o curioso caso de benjamin button

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David Fincher é um diretor bem sucedido em sua carreira e por ela tem se consagrado como um dos grandes cineastas americanos da atualidade. E não à toa. Ainda possui uma filmografia curta, mas Fincher foi sempre muito feliz em suas realizações; até agora – e isso inclui o seu novo longa – não fez um filme menos que bom – e outro excelente [leia-se Clube da Luta]. Não só isso: vem mantendo um cinema com estilo particular, revestindo ótimas histórias de suspense psicológico com um apuro técnico requintado. Seguindo por um caminho distante de suas obras anteriores, o diretor opta desta vez abandonar o clima tenso e frenético  para filmar lentamente [não no sentido pejorativo] com o coração uma história sobre amor e tempo.

O Curioso Caso de Benjamin Button fala sobre vida e morte de uma maneira linda enquanto narra a história de amor mais delicada que já assisti no cinema. É uma fábula de temas complexos e abstratos que são trabalhados ao longo de 166 minutos nada cansativos. O próprio personagem de Benjamin Button possui em sua natureza incomum cada tema da história, funcionando por si só como uma pequena analogia do todo; em sua morte possui o início da vida e sua vitalidade é oriunda do tempo.

Além de um roteiro rico em significados e repleto de sentimentos, o filme é um agrado para os olhos e ouvidos. A trilha sonora de Alexandre Desplat mostrou-se digna de todos os elogios que vem recebendo. Acrescento como uma das maiores qualidades do filme por ser dessas que valoriza e leva para outro patamar as imagens que vemos. E o que vemos é a busca de um diretor por imagens perfeitas. A fotografia não só é bela como dita a atmosfera ideal para cada fase do filme –  e o mesmo vale para os figurinos e direção de arte -, variando do sépia escuro até os tons mais claros que vão ganhando espaço com o decorrer da história. Aliás, Fincher apenas encabeça uma ficha técnica de excelentes artistas. A maquiagem e os efeitos visuais dão vida à fábula de Button e não consigo imaginar como o filme seria eficiente se não contasse com a qualidade desses dois recursos.

Brad Pitt há anos se mostra um ator capaz de interpretar qualquer personagem que se submeta a realizar, basta fazer um retrospecto nos seus últimos trabalhos para notar a disparidade entre eles. Se ainda restarem dúvidas – o que acho difícil -, Benjamin Button é a prova que faltava. Com sua vida em sentido retardado, o ator atravessa cada fase da personagem de forma competente, fazendo-nos sentir o drama e a dimensão de  sua particularidade. Por sua vez, Cate Blanchett em sua primeira cena surge renovando as forças do filme e dá início aos melhores momentos do longa – e, como consequência, aumenta minha paixão por ela, que nunca esteve tão linda. Blachett entrega uma interpretação do mesmo nível que a de Pitt e não entendo a ausência de seu nome nas premiações da temporada. Da mesma forma, o painel de personagem na trajetória de Button conta com um elenco competente por trás, o qual merece tantos elogios como seus protagonistas.

O Curioso Caso de Benjamin Button é um filme belíssimo da primeira a última cena, porém, não tão tocante quanto eu espero que um filme seja. E, apesar de ser David Fincher com uma narrativa admiravelmente poética, podia-se esperar mais emoção.

nota | [sim, era 8,5]
mais informações | imdb

Obs. 1 | Como Slumdog Millionaire conseguiu desbancar o filme no Globo de Ouro?! É mais uma dessas coisas inexplicáveis de qualquer premiação.

Obs. 2 | No fim da sessão, tive o privilégio de ouvir uma pérola em meio a uma conversa entre duas pessoas que também saíam da sala. Um comentou que o filme “é uma mistura de Forrest Gump, O Homem Bicentenário e Titanic“. Meio equivocado, mas engraçado.

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  1. Jeff, acho que para um filme tão caro como este não trazer a emoção esperada é um grande risco, que pode trazer a decepção por mais que todo o trabalho técnico seja de ponta. Acho Brad Pitt somente um ator correto, que sabe escolher bons projetos para trabalhar, mas que poucas vezes se sobresai. E não tenho interesse em ver “Benjamim Button”, não nos cinemas (e olha que traz Cate Blanchett, Tilda Swinton e Julia Ormond!).

    • Alex, apareceu a margarida! xDDD Tecnicamente é perfeito, mas concordo, dá para sair desapontado do cinema. Foram poucos os momentos que realmente me senti tocado de verdade, e esse acaba sendo o maior problema do filme. Já eu saí debaixo de temporal ontem para ir assistir. hehe Depois que começaram a falar muito bem [estava BEM desanimado antes], fiquei ansioso. []s!

      O Cara da Locadora, nem vi problemas no filme, na história e tudo o mais, acho que ele só deixa a desejar mesmo. Quando escrever irei lá comentar! []s!

      Dari, que comentário pertinente. xD É, você deve ter razão, mas você também não falou nada sobre as “palavras”, então não está completamente correta. xD Beijos!

      Vinícius, Slumdog também não me fez sentir muita coisa, então acabo preferindo Benjamin Button como um todo. Mas o prêmio que o filme merece mesmo é trilha sonora, e esse Slumdog não poderia ter tirado. Mas enfim né… []s!

      Lauro, ê, que bom! ^^ Não é pra tudo isso, mas obrigado. xD []s!

  2. Oi!
    =D

    7, 12 e 13. Essa é sua sequência de número de linhas de cada um dos 3 parágrafos, sobre aspectos diversos do filme… leia novamente, e veja sobre o que trata cada um deles, e aí…

    dê-me razão!

    =*

  3. Achei o “Slumdog Millionaire” bem melhor, ao menos senti algo com aquele e com esse apenas assisti uma bela história – algo que concordo plenamente com seu texto. Fincher já fez melhores, mas manteve um ótimo ritmo aqui. Abs!

    • Kau, bem, diria que isso é um equívoco da sua parte. hehehehehe Apesar da nota alta [porque eu realmente gostei do filme], falta muito para eu classificá-lo como obra-prima, mas muito mesmo. Quanto a trilha, você sempre esteve certo. hehe []s!

      xarao, por essas coisas sim, sem dúvida. E ele falou em tom de brincadeira, mas claro que sabemos que são filmes completamente diferentes. Valeu a visita! []s!

      Lucas, mas calma, não vá com muita sede ao pote. Eu gostei mais, mas saí um pouco desapontado do cinema justamente a essas tantas críticas positivas ao filme. Quando assistir, irei lá no seu blog saber o que achou. []s!

  4. É um belo filme. E sabe que também ouvi a comparação com o Titanic? E confesso que não achei tão equivocada, talvez pela narradora idosa, pela cena do relógio, o alagamento. Enfim, mais pessoas comentaram. Agora quanto a Forrest Gump, não tem como não comparar.
    Abraço!

  5. cada blog que eu leio, vejo mais e mais comentarios positivos sobre o longa. gosto mto da blanchett e devo admitir que pitt recentemente nao teve trabalhos mto notáveis. nao assisti a “button” ainda, mas estou ansioso.

  6. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 1 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos


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