livro X filme: o segredo de brokeback mountain

Por favor, não pense que irei comparar livro e filme ou afirmar minha preferência por um deles. Minha intenção com essa série que inicio aqui no blog – que, como as outras, serão provavelmente esquecidas com o tempo – é apenas comentar cada material, comparando-os não em detrimento de um em relação ao outro, mas levando em conta que são expressões diferentes, não podendo ser avaliados com os mesmos critérios. Claro, quando se admira o trabalho original, espera-se por um cuidado dobrado com a adaptação. Mas isso não tem nada a ver se a cor do cabelo do personagem no livro é diferente da cor do cabelo do ator que fará esse personagem. O propósito, em suma, é comentar filme e livro, levando em conta o processo de adaptação sem que este interfira na experiência e avaliação de cada material. E vale dizer que Crepúsculo‘s e Harry Potter‘s não serão comentados aqui.

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“- [..] Você é demais para mim, Ennis, seu filho da puta. Quem me dera saber como te deixar”

O Segredo de Brokeback Moutain, o livro, na verdade, é um conto, que virou livro. Originalmente publicado na revista norte-americana The New Yorker em 1997, ganhou, dois anos depois, uma versão mais extensa para um livro de contos da própria autora, Annie Proulx. Essa versão chega ao Brasil em 2006 após o sucesso do filme de Ang Lee, num livro finíssimo, de 67 páginas  – e só são “tantas” pela diagramação que optou por extensas margens nas páginas – possíveis de serem lidas em menos de duas horas.

Pela gênero do texto, pode-se esperar do conto nada mais que uma espécie de argumento do roteiro de Larry McMurtry e Diana Ossana. E é basicamente isso, com um diferencial aqui e ali. O livro tem início com um curto trecho da vida de Ennis Del Mar – como tipo grotesco levado ao último grau, de mijar na pia da cozinha e etc – após o dilacerante “Eu juro” já ter sido pronunciado. Aqui, ele é menos taciturno e mais a imagem exacerbada do cowboy norte-americano. Sua dificuldade de se envolver com Jack Twist, como este gostaria e propôs em todas as ocasiões em que estiveram juntos, é a força motriz do conto; porém, o amor  parece sobreposto por uma tara incontrolável. Mesmo levando em conta o cenário narrativo e a natureza de cada personagem, que obviamente dificultam o desenvolvimento de um romance menos carnal e mais sensível, o sexo, como pura saciação de desejo, ocupa um lugar privilegiado, amenizando os sentimentos que há por trás dele.

Ainda que Annie Proulx faça da natureza mais um personagem da história, dedicando linhas e linhas a uma descrição minuciosa de seu comportamento, a sensibilidade vista no longa é fruto basicamente da direção de Ang Lee. Ao término da leitura – inofensiva de tão ligeira, mas agradável -, é de se enaltecer ainda mais a visão de Lee sobre a história de Ennis e Jack, pela capacidade de fazer o espectador perceber – e sentir – o que poderia haver de mais importante no relacionamento dos dois homens. Como força da natureza, o amor recebeu as imagens que merecia. [Para ler a resenha completa do filme, clique aqui]

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  2. Nunca li o conto de Annie Proulx, e mais, nem sequer sabia que tinham “esticado” a história um pouco mais, numa nova versão. É uma das minhas faltas literárias, já que tenho muita curiosidade. Sobre o filme, gostaria de frisar (novamente) que não sou muito fã do segundo ato, embora adore o primeiro (na montanha), magnificamente escrito por McMurty e Ossana e dirigido por Lee.
    Saudades do Ledger! :-(
    E você já leu alguma obra do McMurtry? Ele é dramaturgo, e escreveu livros magníficos que deram origem a filmes como “A Última Sessão de Cinema”, “O Indomado” e “Laços de Ternura”. Se não, recomendo os três filmes e claro, os três livros.
    Abraços, Jeff!

  3. Gostei da idéia, suas ponderações passaram mesmo mais a idéia de demonstrar as diferenças entre os dois formatos, e até mesmo o papel que o diretor teve em transformar o livro em outro tipo de obra, do que a idéia de compará-los de forma qualitativa. Gostaria de ler o conto, tão curto assim não há desculpa pra não fazê-lo, mas toda vez que vejo algo sobre Brokeback o que me vem mesmo a mente é: preciso ver esse filme de novo.

  4. Também acho que o filme é um tanto mais sensível pela presença do Lee na direção. A obra também é uma maravilha, mas Proulx tem uma visão mais “crua”, dando mais atenção à “força da natureza” mesmo. E preciso rever o filme pela milésima vez, sempre é uma experiência marcante.

  5. Eu tenho um livro que reúne o conto, o roteiro e comentários dos roteiristas sobre a adaptação. Bem completo. Eu gosto do conto, mas o roteiro é algo incrívelmente poderoso. Tal como o filme, soberbo!

  6. Alexsandro, não que o livro seja ruim, mas os roteiristas e, sobretudo, Ang Lee colocou a história numa posição muito maior. []s!

    Luis, também não consigo imaginar outro diretor para essa história. Foi a melhor escolha. []s!

    Bruno, é, tentarei não desistir. hehe Leia sim! []s!

    Weiner, eu sei que você não gosta. hehe Aliás, lembrava disso enquanto escrevia o post. Não, não li, mas valeu as dicas! E sim, saudades do Ledger, sempre. =/[]s!

    Matheus, que bom, era o que pretendia. Já é hora de revê-lo – e eu também preciso revê-lo. Algo me diz que irá gostar mais dessa vez. []s!

    Vinícius, também preciso rever, já tá na hora. E concordo com tudo o que disse. []s!

    Wally, ai, eu quero isso! comofas? []s!

    Pedro, hahahaha, e ainda não conseguiu. []s!


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