ano 1

birthday

Pode não parecer, mas o receio de remorso, assim, com tudo em minúsculo, completa hoje um ano de existência.

Pode não parecer porque, segundo o arquivo localizado ali ao lado, o primeiro post deu-se no mês de dezembro. Mas minha nova tentativa como blogueiro – essa é a quarta vez que eu inicio um blog! – começou há um ano,  quando no endereço o receioderemorso era seguido de blogspot e o blog era sobre tudo, e sobre nada, e eu não tinha exatamente o que dizer. Quando não me arriscava a divagar sobre assuntos cotidianos – gerando textos vergonhosos -, recorria de dissertar, desprovido do desejo de querer ser levado muito a sério, acerca do meu assunto favorito, cinema, atitude que se tornou cada vez mais recorrente. E assim, a um pé de monopolizar o assunto do blog,  eu migrei para este servidor.

Também pode não parecer porque minha ausência quase culminou em morte precoce por diversas vezes. Mês passado a situação foi mais grave, quando o número de posts não saiu do zero. E algo que fica cada vez mais evidente para mim é a dificuldade de manter um blog – e manter um bom blog é tarefa para poucos. Apesar de adorar este espaço e querer sempre mantê-lo atualizado, sofro de um mal chamado preguiça, de um outro, nem tão mal assim, denominado faculdade, e de mais um, o senso, que faz refletir sobre a relevância das minhas palavras para os outros – e para mim mesmo, talvez.

Mas entre os altos e baixos, constantes atualizações e longas ausências, textos que me agradam e outros que me dão vontade de sumir, comentários apreciativos e outros um tanto grosseiros – felizmente, esses são a minoria -, dias com muitas visitas e dias precários – e dias que me importo com elas e  dias que não -, o receio de remorso chegou a um ano de vida.

Não fica a menor dúvida que o melhor que este breve período trouxe foi as amizades. Meu único contato com alguns se dá unicamente pelo twitter e pelos comentários nos blogs, o suficiente para se tornarem pessoas presentes no meu dia  e que fazem diferença quando estão ausentes – partindo do princípio que eu passo um longo período conectado à internet. Alguns [um, pra ser mais exato] já tive a felicidade de conhecer pessoalmente. Em maior ou menor escala, há uma amizade entre nós, blogueiros cinéfilos. E fico feliz por ter conhecido ótimas pessoas, de bom gosto cinematográfico e excelentes escritores, claro. Eu queria citar nomes, é mais pessoal, mas você sabe que me refiro a você.

Muito obrigado aos que sempre comentam, aos que só comentaram uma única vez, aos que leem e não comentam. Aos que comentam sem ler também, apesar de não ser uma atitude muito ética. hehe Falando em ética, me desculpam por nem sempre retribuir a visita. É algo que preciso corrigir. Farei esse pedido ao assoprar a vela.

Uma vez eu disse que ficaria satisfeito ao completar um ano de blog. Até me sinto assim. Mas que seria muito legal postar um outro bolinho num post ano que vem, seria.

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| receio de remorso em números [como o Blogger não oferece as  estatísticas do blog, os números correspondem apenas ao período no WordPress]:

Total de visitas: 22.104
Total de posts: 77
Total de comentários: 717
Total de banners: 12

oscar-1Posts mais vizualizados |
1- oscar 2009 | melhor filme de animação [935]
2- polêmico do começo ao fim [916]
3- slumdog millionaire [801]
4- oscar 2009 | melhor canção original [789]
5- oscar 2009 | melhor trilha sonora [683]
Conclusão: O que seria desse blog sem o Oscar?

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| Links mais clicados
1- youtube.com/watch?v=DciW_yuQGCw [59]
2- noticias.br.msn.com/artigo_bbc.aspx?cp-documentid=19827622 [40]
3- receioderemorso.blogspot.com [31]
4- conspiracaonanet.blogspot.com [29]
5 –blogdovinicius.wordpress.com [27]
E que vídeo seria esse?!

