oscar 2009 | melhor mixagem e edição de som

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Duas categorias que não me sinto muito à vontade em comentar. Por serem extremamente técnicas e exigirem atenção e gabarito mais específico para uma avaliação mais precisa, julgarei por puro tato – neste caso, ouvido – e impressões imediatas tidas ao assistir aos filmes concorrentes.  Afinal, o que precisamos aqui é de muito barulho?! Mas vamos começar xingando a Academia. O que faz Quem quer ser um milionário? entre os indicados? Em Mixagem de Som, com esforço, dá até pra aceitar, mas concorrer a Edição de Som parece mais uma vinda diretamente do acervo de piadas que a Academia reservou para este ano. Pensando no filme, não me recordo de nenhum momento que justifique sua inclusão aqui, principalmente em ano de Speed Racer, James Bond, Hulk, Hellboy e, principalmente, Indiana Jones – pois ainda que seus olhos não tenham gostado de O Reino da Caveira de Cristal, aposto que seus ouvidos se divertiram em demasia na sessão do filme. Pelo menos, essas são estatuetas que o longa de Boyle não levará – e isso levemente me conforta. Surpreendi-me com a indicação dupla de O Procurado, mas foi uma boa lembrança, já que o seu som fez tremer minha calça no cinema – ainda que prefira os  esquecidos trabalhos citados acima -, assim como as explosões  de Homem de Ferro. A sonoplastia de O Curioso Caso de Benjamin Button ganha notoriedade principalmente nas cenas de viagem do personagem principal, mas, ainda que muito correta, no fim da sessão, o último aspecto do longa que pensei em elogiar era o som. O embate se dará mesmo entre Wall-E e O Cavaleiro das Trevas. Como tenho o longa do Batman como um dos grandes feitos do cinema recente, fica fácil para mim arrumar um favorito, mas afirmar qual é o melhor trabalho dentre os dois requer muito esforço. Ao mesmo tempo em que o vento batendo na capa do Batman quando este sobrevoa os céus de Gotham confere um realismo primordial ao filme e a sequência de perseguição no túnel seja um deleite para os ouvidos e todo o aspecto sonoro da obra seja perfeito, desprezar um trabalho do nível de Wall-E, repleto de particularidades e sons minuciosos, que dão vida à animação da Pixar, é um pecado. Não conseguiria finalizar o duelo sendo imparcial. Deixo a tarefa para a Academia.

Trocando em miúdos…

-> CATEGORIA MIXAGEM DE SOM

| Os indicados
Batman – O Cavaleiro das Trevas
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Procurado
Quem Quer Ser um Milionário?
Wall-E

| O que mudaria
Sai: Quem quer ser um milionário? e O Curioso Caso de Benjamin Button
Entra: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal e Speed Racer

| Meu Oscar vai para…
Batman – O Cavaleiro das Trevas

| And Oscar goes to…
Depois de muito pensar… Batman – O Cavaleiro das Trevas

|

-> CATEGORIA EDIÇÃO DE SOM

| Os indicados
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Richard King
Homem de Ferro, por Frank Eulnere Christopher Boyes
O Procurado, por Wylie Stateman
Quem Quer Ser um Milionário?, por Tom Sayers
Wall-E, por Ben Burtt e Matthew Wood

| O que mudaria
Sai: Quem quer ser um milionário? e O Procurado
Entra: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal e Speed Racer

| Meu Oscar vai para…
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Richard King

| And Oscar goes to…
Pensar muito não foi o suficiente para resultar num palpite convicto. Arrisco Batman – O Cavaleiro das Trevas me baseando nas premiações anteriores.

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  1. ‘Meu Oscar vai para…’
    Adorei isso… vai convidar pra festa?

    sem palpites no momento… ‘O curioso caso’ foi o único que vi e meus ouvidos não tem do que reclamar… mesmo porque não estão muito apurados…
    Mas pelo q já ouvi de Batman [e não foi pouca coisa, inclusive acho que esse se tornou o principal motivo d’eu não ter visto ainda], não seria nada mau se levasse…

  2. Já eu acho as inclusões de “Slumdog Millionaire” e “Benjamin Button” em mixagem muito apropriada. O design de som em ambos tem uma harmonia perfeita com outros elementos sonoros do filme, como a trilha. Acho que “O Procurado” é que não merecia nenhuma das indicações, pois seu trabalho é extremamente convencional do gênero (pode pegar qualquer blockbuster do verão cheio de tiros e explosões que não se verá muita diferença). Acho que “WALL-E” leva um dos dois, e “O Cavaleiro das Trevas” o outro (talvez edição).

