rapidinhas

Pagando Bem, Que Mal Tem?, de Kevin Smith [2008]

A primeira tentativa do filme em fazer rir  – a cena do saquinho para aquecer as mãos [e não somente elas] – é triste. Pensei que Kevin Smith havia voltado em sua pior forma, tendendo mais para o lado de O Império (do besteirol) Contra-ataca. Mas o humor apelativo se resume única e exclusivamente a esse momento, pois durante a sessão eu gargalhei como há muito tempo não acontecia – e olhe que o recente Queime Depois de Ler já havia me garantido boas risadas. Smith insere um amontoado de referências pops num plot promissor que só precisava ser bem trabalhado para ser eficiente – é justamente esse o ocorrido. Diálogos engraçadíssimos são ditos no tom e ritmo certo por um elenco que insere o espectador na história rapidamente e compõe um cardápio de  personagens bizarros – e com a simpatia de cada um fica mais fácil se divertir com tudo o que vemos. E quando tudo podia ficar meloso demais, o diretor e roteirista parece brincar com os clichês de filmes românticos e tira disso momentos ainda mais hilários, sem se levar à sério demais e sem mudar o teor cômico presente em todo o tempo [como não aconteceu com Click, lembra-se?]. Há inúmeras cenas inesquecíveis – não cito a minha preferida para não estragar a surpresa – tão engraçadas quanto uma troca de palavras entre um personagem e outro. Dá para se divertir de qualquer forma.

nota | 8,5

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Rumba, de Dominique Abel, Fiona Gordon, Bruno Romy [2008]

Basta olhar para o cartaz de Rumba para ter idéia do visual que nos aguarda. Figurinos e cenários de cores fortes e contrastantes no melhor estilo Almodóvar estão presentes em cada cena desta comédia francesa encantadora, a qual, desde já, é uma das melhores surpresas do cinema europeu do ano. Vê-se um figurino azul primário contrapondo-se a um ponto de ônibus amarelo berrante ou um vestido vermelho intenso num ambiente dominado por um azul claro; e por essas características, parece que cada cenário foi ampliado de uma animação de stop motion para residirem dois personagens que parecem pertencer a uma natureza diferente da nossa. E é justamente isso: assistir a Rumba é entrar num universo paralelo e encarar um cinema cheio de influências, porém, nem por isso, menos peculiar. Um varal repleto de roupas coloridas, por exemplo, não é destruído após um incêndio; em Rumba, ele continua erguido, mas o colorido das roupas, as quais permanecem intactas e na mesma posição antes dispostas,  é substituído por um preto tão intenso quanto o das cores anteriores. Da mesma forma fantasiosa e ingênua do universo físico do filme, o humor presente na obra bebe da fonte de Chaplin e Irmãos Marx, mas um toque de humor negro em alguns momentos deixa tudo muito mais engraçado. E rir com as situações antológicas e das gags dos dois brilhantes atores – que também assinam a direção e roteiro do filme – é tarefa fácil quando adentramos a esse mundo próprio do longa – sem exageros, eu quase chorei de rir, mesmo que algumas piadas por vezes se arrastem em demasia e fiquem um pouco previsível. Mas, além de tudo, Rumba é uma tremenda prova de que apenas com imagens se pode narrar uma história de forma brilhante.

nota | 8,5

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Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves [2008]

Agora realmente serei rápido pois só tenho três coisas a dizer. 1) O documentário é só e somente só um amontado de cenas de arquivo da banda, desde seus primórdios até os dias atuais, que foram editadas e agrupadas num único filme para serem exibidas no cinema; 2) É um documentário feito para fãs; e 3) Eu não gosto da banda e por isso achei uma chatice.

nota | 3


Obs. 1 | Branco Mello é um homem extremamente egocêntrico. Ele assina a direção do documentário junto com Oscar Rodrigues Alves, mas nos créditos do filme e no próprio cartaz, o famoso “Um filme de” leva apenas o nome de Mello. Vá entender!

Obs. 2 | Um fato curioso – e óbvio – que queria compartilhar. Assisti Rumba logo após Pagando Bem, Que Mal Tem?. Duas comédias completamente diferentes em todos os aspectos, principalmente o tipo de humor presente em cada uma, mas que me fizeram rir com mesma intensidade – e levaram a mesma nota, como notaram.

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  1. Primeiro! xDDD

    É impressão minha ou você estava de bom humor nesta sexta-feira? Não estou acostumando em ver você elogiando tanto uma comédia. Só Kung Pow, que depois, bem, depois a opinião mudou, né? huahuahuhuahua

    Me interessei bastante em “pagando bem, que mal tem?” Quero ver.

    • Leonardo, segundo! xD Impressão sua, cara. Eu sou bem chato para comédia né?, mas essas duas aí são muito boas, de verdade. Pensei que fosse se interessar por Rumba também. hehe Se ver qualquer um dos dois, me avise, pois tô com muita vontade de ver novamente. []s!

  2. Jeff, eu odiei o trailer de Zack and Miri Make a Porno. Achei bem sem graça e até bobinho, sabe? Não é o tipo de filme que me agrada. Vou esperar em DVD.

    Rumba parece MUITO legal! Gosto de filmes visualmente fortes, estilo Almodóvar e Cassavetes.

    Abraços!

    • Kau, não sou chegado a comédias e a premissa de Zack and Miri tinha tudo para resultar em mais um filme babaca e de mau gosto do gênero. Porém, acontece justamente o contrário. Bem, ao menos veja em DVD, já é alguma coisa. hehe []s!

      Vinícius, ele voltou com tudo, pode acreditar. Tomara que se divirta tanto como eu. E eu só gosto de 3 músicas do Titãs! Seria difícil eu me interessar pelo assunto… []s!

  3. Gosto muito do cinema do Kevin Smith e fiquei mais ansioso após seus comentários, acho que esse será mais outro acerto do diretor. E interessante sua observação sobre o outro filme, é ótimo quando isso acontece – dois ótimos filmes em seguida. Esse documentário tem cara de não ser muito bom mesmo, vou passar! Abraços.

  4. Confesso que ri bastante em “Pagando bem, que mal tem?” apesar de ter lutado bravamente..
    Rumba é muito fofo.. e ainda tive uma aula de dança!! huahuahauhau
    Não sou fã da banda.. mas curto o som deles.. e foi legal ver o Nando novinho.. e os ensaios.. e tals. Gostei.

  5. Pingback: cinema 2009 | 10 melhores filmes «


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