filmes [e destaques] do mês | agosto 2009

Agosto foi um dos melhores meses do ano. Um mês importante, de descobertas e redescobertas, em que eu acabei com alguns dos meus pecados e paguei minha língua. Em outras palavras, tive meu primeiro contato com grandes diretores – e em relação a todos [Bertolucci, Godard, Noé e, em menor grau, Truffaut] a experiência foi das melhores – enquanto que rever alguns filmes foi a oportunidade para encontrar qualidades evidentes até então não percebidas. Pouco importa saber o motivo. Mais abaixo, os destaques do mês.

Até mês que vem!

negrito: lançado no Brasil em 2009
itálico: revisto

Faltou Pouco

9.5 | Sozinho Contra Todos [de Gaspar Noé – 1998]
9 | A Vila [de M. Night Shyamalan – 2004]
9 | Bande À Part [de Jean-Luc Godard – 1964]
9 | Canções de Amor [de Christophe Honoré – 2007]
9 | Cidade de Deus [de Fernando Meirelles – 2002]
9 | Corpo Fechado [de M. Night Shyamalan – 2000]
9 | Irreversível [de Gaspar Noé – 2002]
9 | Jogo de Cena [de Eduardo Coutinho – 2007]
9 | Os Sonhadores [de Bernardo Bertolucci – 2003]

Quase lá

8.5 | Acossado [de Jean-Luc Godard – 1960]
8.5 | Inimigos Públicos [de Michael Mann – 2009]
8
| Arrasta-me Para o Inferno [de Sam Raimi 2009]
8 | O Milagre de Santa Luzia [de Sérgio Roizemblit – 2008]
8 | Orações Para Bobby [de Russel Mulcahy – 2009]

No caminho certo

7.5 | Anticristo [de Lars von Trier – 2009]
7.5 | Os Incompreendidos [de Fraçois Truffaut – 1959]
7.5
| Tempos de Paz [de Daniel Filho – 2009]
7 | Crimes e Pecados [de Woody Allen – 1989]

Alerta!

6.5 | Gigante [de Adrián Biniez – 2009]

Zona de Risco

5 | Minha Adorável Lavanderia [de Stephen Frears – 1985]
4.5 | Bruno [de Larry Charles – 2009]
4 | Confissões de Uma Garota de Programa [de Steven Soderbergh – 2009]

Perigo!

3.5 | Todo Mundo Tem Problemas Sexuais [de Domingos de Oliveira – 2009]
3.5 | Um Amor Para Recordar [de Adam Shankman – 2002]
3.5 | Veronika Decide Morrer [de Emily Young – 2009]

Total de filmes | 25

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| DESTAQUES DO MÊS |

|

um nome | M. Night Shyamalanshyamalan

Shyamalan talvez seja o melhor exemplo atual de uma carreira em declínio constante. Com o trabalho que o tornou um cineasta promissor, conseguiu, com um gênero pouco reconhecido em premiações, seis indicações ao Oscar, duas ao Globo de Ouro e até ser remetido a Hitchcock. Porém, isso foi coisa da década passada. Hoje, ele ganha Framboesa de Ouro e a descrença da crítica e público a cada novo trabalho – desde A Vila, ou antes dela, os filmes do diretor e roteirista indiano viraram sinônimo de fracasso. Mas não para mim. Ao rever Corpo Fechado e A Vila, notei que Shyamalan ficou melhor com o tempo e não fez nada menos que ótimo, inclusive A Dama na Água e Fim dos Tempos. É um diretor que se renova sem deixar de lado suas marcas, e mesmo que só eu ache isso, seus filmes estão entre os melhores da década. Sou fã e não vejo motivo para não ser. Que venha The Last Airbender.

uma surpresa | Inimigos Públicos, de Michael Mann

inimigos-publicos-01gNão seria surpresa se eu gostasse do Michael Mann. Do pouco que conheço da carreira do diretor, eu não gostei de nada – e incluo Fogo Contra Fogo nesse meio. A exceção veio com Inimigos Públicos. Mesmo com elenco estelar e um personagem composto dubiamente por um Depp sóbrio [e isso é muito bom], a direção de Mann é o que mais chama atenção desde a cena inicial. Através de sua câmera digital, explora a arquitetura dos ambientes [as cenas de assalto a bancos deixa isso claro], abusa nos closers, cria as melhores cenas de ação do ano, nas quais a ausência da trilha sonora é culminante para o trabalho espetacular de som chegar ao ápice. Aí eu penso que o Michael Mann deve ser melhor do que eu imagino…

uma bomba | Veronika Decide Morrer, de Emily YoungVeronika-poster

O problema de Veronika Decide Morrer é a falta de qualidade em todos os seus aspectos. O mais grave vem de onde já se esperava – sem querer ser preconceituoso, mas já sendo, uma vez que não li o livro. Não demora muito para sabermos que se trata de um roteiro inspirado numa obra de Paulo Coelho, mas se ficaram dúvidas durante a projeção, o desfecho acaba com elas. No mais, o filme conta com uma direção que não melhora nada; pelo contrário, sabe deixar tudo ainda mais tedioso, arranca de Sarah Michelle Gellar uma interpretação insossa – uma constante se tratando da atriz -, permite algumas cenas serem pessimamente fotografadas e, no fim, é tão pretensiosa à relevante quanto o que Paulo Coelho tem a dizer. Melissa Leo ao menos ameniza o desastre.

um nacional | Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho

Jogo+de+CenaDizem que se tratando de documentários, Eduardo Coutinho é mestre. Não sei se concordo empolgado, pois este é o segundo trabalho que assisto do diretor [Edifício Master foi o anterior]. Porém, somente pelo o que conferi até o momento, acredito que estejam certos. Jogo de Cena fala sobre si mesmo logo no primeiro depoimento, quando a entrevistada interpreta um fragmento de Gota D’Água. E o documentário segue adiante misturando depoimentos reais e interpretações, ora evidenciando o processo de criação das atrizes, ora ocultando a verdadeira natureza [realidade ou ficção] dos depoimentos. É um exercício interessante e que brinca com as sensações do espectador, mas vale sobretudo pela sinceridade e emoção de alguns depoimentos reais.

uma cena | A dancinha no café [Bande À Part]

Não poderia ser outra. Dispensa comentários. Sei que quando terminou percebi que foi uma das melhores cenas que já vi em um filme.

