar / vida nova e sonhos pra alcançaaar / o novo ano começoooooooou” sair da minha cabeça. Ah sim, e quem falou que Lobo-Guará é um bom nome de time de futebol?

nota | 1,5

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  1. Muita coragem para ver isso daí, hein? Hahaha. Mas até que tenho alguma curiosidade, mas tô vendo que só vou me irritar…

  2. Olá!

    Estou a me retorcer de rir frente ao computador!

    De fato é inefável minha reação ao ler esse post, mas o curioso é que quando vi o filme-título da mensagem me vi em um dejà vu; Concatenar um remake de High School Musical, produção nacional* e um amante exigente da arte não poderia dar algo diferente do que vi.

    (* Embora eu tenha que reconhecer que os “telões” têm tido seus momentos de glória em verde e amarelo…)

    Em suma, me vi obrigado a comentar desta vez! Parabéns pelo post.

    Beijos, bom final de semana.

  3. Está aí um filme que os governos ditatoriais deveriam usar nas práticas de tortura: se botar o sujeito pra ver isso à força, ele confessa até o que não fez. Fiquei com pena da criança que te acompanhou, pode deixar sequelas graves, traumas etc. Resumindo: você é um cara de muita coragem, Jeff. Eu preferiria um ataque cardíaco.

    Abraço!

  4. A grande pergunta é mesmo como você pode ter ido ver isso por vontade própria? Enfim, ainda acho que tu gostou um pouco, porque 1,5 me parece bastante pra um filme desses, haha. Agora, como muitos disseram aqui, muiiiita dó da criança que foi arrastada pra isso, coitada. Quem foi a condenada?

  5. Caraca, isso não é real…

    Eu não saí pra ver esse filme, mas já me obrigaram a ver o original… Pelo menos mal feito não era!

    Entendo porque você foi ver o filme: é terrível ter coisas no cinema e você não ver porque são ruins! E é também muito chato alguém falar de algo e você nem sonhar sobre o que se trata (só fiquei sabendo do filme pq fui ver o Sherlock Holmes)…
    A curiosidade é uma parada que só fode a gente mesmo.
    Que droga!

    Mas… Obrigada pela resenha… Valeu ler; foi engraçado! rs

    Abraços

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