  3. Oi Jeff, o filme do Antonioni apesar de ser linear é de difícil acompanha-lo realmente. Nos primeiros minutos que vi pela 1a vez, ameacei tirar um cochilo, mas o resto do filme me recompensou.

    PS: Não consigo te adicionar nos meus favoritos, fica um espaço em branco apenas.

  4. comofass ver um filme e prestar atenção no som, gente??? UHSUHSUHSUH eu devo ser o único que comenta aqui com coisas nada nada construtivas. Eu vi “O Procurado”, eu rialto com a bala que mata todos de uma vez no final do filme. Mas eu lembro que nessa parte tudo é mudo e em câmera lenta, né? xDDDDD Eu não sei pra quem vai o Oscar de mixagem e edição de som, mas de som em geral no Grammy eu entendo um pouco, serve? .-.

  5. Essas são duas categorias das quais sou bem indiferente. Mas fico com o trabalho de “O Procurado”, do qual se destaca bastante nos quesitos de som.

    Ah, e tu vai conseguir terminar esses seus comentários antes do Oscar? :P

  6. Fala Jeff,

    Depois de muito tempo assisti “quem quer ser um milionario” e mesmo sem saber se um dia você ira ler, preciso deixar aqui meu depoimento:
    Começo com uma frase sua citada dizendo que a categoria de som (mixagem e edição) seja extremamente tecnica, hoje existem muitos filme com sound designer, O termo Design de som surgiu com Walter Murch para o filme Apocalipse Now, já que segundo Walter, a sua tarefa era semelhante a de um designer de interiores que tem que preencher uma sala com móveis de maneira inteligente e eficaz. Assim, ele deveria prencher um ambiente só que com som, de forma que o espectador na sala de cinema tivesse a sensação de estar dentro do filme. Assim, Walter utilizou um sistema quadrifônico, ou seja, 4 canais de áudio ( 2 esquerdos e 2 direitos). Vale lembrar que o aparelho de som que você tem em sua casa é bifônico, ou seja, tem 2 canais de áudio (1 esquerdo e 1 direito). Já o sistema montado por Walter, permitia com que por exemplo se em uma cena, um tiro de arma é feito da esquerda para a direita, o som apareça também da esquerda para a direita, cobrindo os 360 graus da sala de cinema. O designer de som às vezes tem que sair fora de estúdio, por exemplo, para gravar ruídos de carros para as cenas que ocorrem no interior de carros, uma vez que normalmente, os carros são transportados juntamente com o carro da câmera e assim não tem som. O termo Design de Som também significa criar um som que não existe, ou não pode ser criado em um estúdio de Foley. Assim, é por exemplo, o rugido de um dinossauro. Como os dinossauros não existem mais, é preciso criar um som que represente este dinossauro. Basicamente, existem 4 formas de se criar um som:1) modificando um som existente – por exemplo, modificar o rugido de um leão. Normalmente para modificar um som pode-se reverter, isto é, tocar o som ao contrário. Outra forma é alterar a sua freqüência, o que normalmente é feito abaixando ou aumentando 1 ou mais oitavas. Mas o que é freqüência e oitava? Freqüência diz respeito se um som é agudo (alta freqüência) ou grave (baixa freqüência). Oitava é um intervalo de oito partes (ou graus) entre um som com freqüência F e o seu som correspondente acima ou abaixo, sendo que o som acima tem o dobro da freqüência do abaixo. Assim a nota Dó uma oitava acima do Dó padrão tem o dobro da freqüência deste Dó. A nota Dó uma oitava abaixo do Dó padrão tem a metade da freqüência deste Dó. Então, abaixar uma oitava significa diminuir a freqüência pela metade e o som fica mais grave e mais demorado. Aumentar uma oitava significa aumentar a freqüência em 2 vezes e o som fica mais agudo e mais rápido. Normalmente, isto é feito gravando um som (que é um “sample” ou seja uma “amostra”, por exemplo, um rugido de leão) e depois é utilizado um aparelho chamado SAMPLER que varia a freqüência deste som através de um teclado musical. Assim, conforme se aperta certas teclas deste teclado, o som aumentará ou diminuirá 1 mais oitavas, criando várias entonações do mesmo som.