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  1. Engraçado como eu sempre me surpreendo com esses seus balanços do mês. Não vou comentar que tem algumas coisas aí que eu acho absurdo, pois acho que você já deve saber quais. Cidade de Deus é o melhor filme da lista, ainda que Sozinho Contra Todos seja muito bom. Achei que tu tinha gostado mais de Os Incompreendidos, gosto mais dele que de Acossado. Prayers For Bobby eu acho que ainda não tem título em português, a história é comovente e tals, mas como filme é bem fraco, foi muito generoso. E tu não gostou mesmo de Minha adorável lavanderia, ein? que coisa… e ah, o Shy só tem o que ele merece xD

  2. Jeffs, Jeffs… se eu fosse você começava a rever a filmografia inteira do Mann… essa exploração do digital, a valorização dos enquadramentos, arquitetura e tudo mais o que você mencionou estão em praticamente todos os filmes do Mann, sendo mais visíveis justamente em Fogo Contra Fogo, Colateral e Miami Vice. Abre o olho, rapaz :B

  3. Dos que eu vi:

    A Vila – 8,5
    Canções de Amor – 8,0
    Cidade de Deus – 8,0
    Corpo Fechado – 7,0
    Irreversível – 9,5
    Jogo de Cena – 10,0
    Os Sonhadores – 9,5
    Arrasta-me Para o Inferno – 8,5
    Orações Para Bobby – 7,5
    Crimes e Pecados – 7,0
    Minha Adorável Lavanderia – 8,0
    Confissões de Uma Garota de Programa – 4,5
    Um Amor Para Recordar – 2,0
    Veronika Decide Morrer – 6,5

    []s!

  4. Eu vi:

    8.5 | A Vila [de M. Night Shyamalan – 2004]
    8.5 | Canções de Amor [de Christophe Honoré – 2007]
    10. | Cidade de Deus [de Fernando Meirelles – 2002]
    9.0 | Corpo Fechado [de M. Night Shyamalan – 2000]
    8.5 | Os Sonhadores [de Bernardo Bertolucci – 2003]
    8.5 | Inimigos Públicos [de Michael Mann – 2009]
    8.0 | Arrasta-me Para o Inferno [de Sam Raimi – 2009]
    9.5 | Os Incompreendidos [de Fraçois Truffaut – 1959]
    7.0 | Bruno [de Larry Charles – 2009]

  5. Novamente gostei muito desse post, mesmo não vendo muito dos filmes – tô com “Jogo de Cena” aqui, mas ainda não vi. Dos vistos:

    7.5 | A Vila [de M. Night Shyamalan – 2004]
    8.5 | Canções de Amor [de Christophe Honoré – 2007]
    9.0 | Cidade de Deus [de Fernando Meirelles – 2002]
    8.0 | Corpo Fechado [de M. Night Shyamalan – 2000]
    4.0 | Irreversível [de Gaspar Noé – 2002]
    8.0 | Os Sonhadores [de Bernardo Bertolucci – 2003]
    8.0 | Inimigos Públicos [de Michael Mann – 2009]
    8.5 | Orações Para Bobby [de Russel Mulcahy – 2009]
    7.0 | Bruno [de Larry Charles – 2009]
    6.0 | Um Amor Para Recordar [de Adam Shankman – 2002]

  6. Minhas cotações:

    8 | A Vila [de M. Night Shyamalan – 2004]
    8 | Bande À Part [de Jean-Luc Godard – 1964]
    8.5 | Canções de Amor [de Christophe Honoré – 2007]
    8.5 | Cidade de Deus [de Fernando Meirelles – 2002]
    7 | Corpo Fechado [de M. Night Shyamalan – 2000]
    8 | Irreversível [de Gaspar Noé – 2002]
    7.5 | Os Sonhadores [de Bernardo Bertolucci – 2003]

    8.5 | Acossado [de Jean-Luc Godard – 1960]
    7 | Inimigos Públicos [de Michael Mann – 2009]
    7.5 | Arrasta-me Para o Inferno [de Sam Raimi – 2009]

    9 | Os Incompreendidos [de Fraçois Truffaut – 1959]
    6 | Tempos de Paz [de Daniel Filho – 2009]
    7.5 | Crimes e Pecados [de Woody Allen – 1989]

    7.5 | Minha Adorável Lavanderia [de Stephen Frears – 1985]
    4 | Bruno [de Larry Charles – 2009]

    6 | Um Amor Para Recordar [de Adam Shankman – 2002]

    Vc judiou de “Os Incompreendidos”… :-)

  7. Eu gosto muito do Shyamalan. Até de “A vila” que metade do planeta escracha e eu defendo com unhas e dentes. Certas pessoas se decepcionam quando o suspense nao é aquele clichezão de sempre. O que é uma pena.
    Ah, e eu gostei de Inimigos públicos só por causa do Depp *suspiro* – essa foi a declaração mais cinéfila da minha vida! Hehehehe


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