quanto vale ou é por quilo?

Em relação a cinema, fiz duas promessas para 2009: 1) priorizar filmes que já deveria ter visto há muito tempo, de diretores cultuados e obras marcantes para a arte do cinema [acredite: nunca assisti …E o Vento Levou] e 2) ver o máximo de filmes nacionais possíveis, tanto estréias como os já lançados. E para a segunda promessa, a intenção é dar um espaço maior aqui no blog, onde postarei um comentário sobre essas obras brasileiras conferidas. Todas serão agrupadas na sub-categoria brasileiro. E darei o pontapé inicial com este post.

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quanto_vale

Na planilha em que anoto os filmes assistidos do ano, há, entre outros, o campo “gênero”. Ao cadastrar Quanto vale ou é por quilo? o cursor ficou piscando no seguinte campo durante um certo tempo, pois enquadrar a obra de Sérgio Bianchi num único gênero pode não ser tão simples como a tarefa costuma ser. Não são poucos os longas que passeiam entre os diversos gêneros do cinema, mas no caso de Quanto vale, o documentário e a ficção se interligam de tal forma que se tornam uma única coisa – o que, neste caso,  não me agradou.

Além da montagem, dos atores se dirigirem para a câmera ao falar,  há um narrador com voz tendenciosa que fortalece esse aspecto de documentário. A narração quando não se apresenta desnecessária – como na maioria dos casos – por informar nada além do que as imagens mostram, acrescentam  informações de maneira bem didática e prática para situar melhor o espectador nas histórias apresentadas. Por sua vez, essas histórias mesclam o tempo da escravidão e os dias atuais para dizer que mais de um século não foi o suficiente para mudar alguns aspectos no nosso país. Hoje, o pobre ainda é usado como produto e, como é típico da nossa terra, há uma outra massa se beneficiando em demasia com tudo isso. Enquanto uns continuam mercadoria, outros continuam mercadores.

O longa é eficiente ao ligar as histórias que atravessam épocas e apresentar questões pertinentes sobre a realidade do Brasil, mas não foram poucos os momentos que pensei estar assistindo a uma daquelas simulações do Linha Direta. Pois falta um apuro técnico e sobra elementos que não favorecem o filme. É um cinema rico e realista por discutir uma solidariedade desprovida de qualquer altruísmo permeada no estado atual do país, mas com um estilo, no mínimo, questionador.

nota | 6,5
mais informações | adorocinema, imdb
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  1. Muita gente fala mal desse filme, particularmente não tenho interesse em vê-lo (apesar dos pontos positivos que você comentou também). E fui ver “…E o Ventou Levou” há pouco tempo, e foi uma grande decepção, hehehe. Ótima semana!

  2. jeff, boa observação. Essa deveria ser uma promessa de todos bons cinéfilos, o cinema brasileiro tem muito a nos oferecer. Não vi esse filme mas sempre prometo ver os brasileiros que estão em cartaz, salvo aquelas comédias bestas da globo. Quanto aos filmes que ja deveria ter visto há muito tempo, estou contigo. Mas estou me redimindo aos poucos, já vi Cantando na Chuva os dois Poderoso Chefão e alguns que estão pra ver. Ah, também nunca vi E O Vento Levou…

    • Vinícius, por incrível que pareça, uma coisa que sempre me chamou atenção nesse filme foi o título, que acho bem legal. Engraçado, porque eu sempre ouvi elogios para o longa, mas como percebeu, não me agradou muito. E o Vento levou uma grande decepção?! Atiçou minha curiosidade. hehe []s!

      Robson, espero que ao menos seja uma promessa cumprida por mim – neste caso, só a intenção não conta. Bem, fui “obrigado” a ver Se eu fosse você 2, um que, como você, deixo passar sem remorso. É, temos que resolver esse problema em breve. hehe Já estou com Lawrence da Arábia aqui, outro pecado meu. []s!

  3. =P
    vc é chato…
    mas acerta… e isso irrita…

    =D

    Ah, simulação ‘linha direta’ foi legal…
    tb lembrei disso…
    mas no mais, 6,5 é covardia..

    bj

    • Dari, nossa, um comentário direto do Sul! Sinto-me honrado. xD Uhm, então pelo visto nossas impressões do filme não foram muito diferentes. E fui até muito bonzinho com esse 6,5, talvez mereça menos. =P =*! E traga presentes. hehe

      Kau, hahaha! Então diante disso, é melhor nem fazer. O melhor já feito?! Ainda não vi, mas acho difícil ser o melhor. hehe E não sou eu que direi para ver com muito entusiasmo, Kau. []s!

  4. Jeff, não consigo fazer promessas hahahahahaha, juro! Enfim… assista E o Vento Levou! Quer saber? Pra mim, é o melhor filme já feito.

    Sobre o filme do qual comentou, não vi. Mas me falaram muito mal dele.

    Abraços!

  5. Bem, em 2008 vi muita coisa que deveria ter visto há tempos, então este não é um dos meus objetivos cinéfilos para 2009, rs.

    Eu confesso que sempre tive uma grande curiosidade por ver este longa e elas aumentaram muito quando vi em dezembro “Cronicamente Inviável”, do mesmo Sérgio Bianchi desse “Quanto Vale ou É Por Quilo?”. E o bacana é que dá para notar que, assim como “Cronicamente Inviável”, este filme um pouco mais recente do diretor mescla a situação de muitos personagens.

    • hahahaha O meu caso é o contrário, Alex. Acho que está na hora de eu conhecer de verdade alguns diretores/filmes ao invés de só ouvir falar ou ler sobre eles. Em ‘Quanto vale’ os mesmos atores interpretam personagens diferentes de épocas diferentes, mas com situações parecidas, como uma analogia. É interessante essas ligações – o final até tem algo legal em relação a isso. []s!


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