oscar 2009 | melhor roteiro original

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Eis a segunda categoria mais engraçada do ano. Só perde para Melhor Filme no quesito “como indicou esse filme e esqueceu daquele outro”. Por algum motivo desconhecido e bem distante da minha compreensão, os dois melhores – exato, melhores que os cinco indicados – roteiros originais ficaram a ver navios. O texto de O Lutador é um soco na cara [e isso não foi um trocadilho] por sua crueza e realismo, atributos ainda mais salientados pela direção de Aronofsky. Focando em Randy “The Ram”, entrega os pontos para uma profunda análise de seu personagem principal e o torna extremamente humano, crível, a ponto de estabelecer um relacionamento direto com o espectador a medida que este se adentra em seu mundo de  culpa,  fracassos, solidão e [tentativa de] reparos. É daqueles que se procura algum defeito e não acha. Este era o meu roteiro favorito até assistir The Visitor [seu título no Brasil será Aprendendo a Viver – por motivos óbvios, adotarei o nome original]. O filme é capaz de desenvolver cada tema que propõe e interligá-los de modo tão natural que não o sobrecarrega. Trabalhando o vazio existencial de Walter, o texto foge do óbvio ao usar a música como elo e sustento nas relações interpessoais, vista também como forma de comunicação e uma possibilidade de mudar o homem; o cenário para essa história de renovação é um EUA pós-11 de setembro dominado pela tensão e dotado de uma política rigorosa para os imigrantes, outro ponto muito bem trabalhado que serve inclusive como uma referência atual do país. Um roteiro perfeito, dosado, que jamais poderia ter sido desprezado pela Academia. Foi o pior desleixo da cerimônia do ano. Ao invés disso, essa mesma Academia escolhe o roteiro no pior estilo “sou ‘cabeça’ sendo engraçado” de Simplesmente Feliz. Nem Sally Hawkins consegue amenizar algumas cenas terríveis presente no texto, como uma logo no início, em que algumas personagens ébrias vociferam um diálogo inútil e vazio. Falta também naturalidade num texto que pretende – e precisa – soar realista, requisito que Rio Congelado possui com folga quando investe no drama da personagem principal. Mas não é perfeito, sobretudo, ao resolver alguns pontos da trama – para ser o melhor do ano, faz pouco. Na Mira do Chefe foi uma grande surpresa; é um trillher de primeira, com humor dosado, trama bem construída para entregar muito tiroteio no último ato, um leque de personagens exóticos que se encontram numa história envolvente passada em Bruges, lugar facilmente considerado como mais um personagem da trama – talvez o maior dentre todos. Mas a disputa se concentra entre Milk e Wall-E. Infelizmente, o primeiro foi uma grande decepção justamente por seu roteiro fragmentado e carregado de informações, que inclina-se muito mais para o lado político do que eu gostaria – e esse é um ponto totalmente subjetivo. Tenho sérios problemas com filmes políticos e acredito, por  conta disso, que minhas particularidades me impedem de apreciar o roteiro do filme. Sendo assim, o texto de Wall-E é o meu preferido dentre os cinco finalistas. Mesmo sem requerer a diálogos, a primeira parte da animação dá um apanhado geral da história [explica os acontecimentos que antecedem a atual situação, desenvolve os personagens e estabelece uma relação entre eles], a qual passa a ganhar um tom mais alarmante a medida que transcorre sem perder o foco em seu cerne, o principal diferencial do roteiro. Como a Academia não tem costume de premiar roteiros de animação, aposto na vitória de  seu principal adversário.

UPDATE: Fui muito bem lembrado pelo Vinícius nos comentários do roteiro de Vicky Cristina Barcelona. Como eu fui esquecer, não faço a menor idéia, já que é o meu preferido do ano passado. Grande furo! E ainda tem o de Queime Depois de Ler, mas irei permanecer com Na Mira do Chefe e fazer apenas uma nova modificação entre os indicados.

Trocando em miúdos…

| Os indicados
Milk – A Voz da Igualdade, por Dustin Lance Black
Na Mira do Chefe, por Martin McDonagh
Rio Congelado, por Courtney Hunt
Simplesmente Feliz, por Mike Leigh
Wall-E, por Andrew Stanton, Jim Reardon e Pete Docter

| O que mudaria
Sai: Milk – A Voz da Igualdade e Rio Congelado e Simplesmente Feliz
Entra: O Lutador, The Visitor e Vicky Cristina Barcelona

| Meu Oscar vai para…
Wall-E, por Andrew Stanton, Jim Reardon e Pete Docter

| And Oscar goes to…
Milk – A Voz da Igualdade, por Dustin Lance Black

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  1. É uma seleção horrível, visto que tínhamos outros filmes bem melhores para serem indicados na categoria. Destes aí meu favorito é “Wall-E”, mas acho que “Milk” leva.
    Um abraço!

  2. Nossa, gostei tanto de Simplesmente Feliz por completo. Claro, não merece vencer, mas não tiro os méritos. Rio Congelado já é um dos meus favoritos do ano e não fico menos feliz por estar aí. Na Mira do Chefe foi uma [grande] surpresa, mas não foi menos merecido também. Milk era óbvio aqui e Wall-E segue como meu favorito, ainda que eu concorde quando você diz que Milk será o vencedor. A ausência de O Lutador aqui é uma pena mesmo e ainda não assisti The Visitor (manteremos o título original por aqui), o que devo resolver logo.

    Abração!

    • Weiner, pois é! Academia e suas loucuras. Que bom outras pessoas acharem que Milk leva, pois apostei nele em um monte de promoção do Oscar. xD []s!

      Alexsandro, Rio Congelado eu gostei bastante [dei nota 8], mas Simplesmente Feliz achei sofrível, nem o trabalho incrível da Sally torna o filme agradável. Mas a maioria gostou né? Não sei como o filme foi recebido por aí. O Lutador de fora é imperdoável. Já disse onde tem legenda de The Visitor, é só baixar. xD []s!

  3. Bom, é quase certeiro que o OSCAR vá para o Dustin .
    Acho os roteiros de Mike Leigh excepcionais, este então … talvez seja o seu melhor … Não preciso nem falar de Wall•E .
    In Bruges é excepcional, já vi muita gente por ai torcendo por este … talvez só tirasse mesmo “Rio Congelado”.

  4. Até que gostei da seleção desse ano, mas realmente tínhamos filmes bem melhores e daí só indicaria “WALL-E” e “Milk” – e o contrário ocorreu comigo, pois aposto no primeiro, mas prefiro o segundo. Você sabe que gostei muito mais de “Simplesmente Feliz” que você, mas acho que essa indicação do Mike Leigh foi mais por seu histórico na premiação. Sem dúvida “O Lutador” foi bem injutiçado, sendo que provavelmente também indicaria “Queime Depois de Ler” e “O Casamento de Rachel” (e até gostei mais de “The Visitor” e “Vicky Cristina Barcelona” do que os outros três indicados da categoria). Abraço!

  5. Sabe que eu ainda acho que vai dar Wall-E? O prêmio de melhor roteiro original é quase sempre dado como um prêmio de consolação, outras vezes vai pro “independente” que fez mais sucesso no ano. Como não acho que Simplesmente Feliz e Rio Congelado deram tanto buxixo assim e nem acho que a Academia tenha algum filme que ela julgue precisar ser “consolado”(tirando os que ela não indicou) e como acho, sem dúvida alguma, que Wall-E é Too Much pra levar só animação, concluo que o robozinho leva mais esse careca viu, Jeff.


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