repo! the genetic opera [2008]

repo

A mente psicótica e sagaz de Darren Lynn Bousman está de volta após comandar três episódios da fastidiosa série Jogos Mortais. Na segunda, terceira e quarta [ufa!] continuação do filme do serial Jigsaw, o diretor se mostrou ágil com uma edição típica de videoclipes, câmeras nervosas, intermináveis travellings acelerados e pulsava terror e agonia em suas cenas. De original não tinha nada, mas funcionava. Esse estilo acabou desagradando pelo excesso: de uma boa idéia para os primeiros trabalhos, se tornou extremamente cansativo a medida que cada longa da série era lançado e aquela linguagem novamente seria utilizada. Sua carnificina retornou – dosada em quantidade, mas as poucas cenas são uma aula de anatomia humana -, desta vez, musicada.

Meu receio era Bousman transformar Repo! The Genetic Opera num extenso videoclipe, algo que saberia fazer muito bem – o resultado, porém, seria desastroso. Entretanto, as poucas semelhanças com seus trabalhos anteriores se resumem aos litros de sangue cenográfico utilizados e a fotografia em alguns momentos pode trazer uma leve referência quando investe em cores e luzes fortes. No mais, o diretor não arrisca e capta a cantoria sem malabarismos, deixando para o requinte visual e as vozes dos atores sobressaírem e cumprirem seus papéis. Logo após o prelúdio em forma de história em quadrinhos que resume o necessário para adentrarmos na narração, o designer de produção cria um universo próprio para o filme; é um novo tempo – “um futuro não muito distante” como é dito – e um novo mundo dominado pela escuridão, onde as cirurgias plásticas e a GeneCo – empresa que as financia em troca de um alto [quase sempre mortal] preço para a população sobrevivente da epidemia de falência de órgãos – emanam horror com seu domínio. Realçado pela fotografia e figurinos exóticos, o tom dark presente em cada cenário não torna apenas Repo! um longa atraente, mas é capaz de inserir o espectador num mundo diferente e próprio daqueles personagens.

O longa conta apenas com diálogos cantados, então nada de piruetas e números coreografados, um estilo seguido por boa parte dos musicais recentes. Composto de muito rock, o musical não possui nenhuma canção memorável, que faça o público sair cantarolando do cinema, mas há músicas excelentes como “Legal Assassin”, “21st Century Cure”, “Chase the Morning” e “I Didn’t Know I’d Love You So Much” que valem diversas conferidas mesmo sem as imagens. Ironicamente, a pior do elenco trata-se de Alexa Vega, a personagem principal do filme; sua voz é por diversas vezes irritante, ora beirando a uma mistura de Avril Lavigne com Hillary Duff [arrepiou-se?], mas consegue, apesar de tudo, fazer um bom trabalho. Porém, os maiores destaques ficam por conta de Anthony Head [sua voz me lembrou muito  a de Carl Anderson, o Judas de Jesus Cristo Superstar], dono da melhor voz do filme; Paul Sorvino, passando a autoridade e poder do personagem com seu tom grave; e Sarah Brightman, uma perfeita cantora lírica e a voz mais doce da obra. E não precisa temer Paris Hilton: ela está inofensiva.

Desta forma, Repo! possui mais acertos do que erros, os quais se tornam mais notáveis no último ato. Além de um desfecho corriqueiro e parcialmente vago [tudo indica que pode haver uma continuação], os últimos momentos do musical se restringem a tal Genetic Opera do título, que, ao ocorrer apenas num palco de teatro, não favorece o bom ritmo presente até então. Somente neste instante a cantoria causa um leve desconforto, já que o roteiro também não favorece, carregando tudo com revelações e conflitos que surgem e precisam se resolver antes que o filme termine. Apesar de uma sequência musical realmente ruim [“Seventeen”], Repo! The Genetic Opera é, no mínimo, interessante por unir terror e musical de modo harmônico, tornando-se um bom representante de cada gênero.

nota | 7,5
mais informações | cinema em cena, imdb

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    • suzi, não é não, baby. Mas como você gosta de coisa trash, nem seria problema pra você né? xD =*!

      Abel, hahahaha! Eu sei. Tava torcendo pra você não ler esse post. xD []s!

  1. “…e Sarah Brightman, uma perfeita cantora lírica e a voz mais doce da obra. E não precisa temer Paris Hilton: ela está inofensiva.”

    Jeff, por isso que te adoro! :D

    Fico muito feliz por você ter gostado do filme. O pessoal anda se precipitando demais declarando o musical de Darren Lynn Bousman como trash sem ao menos ter uma noção do que é o filme e das excelentes canções que há nele. Eu gostei muito da ópera do desfecho e a minha única queixa foi de que todo esse universo do filme não foi devidamente aproveitado. Mas as qualidades, que não são poucas, fazem toda a diferença.

    • Alex, não precisa ficar expondo o seu amor por mim aqui também. xD A única pessoa que sei que viu o filme, além de mim, é você, então desconheço a opinião alheia. Pelo menos nós dois gostamos, o que é um milagre, diga-se de passagem. hehe []s! hahahaha, coitado do Vinícius.

      Vinícius, hahahaha! Eu parei no Jogos Mortais 3, pois não aguentava mais, apesar de não achar ruim nenhum dos que vi. Veja sim, Vini, espero que você goste. A Sarah eu só fui conhecer no filme, a impressão foi muito positiva. []s!

      Kau, se você gosta, acho que não tem porque se preocupar. Eu também gosto bastante e achei as músicas muito boas. []s!

      Cleber, hehehe. É o problema com o texto ou com você? xD []s!

      Pedro, se gostar do estilo, recomendo. Irei lá ver, mas desde já obrigado. []s!

  2. Eu tenho MUITO medo de qualquer coisa na qual o Darren Lynn Bousman, ainda mais um musical!!! Mas você me convenceu a dar uma chance ao filme, que realmente não parece ser o horror que muita gente comentou. Só não gosto da Sarah Brightman, mas meu irmão é fã dela e até tive que ver um DVD inteiro da cantora dia desses (tortura)…

    Abraço!

  3. “Só não gosto da Sarah Brightman, mas meu irmão é fã dela e até tive que ver um DVD inteiro da cantora dia desses (tortura)”

    Uma pena que não temos homens Repo para arrancar os seus órgãos, Vinícius ¬¬

  4. Jeff, quero muito ver o filme. Mas me preocupo por ter somente diálogos cantados, mesmo AMANDO musicais. E tenho medo da Paris hahahahaha. É bom saber que ela está inofensiva. =)

    Abs!

  5. Putz, adorei o filme. Nem imaginava que era do diretor do Jogos Mortais, e juro que nem tinha notado a que era a infame Paris lá antes dos créditos.

    Acho que a música Seventeen (que eu também achei esquisita), era pra ser engraçadinha, não era pra ser levada a sério. Suspeito. Enfim, adoro musicais, e esse não me decepcionou. Adorei o visual.

    E, caaara, adorei muito o GraveRobber! Haha!


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