cinema 2009 | top cinema nacional

Se eu disser que 2009 não foi tão bom assim para o cinema brasileiro, os números e as estreias me negariam. Os filmes nacionais foram responsáveis por 15% do público total que compareceu aos cinemas em 2009, estimativa que representa um crescimento do público  de filmes brasileiros de, aproximadamente, 80% em relação ao ano passado.

Além da alta faturação na venda de ingressos [culpa de basicamente três filmes: Se Eu Fosse Você 2, A Mulher Invisível e Divã], alguns lançamentos trouxeram elementos que eram novidades no cinema brasileiro, como as acrobacias  aéreas inseridas no contexto afro-brasileiro em  Besouro, o – supostamente – delicado tema da homossexualidade misturado a incesto em Do Começo ao Fim ou o experimentalismo que, conforme seu anúncio, descartou diretor e atores profissionais em Mesa de Bar – Onde Tudo Acontece. Todas tentativas frustradas, que acabaram entre as piores produções brasileiras do ano.

Dos 80 filmes brasileiros lançados em 2009, consegui assistir apenas 29 –  mais alguns breves lançamentos de 2010 em festivais -, dos quais seleciono os 5 melhores na lista abaixo.

Nota | Diferente de 2008, em que Linha de Passe e Juízo foram suficientemente bons para entrarem no top 10 geral do ano, em 2009 nenhum filme brazuca conseguiu o feito, apesar dos títulos abaixo merecerem destaque.

|

Apenas o Fim, de Matheus Souza

Ainda que falte consistência e por um momento pareça apenas o desejo de um roteirista estreante cheio de vontade de fazer [boas] piadas sobre os ícones de sua adolescência, Apenas o Fim é agradável, descontraído e divertido. Difícil não se identificar com os personagens em diversos momentos, difícil não sair do cinema satisfeito. + resenha completa

|

É Proibido Fumar, de Anna Muylaer

Com uma naturalidade assustadora – que de tão natural causa risada -, Glória Pires e Paulo Miklos fazem de É Proibido Fumar um filme verdadeiro, de roteiro e direção inspirados, os quais, por mais que prezem pela realidade, não deixam de ter um pé no subjetivo. Uma grata surpresa. + resenha completa

|

Fumando Espero, de Adriana Dutra

Infelizmente pouco assistido e divulgado, o documentário de Adriana Dutra, feito na marra com uma digital, é uma aula agradável sobre o vício do cigarro. Enquanto acompanhamos a diretora em sua tentativa de largar o vício – e seu comportamento nas crises de abstinência -, os depoimentos de conhecidos e desconhecidos sobre seus relacionamentos com o cigarro resultam num documentário ágil e, apesar de muito sabermos sobre o tema, relevante.

|

Palavra (En)Cantada, de Helena Solberg

Em poucas palavras, um belo documentário sobre a matéria-prima dos poetas e músicos brasileiros: a palavra, nas diversas possibilidades de tratamento que o nosso idioma pode oferecer. Imperdível. + resenha completa

|

À Deriva, de Heitor Dahlia

De uma beleza estética sem fim, À Deriva revelou um lado diferente  – e tão bom quanto os outros – de Heitor Dahlia. Sensível e intimista, é um retrato de uma família imperfeita sob a óptica de uma menina ainda em transformação, numa história que se desdobra e surpreende até o último instante.  + resenha completa

___________________________

Menções Honrosas:

– A viagem pelo Brasil da sanfona em O Milagre de Santa Luzia.
– O bobo porém divertidíssimo Divã.
– O único bom trabalho de Daniel Filho no emocionante Tempos de Paz.

__________________________

Fique de olho:

– O melhor filme nacional – e um dos meus favoritos dentre todos – assistido em 2009, mas só estreia comercialmente em março de 2010: Os Famosos e os Duendes da Morte.
– O batido tema da prostituição infantil no subúrbio carioca que ainda rende bons filmes como Sonhos Roubados.

Anúncios

  1. Detestei Divã do fundo da alma. E adorei Besouro do fundo da alma. Só pra discordar. rs

    Também gostei muito de Jean Charles e O Contador de Histórias – melhor filme nacional do ano pra mim, já que ainda não assisti a À Deriva (vergonha).

  2. Poxa, que vergonha, só vi seis filmes nacionais durante o ano, mas pretendo atingir uma marca melhor antes de fazer uma lista dedicada a eles. Também acho que “À Deriva” foi o melhor do ano e fiquei curioso quanto a esse “Os Famosos e os Duendes da Morte”. Abraço!

  3. Eu simplesmente gosto MUITO de ‘A Deriva’ até mesmo o coloquei na minha lista de melhores do ano. Da lista só não vi o comentado ‘Palavra (En)Cantada’ (coisa que pretendo reparar em breve), mas concordo com todos os outros, menos ‘Divã’ que não gostei muito não.

    E você conseguiu me deixar muito ansioso pelos dois filmes que voê citou no final do seu post.

  4. Pingback: Tweets that mention cinema 2009 | top cinema nacional « -- Topsy.com

  5. Vi muito poucos nacionais este ano. Justamente os mais “rentáveis” SE EU FOSSE VOCE 2, DIVÃ, MULHER INVISIVEL e não achei nenhum grandes coisas. E ainda o JEAN CHARLES, que achei até bom. Espero assistir A DERIVA logo.

    Em tempo: Um ótimo 2010 pra vc cara.

  6. Acabou que só vi um da sua lista, ao menos foi o melhor, né? Ainda to querendo muito ver esse Apenas o Fim, mas não faço idéia de como vê-lo agora que saiu dos cinemas. Palavra (En)Cantada também, até porque preciso ver mais documentários, e se forem brasileiros, melhor ainda. Não tinha curiosidade nenhuma de conferir É Proibido Fumar, mas sua resenha e agora a inclusão entre os melhores do ano me fizeram querer vê-lo. Fiquei muito feliz com o crescimento do cinema brasileiro esse ano, em público, é um bom sinal, público grande não é sinal de cinema de qualidade, mas fortacele o mercado. E ah, 29 filmes não é “apenas”, tu viu mais de um terço do que foi lançado, e isso, considerando que os filmes brasileiros não são tão fáceis de serem encontrados, é muito coisa. Congrats :)

  7. Para mim, o cinema nacional teve dois grandes filmes: Se Nada Mais Der Certo e Loki – Arnaldo Baptista.

    No entanto, Os Normais 2 foi de uma estupidez incrível.

    Não assisti a À Deriva nem Apenas o Fim, infelizmente.

  8. Já vi uma boa quantidade de filmes nacionais de 2009, mas assustadoramente nenhum de seu top 5. Algo que vou corrigir com uma urgência estelar! Por enquanto, “Tempos de Paz” é meu preferido, seguido por “Jean Charles”.

  9. Poxa, queria tanto ver “Apenas o fim”, foi feito por alunos da PUC, onde eu estudo, mas não consegui. Só achei em cinemas lá da Zona Sul e nunca consigo ir praquelas bandas no fim de semana… Já basta a ‘viagem’ que faço durante a semana! Enfim, espero um dia conseguir baixar.^^

    Assim como um menino ali de cima, só vi os mais rentáveis “Se eu fosse você 2”, “Divã” e “A mulher invisível”. Nenhum deles foi grande coisa, mas achei “A mulher invisível” um tanto diferente. às vezes com um tom melancólico e isso me surpreendeu demais.

    Beijos, Jeff!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s