direito de amar [dir.: tom ford, 2009]

https://i0.wp.com/outnow.ch/Media/Movies/Bilder/2009/SingleMan/movie.xl/16.jpg

Como irei te explicar que assisti uma obra-prima? Mais: como irei te convencer que tenho razões suficientes para dizer que A Single Man é um filme irrepreensível? Se havia algo que eu pensava, além do filme, na sala de cinema, era como desenvolver este post, descrever o que estava sentindo, elogiar seus aspectos sem cair numa centenas de adjetivos que acabam justificando nada. Quando os créditos finais surgiram, eu estava emocionalmente arrasado, desanimado por voltar a realidade, e tive que respirar fundo, como se precisasse me recompor de uma densa experiência. Eu esqueci que estava numa sala de cinema, os 100 minutos passaram como 30, e, ao avanço da metragem, a vontade que ela tardasse a chegar ao fim.

Nada disso pode interessar a você. Você ainda não sabe nada sobre o filme. Eu apenas falei de mim, não sobre ele. Mas lamento, está sendo completamente difícil digitar alguma frase que não contenha a descrição das minhas sensações. Pois nem adianta muito falar de suas qualidades técnicas, dizer que o figurino e a direção de arte expressam o charme dos anos 60 de forma eficiente e sofisticada, que a fotografia, além do fantástico sentido narrativo, resulta em planos inesquecíveis [como esquecer o rosto da Janet Leigh todo azul no anúncio de Psicose que preenche a tela enquanto o carro do personagem principal estaciona em sua frente?], que a trilha sonora é muito OMFG e entra sempre no momento exato, colocando aquelas imagens numa capacidade de envolvimento e emoção imensurável, e como cada instrumental se harmoniza com a forma de Tom Ford compor suas cenas. E esses tipos de comentários que, enfim, vão reduzir completamente o que seus atributos são capazes de causar.

Toda a beleza que Ford imprime em seu filme de estreia [fato surpreendente pela segurança na construção da narrativa e imagens – apesar que ele parece deslumbrado demais com o que é capaz de fazer com a câmera] preenche uma história determinada pelo passado, de um homem não mais disposto a viver, já que sua vida não parece estar em si. Colin Firth, na melhor atuação de sua carreira e já uma das melhores do ano, faz um personagem pautado por seus sentimentos – e nota-se que a fotografia do filme é um reflexo deles -, e, preso ainda no que se passou, seu futuro tornou dispensável. Para mudá-lo, bem, é preciso haver outra pessoa. Também no elenco, Julianne Moore insere em sua personagem uma força irresistível, a qual inibe uma fragilidade, que quando aflorada, constrange. Sua longa cena com Firth valeria o filme – mas ele vale por completo.

A Single Man é um desses filme que justifica meu amor por cinema. E, para mim, isso é evidente, mesmo que não faça muito sentido para você. Quando estiver menos eufórico, mais recomposto e menos deslumbrado, te explico melhor.

nota | dez

Janet Leigh

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  1. Olha, achei EXCEPCIONAL!
    eu não lembro quando foi uma vez que vi um filme tão bom.
    é a impecável união entre o visual e o conteúdo.
    pretendo rever logo logo…

  2. Que texto apaixonado! Adorei =). Quero tanto ver esse filme, há tanto tempo, que o meu medo de se frustar é bem grande. Reações como a sua, ao dizer: “é um desses filmes que justifica meu amor por cinema”, me fazem ficar mais tranquilo e acreditar que não me decepcionarei. São exatamente os filme que me lembram porque eu amo tanto cinema, e até tenho esse maluco sonho de trabalhar com isso, é que acabam sendo os mais significantes, e o trailer de A Single Man já me vez trouxe essa recordação, apesar que trailers são enganadores. Ainda assim, eu fico pensando, putz, além de tudo, o Tom Ford ainda é um excelente diretor? sacanagem isso, haha.

  3. Ok. Concordo com absolutamente cada palavra que li acima, eu não queria que acabasse nunca o filme, toda a trilha maravilhosa, um Colin Firth impecavel, o melhor filme do ano! Talvez um dos melhores que eu já tenha visto!

  4. Talvez, o texto mais intenso e apaixonado que já li sobre este filme. Inclusive alguns blogueiros me disseram que a Moore foi supervalorizada neste filme e que o Firth já teria feito papéis mais densos – que bom te ler e observar que posso me surpreender.

    Garanto ver o filme e voltar pra comentar contigo minhas impressões, espero que seja como as suas.

    Abraço!

    *Te sigo e linkei ao meu espaço!

  5. Coincidencia! meu filme predileto também é Magnolia! rs

    Se puder, dá uma lida nos arquivos do Apimentário, quero saber sua opinião sobre uns contextos analisados, você é bem intenso aqui no seu blog! admiro.

    Abraço e obrigado pela presença lá!

  6. Meu caro, você não precisa explicar nada. Só pelo que escreveu aqui, já se deu para ter uma noção exata do quanto o filme do Tom Ford é bom – e muito bom. Quero desesperadamente assistir, pelo visto terei de fazer o download, pois na minha cidade puritana e católica, o cinema não vai passar um filme com essa temática, como nunca passou, aliás. Aí poderei comentar com certeza, mas confio piamente em seu julgamento sobre a obra. Um abraço!

  7. É mesmo uma tarefa difícil descrever as sensações que uma obra irretocável nos causou. Eu, por exemplo, estou procurando tempo o suficiente para escrever sobre “A Partida”, o melhor filme lançado ano passado aqui no Brasil. Bom, não estou muito entusiasmado em ver “Direito de Amar”, mas certamente aproveitarei a oportunidade de assisti-lo quando ela aparecer.

  8. Encontrei seu blog através de uma amigo e como li em seu perfil, este seria “mais um sobre cinema”. Existem muitos sim, mas há um diferencial: o modo como comentar um filme. Sem academicismos, sem ares de crítico. Mas com o sentimento de quem tem conhecimento, mas não se nega em mostrá-lo. É o que faz aqui e gostei bastante. Abraços. PS: ainda não assisti “Direito de Amar” mas com certeza, irei!


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