cinema dose dupla

Quando as coisas estão a meu favor, quarta-feira é dia de dose dupla no cinema. Ontem foi um desses dias.

Orquestra dos Meninos, de Paulo Thiago [2008] – nota: 5

Na minha vontade em assistir mais filmes brasileiros no cinema, a bola da vez foi Orquestra dos Meninos, o qual, dentre os nacionais que conferi este ano até o instante, sinto em concluir ser o mais fraco – Encarnação do Demônio corre por fora pois seria covardia, já que nenhum filme consegue superá-lo no quesito mediocridade. É fraco por ser problemático, ainda que possua uma história [carregada demais no terceiro ato ao meu ver] bonita em sua essência.

Seu início deveras fragmentado dificulta a fluidez da história, dificulta o envolvimento do espectador com o vê, começando o filme a se desenvolver com um amontando de pequenas cenas que demoram para dar uma liga. Um reflexo do roteiro, elemento repleto de situações e conflitos que ganham rapidamente sua vez na tela para serem abandonados no instante seguinte. Ver a conclusão da trama se dar por anúncio de programa de televisão foi o atestado de uma má construção de roteiro – e a direção não consegue isso inibir.

Gostei do trabalho do Murilo Rosa, mas no fim das contas, o melhor de Orquestra dos Meninos acaba sendo a música e ver um grande exemplo do poder de transformação do ser humano através da música, da arte. Antes dos créditos subirem, são mostrados o estado atual de cada aluno. E cada aluno, ainda criança, era um trabalho rural. Saber que hoje “todos vivem para a música”, parafraseando o próprio filme, me deixou feliz.

Mas a cena da chuva é uma das coisas mais piegas que já assisti no cinema em toda a vida, sem exageros!

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vicky

Vicky Cristina Barcelona, de Woddy Allen [2008] – nota: 9

Acho que já está na hora de eu parar de dizer que não gosto de Woody Allen.  Eu sempre gostei, só não vejo muita graça no velho, dono de um ego maior que seus próprios filmes. Por conta disso, quando se contenta em levar seu nome nos créditos apenas em roteiro e direção, é provável realizar grandes filmes, como foi com o recente e brilhante Match Point e, agora, Vicky Cristina Barcelona.

Há certos adjetivos que não gosto de utilizar para elogiar filmes; “apaixonante” é um deles. Mas VCB terá que recebê-lo por me fazer ficar com cara de babaca durante – e após – a sessão. Eu me apaixonei pelo filme, que me fez sentir uma vontade de me apaixonar, sem importar o sexo, a duração, o rumo do relacionamento – mas em Barcelona, de preferência. Melhor não escrever tudo o que o filmes me fez pensar. Coisas sobre relacionamentos, chatas demais para transcrever; de como a Cristina parece comigo – ainda que a minha reação após um fim de um relacionamento esteja mais próxima a da Maria Elena -; de que um relacionamento a três sempre será efêmero e com grande possibilidades de não terminar bem para uma das partes; de como eu não entendo de relacionamentos e talvez por isso tenho estado longe deles. E etc. Deixa pra lá.

Vicky Cristina Barcelona tem charme. Sua narração em off pode parecer dispensável uma vez que não revela nada além do óbvio, mas dá um toque especial no filme e cria um bom ritmo. Seguindo sempre com diálogos primorosos, de um Woddy Allen muito inspirado, disposto a conquistar e divertir o espectador com seus personagens, vividos por um dos melhores elencos de 2008. Scarlett Johansson está uma tetéia , Penélope Cruz explosivamente um tesão, Javier Bardem sedutor e Rebeca Hall perfeita em sua personagem.

E tudo isso em uma bela cidade, mostrada por uma câmera sutil de um diretor difícil de não gostar.

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  1. Em nome da equipe LeonardoDMS design, blogs etc S/A, venho informar que eu adoraria me apaixonar pela Scarlet Johanson em Barcelona, em Londres, em Nova York, em Nilópolis, onde for…
    ———–
    E você perdeu leitores porque mudou de endereço (sou muito apegado às coisas) e porque está escrevendo na primeira quinzena de dezembro. Onde já se viu? Eu desesperado com os trabalhos da faculdade, tive que vir aqui comentar (olha como eu sou leal?)

  2. – concordo c o Léo qd ele diz que vc perdeu leitores por causa do novo endereço.
    – queria mt ver esse filme, e eu gosto do woody allen, eu tenho que te emprestar ‘Igual a tudo na vida’
    – e quando vc disse que sentiu “uma vontade de me apaixonar, sem importar o sexo, a duração, o rumo do relacionamento”… bacana. Mas .. vc tá virando ‘gay’? huahuahua nada contra tá
    melhor gay do que emo neh?
    como sempre adorei o post
    :*

  3. LEONARDODMS: hehehehe Somos dois, meu caro amigo leal. xD Trabalho da faculdade? Já ouvir falar em férias?

    PEDRO HENRIQUE: Obrigado! Mas eu prefiro Vicky Cristina. hehe

    CAMILLA: – perder leitores?! foi uma ironia né?
    – tem mesmo!
    – que nada!!! xD


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