harry potter e o enigma do príncipe [2009]

hpandthehalfbloodprince

A ideia de renovar diretores numa série longa como Harry Potter foi uma atitude acertada: a medida que a própria história se renova e evolui para um amadurecimento a cada filme lançado, uma nova visão e estilo também é inserido na narrativa pelo do cineasta da vez. Diretor de filmes como Esqueceram de Mim e Uma Babá Quase Perfeita, Chris Columbus foi uma escolha correta para os dois primeiros e mais infantis longas da série, ao passo que o mexicano Alfonso Cuarón, diretor do grande Filhos da Esperança, fez de O Prisioneiro de Azkaban, possivelmente, o melhor longa da série até o momento, já evidenciando uma forte mudança no rumo da história. Mas a troca nem sempre favorece, e Mike Newell foi a escolha mais questionável para comandar O Cálice de Fogo.

Até assumir o comendo de Harry Potter e o a Ordem da Fênix, David Yates era um nome pouco conhecido no cinema mundial e seu trabalho era basicamente em filmes para tevê e seriados. Mas curiosamente, Yates tem se revelado um diretor capaz de assumir uma franquia de peso como Harry Potter e neste novo capítulo, entrega as melhores cenas dentre toda a série e o trabalho técnico mais suntuoso que esta já recebeu. A cena inicial é a prova do potencial que a Yates depositou em O Enigma do Príncipe. Com uma escala de cinza que preenche Londres e torna a cidade quase monocromática, o diretor cria uma sequência de abertura que destoa de tudo que os espectadores presenciaram até o momento nos filmes do bruxo, seja quanto à técnica, seja quanto à proposta da cena.

Nessa força o filme se mantém na maior parte do tempo, ainda que aquele universo, ao menos para mim, acabe se saturando ao longo da projeção e a empolgação inicial desapareça ao fim da sessão. O roteiro de Steve Kloves, apesar de atrasar o ato final e fazer do enigma do título um mero detalhe da história – o que não é necessariamente um defeito -, é eficiente ao imergir não apenas o protagonista, mas toda a Hogwarts num estado de alerta e perigo, deixando evidente a ameaça de Lord Voldemort para o mundo de Harry, mas sem negligenciar as particularidades de cada personagem, como os romances que ganham fortes contornos e a tentativa de Ron participar do time de Quadribol, funcionando como um escape em meio à real natureza da história.

É raro vermos Harry Potter sem dividir a tela com Ron e Hermione; até quando o protagonista parece conversar apenas com um  outro personagem, a câmera revela nos planos seguintes que os dois  amigos estavam presentes em cena. Se esta relação sempre ficou evidente em cada capítulo e apenas se intensifica a cada lançamento, Dumbledore nunca pareceu tão fundamental para Harry como em O Enigma do Príncipe. É interessante notar o quanto cada personagem é fundamental para outro e, justamente por isso, a presença de Draco Malfoy com um cenho fechado em cena, sempre distante do ambiante onde se encontra, juntamente com seu relacionamento com o professor Snape se destoam dos demais e resultam num antagonismo direto à Harry.

Ao som da trilha de Nicholas Hooper, o qual realizou um trabalho tão eficiente quanto John Williams nos primeiros filmes,  Harry Potter e o Enigma do Príncipe deixa uma grande espectativa para as duas partes seguintes de Relíquias da Morte, com lançamentos previstos para 2010 e 2011, e cenas como a do ataque à casa dos Weasleys, o ponto máximo do longa, faz acreditar que a permanência de David Yates na direção faz bem para a série. Mas não foi dessa vez que a franquia ganhou um grande filme. De qualquer forma, a gente aguarda os próximos lançamentos…

nota_7,5+ informações | imdb, site oficial
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  1. Harry Potter nunca me empolgou muito ou despertou interesse suficiente para que eu fosse ver um dos filmes no cinema, tanto que nem sei quais nem quantos eu já vi, creio que foram três. Mas uma coisa sempre foi notável nos filmes da franquia, o aspecto visual, assim como acontece com L.O.T.R., e esse parece manter esse padrão, pela sua resenha. Apesar de não ser o maior entusiasta da série, tenho vontade de conferir todos os filmes, tenho que começar do começo de novo, então.. deve demorar pra ver o sexto, mas um dia chego lá.. hehe

  2. Estou bem curioso para saber o que eu acharei desse filme, afinal a crítica especializada gostou muito, enquanto os blogueiros desaprovam o resultado (ao menos a maioria). Espero ao menos que seja melhor que o último da série, que eu achei o pior até então…

  3. A parte técnica da produção, como os efeitos especiais e fotografia, confere de fato ao filme uma atmosfera ainda mais obscura do que visto anteriormente em outros títulos da série, mas o resultado final é lamentável de ruim. Eu adorei “A Ordem da Fênix” e aguardava por um “O Enigma do Príncipe” ainda melhor. Mas o filme praticamente preserva as mesmas coisas já vistas antes, com o diferencial de aqui tudo estar surrado. E é uma pena que seja necessário tanta enrolação para vermos alguma coisa de fato relevante acontecer somente na meia hora final. Eu também espero ansioso pelas “Relíquias da Morte”, mas somente a segunda parte. Já sei que a primeira deverá ser a mesma asneira…

  4. Vi o filme e concordo com muitos pontos de seu texto, apesar de ter gostado ainda mais do resultado final. Quanto à técnica, não há dúvidas que é um dos melhores do ano. A trilha é belíssima mesmo.

  5. Pingback: Filme da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  6. Quase me fez dormir… A crítica foi boa com esse filme mas achei o mais enfadonho de todos. Espero q os dois últimos filmes não sejam tão brochantes quanto esse!!


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