quase dois irmãos

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Por algum motivo, não se ouve falar muito em Quase dois irmãos quando o assunto são filmes que retratam a atual violência carioca. Desconheço o porquê de uma falta de reconhecimento maior por parte do público,  o qual pode até reconhecer suas qualidades, mas não o venerou como foi com Tropa de Elite e Cidade de Deus. E ainda que este longa não tenha um personagem tão marcante como Capitão Nascimento nem um nome de peso na direção, Quase dois irmãos possui virtudes de sobra para ser um ótimo filme – e também repercutido.

Mesclando três épocas diferentes da vida de seus dois personagens principais [nos anos 70, interpretados por Caco Ciocler e Flávio Bauraqui, ambos excelentes por entregarem atuações naturais e intensas], o filme de Lúcia Murat investe na história da amizade entre eles para retratar momentos distintos do Rio Janeiro – temporalmente, pois o grau de repressão e hostilidade é o mesmo, podendo variar apenas os agentes. Por mais que possa quebrar um pouco o ritmo do filme, todas as fases tem sua importância na trama, ilustrando bem o ciclo de violência presente na cidade – o qual não terminará “tudo bem” como informa uma personagem no último minuto do longa, e por isso o final não me agradou, parecendo uma tentativa frustrada e frívola de gerar um otimismo no espectador após mostrar toda a realidade brutal -, mas são os momentos na prisão, tecnicamente perfeitos e realistas, que contribuem para um resultado acima da média.

O samba é usado como trilha sonora e como um possível elo para unir dois  díspares grupos sociais coincidentes num mesmo espaço geográfico. Quase dois irmãos retrata apenas um mínimo deste conflito de forma competente e é capaz de inquietar quem o assisti. E só em pensar que isso está tão próximo da minha realidade, chega, como sempre, a assustar.

nota | 8
mais informações | adorocinema, imdb

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  1. =D
    assista ‘notícias de uma guerra particular’… nada
    como um bom documentário após um bom filme quando ambos tratam
    das mesmas questões…

    espero que esteja tudo bem com o meu dvd… espero!

    bj

  2. Jeff, não sou ufanista, mas adoro o bom cinema brasileiro. Cidade de Deus é visualmente impressionante, mas não gosto do roteiro. Em verdade, me irrita os cineastas ficarem batendo sempre na mesma tecla: violência na favela. De fato, nunca ouvi falar deste filme que vc comentou, mas parece ser interessante.

    Abraços!

  3. Confesso que pouco tinha escutado falar desse “Quase Dois Irmãos” antes de ver seu comentário aqui. Entretanto, fiquei mais interessado em conferir agora, até porque a dupla de protagonistas é muito boa. Abs!

    • Camilla, hehehehe. Pois veja, acho que tu vai gostar. =* PS: xD mas isso é bom, não? Tá, não em excesso.

      Dari, ou melhor, querida Dari, o seu DVD de Notícias de uma guerra particular resolveu parar de funcionar faltando 10 minutos para o término do filme. Eu te xinguei um pouco na hora, confesso, pois estava gostando muito. E sim, eles estão bem – ou melhor, estão no estado como me entregou. =*! E traga presentes. xD

      Kau, somos dois então, e tenho buscado conhecer ainda mais. Eu preciso rever CDD urgentemente! Quando vi pela primeira vez não gostei, mas isso faz tempo, quando nem gostava muito de cinema. Hoje posso ter uma outra impressão. Cara, isso me incomodava um pouco, mas se vermos bem, nem é tanto assim; porém, são justamente esses filmes que ganham uma repercussão enorme, em crítica, público e fora do país. E esse é um assunto muito pertinente se tratando de Brasil, esse tipo de filme é só um reflexo da nossa realidade. []s!

      Marcel, obrigado pela visita. Acho que foi o melhor trabalho dele que vi. E vale a pena, cara. Espero que ao menos goste. []s!

      Vinícius, ainda que ambos estejam excelente, prefiro a atuação do Flávio Bauraqui. Como disse para o Marcel, vale muito a pena, cara. E é fácil de achar. []s!

  4. Jeff, via direto o trailer deste filme sempre que em metia em alugar algum título da distribuidora Califórnia Filmes. Mas como trata de um tema, conforme o Kau disse, repetitivo não me interessei por ele. E que legal você estar dando destaque ao cinema nacional. Já viu “Jogo Subterrâneo”? É o meu filme brasileiro predileto.

    Abraços!

    • Alex, tem favela e tudo mais, mas possui um enfoque diferente também. É o seu preferido?! lol Nunca ouvi falarem bem dele, mas agora irei ver e depois te digo. Meu preferido é Lavoura Arcaica – obra-prima, Alex. []s!

  5. Pingback: maré – nossa história de amor [dir.: lúcia murat, 2007] « receio de remorso

  6. Exelente filme, Vivi uma boa parte dessa realidade, ora na minha amada Ilha Grande nos anos 70, ora na minha Profissão de Profissional do Cárcere, completa bem “CDD,400 CONTRA 1, MADAME SATÔ


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