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Como chegaram aqui |
imagem1- blogdovinicius.wordpress.com [266]
2- conspiracaonanet.blogspot.com [179]
3- twitter.com/jeff_rib [166]
4- cineresenhas.wordpress.com [104]
5- cinefiloeu.com [94]
Obrigado, Vinni, Alex e Dudu! hehe

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| Termos [estranhos] de pesquisa que trouxeram pessoas [estranhas] aquipulp_fiction
– “medo de penetração”
– “pornografia sem limites”
– “pulp fiction” [esse não é um termo estranho, mas fico surpreso com a enorme quantidade de pessoas que chegam aqui através do filme, sendo que nunca comentei nada sobre ele]
– “qual o significado da musica choro bandido”
– “criança deitada”
– “amor #17 + cris bierrenbach”

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o contador de histórias [2009]

ocontador

Em O Contador de Histórias, o espectador ganha a óptica de uma criança acerca do mundo. O que a criança avista, por sua vez, é o universo que somente uma mente prematura e ingênua, imaginativa e sonhadora, é capaz de sintetizar. Em uma determinada cena do longa, a inocência do pensamento do pequeno Roberto Carlos Ramos idealiza uma FEBEM onde palhaços, cores e festa constituem a fundação. Roberto apenas interpretou, sustentado pelos seus desejos infantis, as palavras dos adultos – o discurso do governo, neste caso. Faz-se, entretanto, desnecessário descrever a realidade a qual é desabada sobre seus olhos.

Neste contraponto entre a inocência e a hostilidade de uma Belo Horizonte pretérita (porém revelada como atual e brasileira num sentido amplo), o diretor Luiz Villaça (Cristina Quer Casar) conta a história real de Roberto Carlos Ramos, hoje considerado um dos maiores contadores de história do mundo. Hoje, também possui graduação em pedagogia e dois livros lançados – “A arte de construir um cidadão: 15 lições da pedagogia do amor” e “O contador de histórias”. Ontem, ou mais precisamente na década de 70, porém, era tido como “irrecuperável” pela psicóloga da FEBEM, onde foi deixado por sua mãe enquanto criança.

Levantar culpados para o estado em que se situara Roberto gera inevitáveis discussões – e imprecisões. O desejo materno era oferecer um futuro promissor a seu filho ao instalá-lo na Fundação Estadual, a qual era promovida de forma risível e sensacionalista pelo governo através da tevê; o filho, com isso, perde os cuidados maternos e ganha a “atenção” governamental. Entregue unicamente aos serviços do governo, o leitor já conclui ser irrealizável o sonho, alimentado por sua mãe, de Roberto tornar-se doutor. Por sua vez, o próprio protagonista, oscilando entre a falta de melhores soluções e a vontade de permanecer “irrecuperável”, adentra no violento espaço urbano e em tudo que este poderia lhe oferecer.

Porém, a intenção de Luiz Villaça não é encontrar culpados ou denunciar, mas narrar os acontecimentos de quando existe alguém disposto para mudá-los. Maria de Medeiros (Pulp Fiction – Tempo de Violência) vive Margherit, uma pedagoga que em uma de suas visitas à FEBEM conhece Roberto e insiste em sua recuperação. À medida que o menino conta sua trajetória para a pedagoga, Margherit – e o espectador – se envolvem em histórias trágicas que, com as observações de Roberto, ganham um aspecto ainda mais pessoal e fantasioso. O diretor valoriza esses momentos ao empregar uma trilha sonora e compor planos-sequências que alimentam o caráter imaginativo das cenas.

O Contador de Histórias, com estreia para o dia 7 de agosto, surge como um alívio. A visão pessimista da psicóloga sobre Roberto soa como um reflexo da nossa própria observação acerca do quadro social atual, em que muitos parecem “irrecuperáveis”. Para isso, a história de Roberto Carlos Ramos precisava ser contada. Enquanto isso, ele permanece contando outras.

trailer | clique aqui
mais informações | site oficial, imdb