preciosa – uma história de esperança [lee daniels, 2009]

Preciosa é um poço de desgraça. A história da menina que dá título ao filme começa infeliz, e à medida em que é narrada, agrava em crueldade e covardia. Dependendo do seu grau de sentimentalismo, prepare-se para litros de choro, vindos também de uma esperança e otimismo que o filme precisa inserir – algo que o pavoroso subtítulo brasileiro sugere – após longos minutos depressivos. Como tudo se dá, porém, pode dificultar um envolvimento mais profundo por parte do público. Em outras palavras, encaro da seguinte forma: ou essa desgraça – e a salvação que está por vir – te deixa emocionalmente arrasado ou Preciosa não é mais que uma tentativa frustrada de fazer cinema e emocionar. Um professor – ou professora, no caso – que surge como um messias para transformar a vida da protagonista – negra, humilhada, também pela própria família, e num cenário que não oferece soluções – já não cheira a novidades. E enquanto o roteiro piora esse quadro, Lee Daniels faz escolhas questionáveis de edição, que vão desde o incompreensível [spoiler quando a menina é informada que o pai é soropositivo e a conversa é interrompida por sua imaginação –  inclusive, um problema que se repete constantemente /spoiler] ao destoante [Precious na sala de aula, com a câmera girando e girando enquanto alguns vídeos são exibidos nas parede da sala], mas acerta na fotografia, que muito contribui para o desconforto nas cenas passadas na casa da protagonista. Daniels acerta na mesma proporção de seus equívocos, mas no geral, entrega um filme mediano e frio, que reside sua maior vitalidade nas interpretações. Apesar de achar que Mo’Nique é favorecida por sua personagem, desempenha com a eficiência para tornar a mãe de Precious odiosa e repulsiva. E Gabourey Sidibe, na pele da personagem-título, é o melhor do filme. Ok, ele não oferece muita coisa, mas não deixa de ser um mérito da atriz. Porém, nada é de encher olhos. Nem de lágrimas, nem de admiração.

nota | 6.5

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  1. Achei perfeita sua definição, Precious me pareceu exatamente isso, uma tentativa frustrada de fazer cinema e emocionar. Não consigo ver acertos na direção do Lee Daniels, acho confusa e despropositada, a edição e nada menos que um horror. O roteiro não é mesmo dos mais originais, mas poderia ter sido abordado de uma forma melhor, e talvez tivesse gerado um bom filme. Já sobre Mo’nique e Gabourey sou só elogios, as duas estão fantásticas, entregam desempenhos muito melhores do que o filme merecia e realmente não acho que a Mo’nique seja favorecida pelo papel, vejo 1001 maneiras de uma atriz ter arruinado aquela personagem que não era assim tão boa, e a atriz fez justamente o contrário.

  2. Eu tenho algumas ‘dificuldades’ com esse filme também. Acho que em certa parte ele é altamente manipulador, e toda a emoção e tristeza que deveria vir não chegou (rsr). Mo’Nique tem alguns méritos (só na última cena ela mostra realmente porque está ganhando tudo), de Gaby tem a mesma cara o filme inteiro!

  3. “ou essa desgraça – e a salvação que está por vir – te deixa emocionalmente arrasado ou Preciosa não é mais que uma tentativa frustrada de fazer cinema e emocionar.”

    E o meio termo, Jeff? Não chorei rios de lágrimas, nem considero Precious uma tentativa frustrada. O filme tem seus méritos, mesmo com um diretor que tenta até o fim cagar com tudo.

    Mas Mo’Nique e Gabby não deixam o filme estragar. Coisa linda de atuação, gente!


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