    2) misturando sons existentes – por exemplo, juntando o rugido de um tigre com o de um leão.

    3) criar realmente um som – seja com a boca (som gutural), seja com o computador ou outro aparelho.

    4) juntar 1 ou mais das 3 formas anteriores.

    o que vem acontecendo é de diretores passarem por aperfeiçoamento de suas habilidades em contar estórias com liguagem sonora. Cito um momento interessante em ‘Kill Bill 2″ qdo a “Uma Thurman” vai ser enterrada pelos capangas de Bill. Apos a ultima martelada em seu caixão quando tudo fica escuro e ela ainda tem uma lanterna, Tarantino poderia muito bem com um simples corte contar sua agonia de ser enterrada e de como fugir dali com imagens mas numas das mais interesantes atuação de desenho sonoro, sem imagem alguma vc ouve o caixão sendo arrastado para o buraco, arremessado no buraco, jogando terra em cima do caixão e não satisfeito tem som do carro ligando e saindo com efeito panorâmico ( o som do carro liga no centro e num grau de velocidade de 20km o carro vai a sua direita da tela até que saia da sala de cinema ou em seu Home theater)

    para mixagem podemos dizer que toda a relação entre trasiçøes de musica com dialogos e efeitos sonoros num alinhamento de o que o estectador deva sentir no momento da cena é controlado por um mixador, sendo de susto a tristeza apenas usando uma musica ou um efeito sonoro.
    para edição podemos dizer que todo som contruido e escolhido para cada objeto personagem, ambiente, trasições de planos, cenas são feito por essa categoria.
    Para um som construido vaia dica do homem areia do filme “Homem aranha 3″ onde foi gravado sons de graos de arroz, areia, cereais, farelos … foram mais de setenta sons juntos para que resultasse em um unico som, o som do personagem virando o homem areia (na mesma cena vale apena conferir tambem o som escolido para o propulsor eletrico girando envolta do homem areia) assim tambem como um som muito famoso escolhido e de sensacional resultado o som de guerra nas estrela”” editor de som, Ben Burtt, criou o som dos tanques de guerra flutuantes MTT (Multi Troop Transport) movimentando um barbeador elétrico em uma bacia de metal. Depois com computador diminuiu a freqüência do som e acrescentou outros efeitos, como o efeito Doppler.

    Para criar os ruídos do tornado no filme Twister do diretor Jan deBont, Gregg Landaker e Steve Maslow da Universal usaram como inspiração os relatos das vítimas sobreviventes de tornados. Segundo as vítimas, os tornados soavam como motores a jato, porcos guinchando e leões rugindo. Ou seja, tudo que foi utilizado na composição final do filme. Gregg e Steve usaram até 800 tipos de sons para cada tornado. Gregg e Steve elaboraram efeitos de sons distintos para cada um dos cinco tornados principais tornados do filme. “Precisamos separar as freqüências para que o diretor pudesse dizer: ‘Está muito sibilante, quero sons mais animalescos’. E deste modo conseguimos manipular os sons durante todo o filme e fazer todos os cinco tornados com sons diferentes”, diz Steve. “Os primeiros tornados soávam como locomotivas, trovões, ventos de baixa freqüência” (colocar som), diz Gregg. “Aqui nós temos mais do seus ventos de alta velocidade que trazem a velocidade para a sala” (colocar som), diz Gregg. “O grande tornado monstruoso foi de todos os outros elementos usados nos tornados anteriores” (colocar som), diz Steve. A fusão de motores a jato e de guinchos de porcos com rugidos de leões e trens de carga completou a visão de deBont de uma força irresistével da natureza com a sua própria personalidade.

    Não é artistico?

    • Caro, Gabriel. Muito obrigado pela aula. hehe Foi muito interessante tudo que você falou – e ainda citou uma das melhores cenas de Kill Bill. Há um extra muito interessante no DVD de Wall-E que tem muitas dessas curiosidades sobre edição de som. É realmente artístico. []s!


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